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Americanas terá estouro de endividamento e crédito difícil após escândalo contábil de R$ 20 bi, dizem analistas; entenda

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se os erros contábeis de R$ 20 bilhões não afetam o caixa da Americanas no primeiro momento, analistas apontam que a varejista certamente terá um estouro no seu endividamento, o que pode levar a varejista a entrar em "modo sobrevivência", cortando investimentos e empregos.

Nos contratos com credores, especialmente compradores de títulos emitidos pela empresa, é estipulado um limite na relação entre dívida líquida e Ebitda, que equivale ao resultado operacional.

"Essa relação deve aumentar muito, o que vai permitir aos credores pedir a antecipação do vencimento das dívidas", explica um analista que prefere não se identificar.

Neste cenário, a Americanas S.A. teria que tentar negociar com seus credores novos prazos e condições, certamente com juros mais altos. "Os investimentos no negócio vão diminuir drasticamente, empregos serão cortados e a empresa entrará em modo sobrevivência", projeta esse analista.

Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (11), a Americanas afirma que essa inconsistência contábil tem "efeito imaterial" no seu caixa, ou seja, não afeta imediatamente os recursos que a empresa possui para continuar operando.

Mas segundo analistas, esse cenário deve mudar. Isso porque o rombo de R$ 20 bilhões tornado público equivale ao valor da dívida bruta da Americanas ao final do terceiro trimestre de 2022, último balanço publicado pela companhia.

Em setembro do ano passado, a dívida bruta da Americanas S.A. era de R$ 19,3 bilhões. E a empresa consumiu R$ 8,3 bilhões em caixa entre julho e setembro, dos quais R$ 2,6 bilhões em aquisições de empresas como a Hortifruti Natural da Terra, a formação da parceria com a Vibra na Vem Conveniência, e do grupo Uni.Co, dono da marca Puket.

Em uma conferência com investidores realizada nesta quinta-feira (12), o agora ex-presidente da Americanas, Sergio Rial, que assumiu o cargo no último dia 2 de janeiro, disse que a prática vinha sendo adotada por anos, o que explica o tamanho do rombo no balanço.

A XP Investimentos acredita que a empresa terá uma deterioração no seu capital de giro, que é o dinheiro usado para pagar fornecedores, entre outras despesas do dia a dia de uma varejista. E assim, o rombo passa a ter um efeito direto no caixa da empresa.

De acordo com um especialista, que prefere não ser identificado, com as informações disponíveis até agora, é possível traçar um cenário preliminar do que foi feito na contabilidade da Americanas.

Ele explica que é comum no varejo as empresas recorrerem a financiamentos bancários para pagar fornecedores. "Os fornecedores geralmente dão um prazo entre 30 e 90 dias para o pagamento. A empresa recorre ao banco, que paga ao fornecedor, e a dívida passa a ser bancária."

Os bancos cobram juros por esse financiamento, que deveriam ser contabilizados como despesa de compra de mercadorias. "O que parece ter acontecido é que a Americanas contabilizou no balanço somente o valor da mercadoria, sem incluir nessa despesa o valor dos juros pagos aos bancos", explica o especialista.

A Americanas tem entre seus principais acionistas o grupo de empresários que detém a 3G Capital, formado por Jorge Paulo Lemman, Marcel Herrmann Telles, Carlos Alberto Sicupira, Alex Behring e Roberto Thompson Motta.

O grupo é acionista também da Kraft Heinz, juntamente com a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett. Em 2019, a gigante de alimentos teve que fazer um ajuste de US$ 15,4 bilhões em seu balanço, depois de ter supervalorizado os valores de seus ativos, como marcas e empresas do grupo, entre 2015 e 2018.

A Kraft Heinz fez um acordo de US$ 62 milhões com a SEC (órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos) para encerrar o processo movido contra a empresa, que terminou sem a Kraft admitir ou negar a má conduta contábil.

CVM ABRE PROCESSO PARA INVESTIGAR COMPANHIA

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) anunciou nesta quinta-feira a abertura de dois processos para investigar as práticas da Americanas. Um sobre os balanços, e outro sobre o anúncio da inconsistência de R$ 20 bilhões ao mercado.

A ação ordinária da Americanas não saiu de leilão desde o início do pregão, mas indica uma queda de 90% nesta quinta-feira. A reação é bastante pior que o esperado por Luan Alves, analista chefe da VG Research.

"Levando em conta somente a parte financeira, esperava uma queda de 30% na ação. Mas de fato está pesando a questão de governança, e a saída do Rial traz de volta as incertezas, além da questão contábil", explica Alves.

A expectativa pelo início da gestão de Sergio Rial como CEO da Americanas apareceu no desempenho da ação nas últimas semanas. Entre 16 de dezembro de 2022 e esta quarta-feira (11), o papel saiu de R$ 7,25 para R$ 12,00, alta de 63%, segundo levantamento do TradeMap.

A XP levanta ainda os riscos de um processo judicial movido por investidores nos Estados Unidos. "A empresa tem recibos de ações negociados em Nova York, e em casos semelhantes, houve ações coletivas quando os acionistas minoritários foram prejudicados por decisões dos executivos".

Neste sentido, a AMEC (Associação dos Investidores de Mercado de Capitais) divulgou nota em que cita "perplexidade" quanto à atuação das áreas que cuidam da governança da Americanas. "Principalmente auditorias, à luz da magnitude estimada da inconsistência contábil."

A Abradin (Associação Brasileira de Investidores) diz que estuda adotar medidas junto à CVM e ao Ministério Público para proteger os acionistas minoritários.

A pwc, responsável pela auditoria dos balanços da Americanas S.A., foi procurada e afirmou que não comenta casos de clientes. A Americanas também não vai se pronunciar sobre o assunto.