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Americanas cita BBB, ovos de Páscoa e pede compreensão à Justiça

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No pedido de recuperação judicial enviado nesta quinta-feira (19) à Justiça, redigido pelos escritórios Basilio Advogados e Salomão Kaiuca Abrahão Raposo Cotta, e que foi aceito ainda nesta tarde, a Americanas começa dizendo que é um "motivo de orgulho para o povo brasileiro", por ser uma varejista "quase centenária" (fundada em 1927, no Rio, por um quarteto de imigrantes americanos, daí o nome da rede), com muitos pontos de venda (3.600), que atendem mais de 50 milhões de consumidores e geram "mais de 100 mil empregos diretos e indiretos". Além disso, também paga R$ 2 bilhões em tributos ao ano.

"O Grupo Americanas é muito mais do que aparenta neste momento de tormenta pelo qual está passando", diz o texto. "A Americanas é uma gigante nos mercados brasileiro e mundial, que precisa do apoio e da compreensão do Poder Judiciário e dos credores para superar essa crise."

Também menciona o patrocínio ao reality show da rede Globo, Big Brother Brasil (BBB), programa do qual se tornou "parceira" nos últimos anos (mas abriu mão do apoio deste ano, que acabou ficando com a rival, Mercado Livre). E diz que muitos fornecedores dependem dela para continuar existindo.

"Em muitos casos, o Grupo Americanas é o maior, senão o único, adquirente de produtos e serviços de fornecedores, de forma que estes também seriam duramente afetados em caso de encerramento de suas atividades. Tais clientes teriam a cadeia de produção interrompida, em verdadeiro efeito cascata. Vale dizer, o eventual colapso do Grupo Americanas teria certamente efeito sistêmico na cadeia de importantes setores da economia brasileira", diz o texto.

A empresa ainda ressalta que "a crise do grupo pode afetar até mesmo o preço do ovo de Páscoa, pois se trata da maior varejista de ovos de Páscoa do mundo!", afirma.

"Credores tomaram medidas precipitadas e não negociaram" Ao falar dos credores, em especial os bancos, a varejista se coloca como vítima de um "verdadeiro ataque", cujo cerne -a divulgação de "inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões"- ela afirma desconhecer. As principais críticas são dirigidas ao BTG Pactual, que nesta quarta-feira (18) conseguiu um mandado de segurança na Justiça para bloquear R$ 1,2 bilhão na conta da empresa junto à instituição financeira, como forma de se precaver de um possível calote, como revelou a Folha de S.Paulo.

"Alguns poucos credores, sem pensar nos impactos para a coletividade, tomaram medidas precipitadas que culminaram no perigoso esvaziamento do caixa da companhia e, consequentemente, inviabilizaram a sua operação a curto prazo e uma solução negocial coletiva sem o remédio recuperacional", diz.

A empresa prossegue: "Vale salientar que, menos de seis horas depois da divulgação ao mercado do fato

relevante, em 11/1/2023, sobre as inconsistências nas demonstrações financeiras da companhia, alguns credores, sem qualquer embasamento contratual ou legal, já haviam declarado o vencimento antecipado das obrigações da companhia, alguns assenhorando-se de valores bilionários, fechando as portas para qualquer tipo de negociação amigável viável."

"Um dos credores interpôs um manifestamente descabido mandado de segurança para tentar, a qualquer custo, a concessão de efeito suspensivo para obstar o cumprimento da ordem judicial que determinara a devolução de recursos essenciais para a operação das Americanas", diz o texto.

"A situação ficou ainda pior em razão dos consecutivos rebaixamentos de rating da Americanas, pelas

agências de classificação de risco, o que fez com que os bancos se negassem a adiantar recebíveis de cartão de crédito, operação rotineira e historicamente feita pelo Grupo Americanas para capital de giro, drenando mais de R$ 3 bilhões do caixa da Companhia", diz a empresa.

"Todos esses elementos só fizeram com que o estado de crise instaurado pela publicação do fato relevante, que levou o valor das ações da Americanas a uma queda inédita de quase 80% em menos de uma semana, se agravasse ainda mais, tendo o valor das ações atingido seu menor patamar dos últimos anos na véspera desse pedido recuperacional", afirma.

"Por essas razões, o Grupo Americanas viu-se sem saída, precisando emendar, em sete dias, a tutela cautelar, para que seja recebido este pedido de recuperação judicial".

Empresa diz que agiu com "transparência e coragem" ao revelar "infortúnio" Por meio dos seus advogados, a Americanas diz que sua operação sempre foi saudável e que a empresa adotou uma postura transparente, leal e corajosa ao revelar o escândalo contábil de R$ 20 bilhões, sobre o qual não sabe o que aconteceu e que "ainda é cedo" para saber quem é o responsável por esse "infortúnio".

Também afirma que, de uma hora para a outra, seu caixa ruiu.

"A operação do Grupo Americanas sempre foi saudável, tendo se mantido dessa forma até uma semana atrás, quando a Companhia ainda era vista como uma sociedade sustentável e muito promissora. Porém, por razões inesperadas e que abalaram toda a estruturado grupo, as requerentes viram o seu caixa e expectativas de faturamento ruírem em questão de minutos", informa.

"Tudo se deu pelo fato de a companhia ter revelado -ressalta-se, com transparência, coragem e lealdade incomuns-, ao mercado as inconsistências em lançamentos contábeis redutores da conta de "Fornecedores", realizados em exercícios anteriores, incluindo o exercício de 2022. Ainda é cedo para precisar o que aconteceu e quem são os efetivos responsáveis por esse infortúnio", afirmou.

A empresa destaca a criação de um comitê independente, "formado por profissionais de alto gabarito e reputação", liderado pelo "renomado jurista e ex-diretor da CVM", Dr. Otávio Yazbek para "investigar e apresentar suas conclusões aos acionistas, ao mercado e à sociedade em geral."

"A área contábil da companhia, por meio do relatório gerencial de fluxo operacional, estima que os valores das inconsistências sejam da ordem de R$ 20 bilhões, na data base de 30/9/2022, o que poderá elevar o

endividamento financeiro do Grupo Americanas para o montante aproximado de R$ 40 bilhões", informa.

A "corrida pelos ativos" que pertencem à Americanas, diz o texto, fez com que "todo o caixa da empresa vem sendo dragado por instituições financeiras detentoras de créditos contra o grupo". "O risco, então, caso não seja deferido o imediato processamento desta recuperação judicial, é de um absoluto aniquilamento do fluxo de caixa do Grupo Americanas, o que impedirá o cumprimento de obrigações diárias indispensáveis ao exercício da atividade empresarial, tal como o pagamento de fornecedores e funcionários."

Ao final, o grupo se diz ciente "da necessidade de apresentação de contas mensais e pugna pela produção de provas que se façam necessárias, assim como pela eventual retificação das informações e declarações constantes nesta peça e na petição inicial do pedido cautelar."