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Among Us | Como explicar o sucesso dois anos depois do lançamento?

Wagner Wakka
·10 minutos de leitura

Among Us é o jogo mais popular do momento. Isso é o que dados de diferentes empresas de pesquisa mostram. Para ser ter apenas uma ideia disso, levantamento do Sensor Tower apontou que Among Us é o game mais baixado para smartphones neste ano, superando outros gigantes como PUBG Mobile.

O curioso é que Among Us não foi lançado em 2020. O game estreou em 2018, primeiro para Android e iOS, depois ganhando uma versão para PC no final do mesmo ano. Os desenvolvedores da InnerSloth já estavam programando a continuação do título, mas devido ao sucesso atual, preferiram cancelar o lançamento de Among Us 2, concentrando-se apenas em melhorar o atual.

Porque será, então, que o título só caiu no gosto do público agora, depois de dois anos no mercado? Um conjunto de fatores pode explicar isso.

Do analógico para o digital

Among Us se baseia em uma mecânica simples: em um grupo de até 10 pessoas, um ou mais participantes podem ser inimigos dos demais. Enquanto tripulantes de uma nave precisam fazer missões simples, os impostores precisam matar as pessoas e sabotar a nave sem que seja pego. Caso alguém encontre um corpo, ou tenha suspeitas, pode chamar uma reunião para decidir quem é o vilão que deve ser eliminado na rodada.

A dinâmica consiste, portanto, em debates e observações para descobrir quais pessoas são as impostoras, antes que eles eliminem os mocinhos da história.

Tal mecânica não é nem de longe inovadora e já aparecia em rodas de amigos como o jogo analógico conhecido como “A cidade dorme”, “Vila Dorme”, também traduzidos do inglês como “Lobisomem” e “Máfia”.

A brincadeira analógica é bem semelhante à de Among Us. A diferença é que um se passa em um universo digital e remoto, enquanto o game analógico exige que todos estejam presentes para jogar.

Em entrevista para o site Kotaku, uma das designers de Among Us revelou a inspiração em “Mafia”, o jogo analógico lançado coo produto na década de 1980 nos Estados Unidos. Inicialmente, Among Us tinha a proposta de ser apenas o “tabuleiro” para Mafia, sem possibilidade online. Assim, Among Us já nasce com o potencial sucesso.

Outras empresas, como a Ubisoft, já tentaram levar as mecânicas da brincadeira para dentro de jogos digitais. Em 2016, a desenvolvedora francesa lançou Werewolves Within, basicamente transpondo as mecânicas de Werewolf (ou seja, o jogo de Lobisomem) para plataformas em realidade virtual. O jogo amargou baixa popularidade até mesmo quem já tem headsets VR.

O que Among Us, diferente de Werewolves Within, é a baixa barreira de entrada. Ele conta com controles simples, permitindo que a jogabilidade seja praticamente a mesma usando um teclado e mouse, ou por toque nos smartphones. Também não é preciso pagar (pela versão mobile) para jogar Among Us, outra barreira de entrada eliminada aqui.

Bom, isso pode ajudar a entender os motivos que levam novas pessoas a jogar, mas ainda não revela o que trouxe Among Us aos holofotes tão tardiamente. A resposta pode estar na Twitch.

Influência

Forest Willard é um cientista da computação com uma carreira relativamente nova. Formado em Oregon, nos Estados Unidos, ele trabalhou como engenheiro de software por 4 anos e meio no time de Windows. Seu trabalho era ajudar a criar ferramentas para outros desenvolvedores dentro do sistema operacional da Microsoft.

Ainda com emprego fixo, se juntou a outras duas pessoas para darem início à Innersloth, nos arredores de Redmon mesmo. Só largou a Microsoft em outubro de 2017, um ano antes do lançamento de Among Us.

O que a narrativa de Willard mostra é que a empresa que criou não tinha um corpo grande como estúdios gigantes. Ou seja, não possuem um time de relações públicas ou assessoria de imprensa. Foram três pessoas fazendo o jogo e nenhuma delas era muito boa em marketing, Willard conta em entrevista para a Kotaku.

Por isso que Among Us logo foi lançado já caiu no esquecimento mesmo antes de ser lembrado. Dados divulgados pelo próprio Willard mostram que a média de jogadores simultâneos no lançamento jogo alcançava, na melhor das hipóteses, apenas 25 pessoas. Hoje, por outro gráfico mais recente, ele tem 60 milhões de usuários ativos por dia.

Willard credita o boom de Among Us à Twitch. E análises gráficas mostram isso. A primeira leva de novos jogadores começou ainda no final de 2018, com streamers coreanos apresentando o game para seu público. Na época, o título passou dos 25 jogadores em média, para mais de mil, batendo 1900 simultâneos em 15 de dezembro. “Já causando um frequentes quedas e problemas como agora”, escreve Willard em seu perfil no Twitter.

“Nós fomos descobertos por umas pessoas na Coreia [do Sul]. Ajudou a conseguir uma popularidade por lá e então, no meio de 2019 um youtuber no Brasil jogou, e sua base de fãs também instalou e assim a gente foi crescendo”, conta Macus Bromander, também desenvolvedor do jogo.

O jogo também começou a aparecer em lives de brasileiros, mas ainda com muita modéstia perto do que estava por vir. Foi em julho de 2020 que Among Us caiu na garra dos influenciadores grandes dos Estados Unidos, sendo apresentado em língua inglesa. Era o que ele precisava para deslanchar.

Em julho de 2020, um streamer conhecido da Twitch, chamado Chance “Sodapoppin” Morris, deu a visibilidade de que Among Us precisava. Segundo Willard, o influenciador for alertado sobre o potencial do jogo por um rapaz chamado Pluto, que trabalha com parcerias da Twitch. Depois dele, xQC, outro influenciador, também jogou ao vivo com sua audiência e o game explodiu.

<em>Dados de audiência do Among Us na Twitch com o tempo (Dados e arte: Sullygnome)</em>
Dados de audiência do Among Us na Twitch com o tempo (Dados e arte: Sullygnome)

Segundo levantamento do Sullygnome, que acompanha dados de expectadores da Twitch, a audiência do jogo cresceu rápido no finzinho de agosto. Saiu da casa de 50 mil expectadores por dia, alcançando cerca de 280 mil diariamente no fim de setembro. Foi exatamente neste momento, aponta Willard, que o número de jogadores aumentou exponencialmente.

A comparação gráfica, aliada ao relato do próprio Willard, traz uma base sólida para dizer que a Twitch tem uma parcela importante na popularidade do jogo.

Boca a boca 

Among Us tem outro fator que pode ter sido um problema inicial, mas se revela uma vantagem agora. Para que uma boa partida seja criada, é preciso bastante gente. São, no mínimo quatro pessoas, com seus próprios dispositivos, geralmente conectados por chats por voz. Contudo, o game brilha mesmo com 10 pessoas em uma mesma sala.

Veja bem, em dezembro de 2018, com apenas 25 pessoas conectadas ao jogo, isso quer dizer que, no máximo, seis partidas estava rolando naquele momento. Considerando grupos de 10 pessoas, apenas três times poderiam jogar.

<em>Jogadores discutem qual pessoa deve ser jogada para fora da nave (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)</em>
Jogadores discutem qual pessoa deve ser jogada para fora da nave (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Se a necessidade de um grupo grande para dar liga à gameplay podia ser um problema inicial, com o sucesso, isso vira vantagem. Quando um jogador busca outras pessoas para montar um grupo, está por tabela, fazendo a divulgação do game.

“Eu tinha visto algumas matérias sobre Among Us, alguns memes. Mas foi só quando alguns amigos chamaram para jogar pela primeira vez que eu entrei”, conta Daniela Bertoncini, jornalista. Ela se descreve como alguém não muito ligada a jogos, mas que tem curtido Among Us com amigos há mais de duas semanas.

A baixa barreira de aprendizado, unido à versão gratuita para smartphones, torna fácil convencer alguém a entrar na brincadeira. Outro ponto é que é fácil explicar para alguém do que se trata.

“Sempre chego com: ‘sabe aquele jogo, ‘Cidade Dorme’? É tipo isso, super fácil”, explica o analista de sistemas Cesar Pagliani, que uniu um grupo no WhatsApp (depois Discord) de mais de 20 jogadores, entre amigos e conhecidos de conhecidos. “É difícil todo mundo estar disponível, mas sempre tem uns cinco ali que jogam na hora que a gente chama”, comenta.

Ele lembra que, sempre que “falta um” para completar os 10 jogadores, vai em busca de um novo integrante para a convencer a entrar na brincadeira.

COVID-19 e pandemia dos games

Com isolamento social, as pessoas têm mais tempo para jogar. Esta afirmação é retirada de um levantamento do NPD, em pesquisa nos Estados Unidos. Em média 65% dos entrevistados disseram que estão usando mais plataformas de jogos (PC, smartphones e consoles) que no ano passado.

Em especial, jogos com mecânicas sociais têm ganhado mais projeção. Foi o que aconteceu com Fall Guys, jogo da Mediatonic, que explodiu na Twitch, desde o lançamento em agosto de 2020.

A pandemia revelou uma necessidade de contato social à distância, popularizando também ferramentas como Zoom, Hangouts, Teams e outras plataformas de conversa. Isso para aproximar as pessoas em distanciamento para conter a disseminação da COVID 19.

Among Us oferece esta aproximação, como uma desculpa a mais para encontrar amigos. “Eu gosto muito de jogar jogos físicos com meus amigos. A gente joga bastante The Resistence, que é bem parecido com Among Us. Eu acho que essa experiência do Among Us acaba trazendo um pouco dessa sensação que era jogar fisicamente”, lembra Daniela.

Para Pagliani, entrar em uma partida com amigos e outras pessoas é parecido com “a mesa de bar” de antes da pandemia. “Quando você ia para um bar, trocava ideia com gente que nem conhecia, mas tinha seu grupinho. Meio que o Among Us traz isso para mim. Vou batendo papo, me divertindo e, às vezes, até abro uma cerveja com o jogo”, pontua.

A carona do Discord

Quem subiu no rabo de foguete de Among Us foi o Discord. A plataforma de conversas e chat famosa entre gamers viu uma expansão grande com a popularidade do jogo. Isso porque o Among Us exige um nível alto de interação.

O título até traz um chat para os momentos de decisão para descobrir quem é o impostor, mas grande parte dos usuários prefere usar chat por voz para isso.

Um estudo do Apptopia revelou que o Discord caiu no gosto dos jogadores. A curva de novos downloads do serviço sobe em uma proporção muito parecida com a do Among Us.

Enquanto a média de downloads do Discord se mantinha na casa dos 200 mil diários, este número subiu para 400 mil no início da pandemia e explodiu para a casa dos 800 mil diários.

<em>Dados do Discord e Among Us (Fonte: Apptopia)</em>
Dados do Discord e Among Us (Fonte: Apptopia)

“O chat é bom, mas é mais difícil. O gostoso é tentar pegar a mentira do impostor na voz dele. Já não estamos olhando para a outra pessoa, então, tem que tentar pegar pela voz”, acredita Pagliani.

Para Daniela, maior que o Among Us é a possibilidade de conversar com amigos.“Eu jogo com o Discord e não conhecia a ferramenta. O que eu acho que me fez entrar para o Among Us, foi bem a pandemia. Eu que ainda estou cumprindo a quarentena, não vejo meus amigos. Em uma rotina de home office, que você fica muito tempo em call, a chamada com os amigos já não faz mais muito sentido. Elas cansam. Agora, quando você tem um motivo a mais para reunir a galera, isso faz sentir mais próximo dos amigos. Ele me conecta mais com as pessoas que eu gosto”.

Os dados de audiência da Twitch mostram que, assim como Fall Guys, Among Us já está perdendo espaço em audiência e deve ser substituído por outro título do momento para os produtores de conteúdo. Contudo, isso já foi suficiente para garantir aos desenvolvedores o montante necessário para continuarem seguindo na produção de seus jogos.

Among Us 2 também já está em desenvolvimento. Contudo, os desenvolvedores pararam os trabalhos na continuação e não há uma nova data para o novo game chegar aos usuários.

Fonte: Canaltech

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