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“Já fui ameaçado de prisão”, diz idealizador de batalha de rap

Grupo se reúne todas as sextas. Foto: Arquivo Pessoal

Desde 2013, rappers de Limeira, no interior de São Paulo, resolveram se reunir no centro da cidade para promover batalhas de rap e expressar seus trabalhos artísticos. Foi assim que nasceu a Batalha da Gruta, nome escolhido para homenagear a gruta da paz, local de encontro dos artistas e ponto turístico localizado na praça Toledo de Barros.

O idealizador do projeto é Renan Venâncio, conhecido como Dark. Hoje com 26 anos, ele começou a compor com apenas 13 e aos 17 já participava de batalhas de rap. Em 2019, ele foi campeão regional de batalhas e participou da competição do Estado de São Paulo. 

No entanto, ele tem várias atividades e se divide entre as profissões de pintor residencial, produtor musical, diretor e roteirista. Segundo Dark, todo o projeto é organizado por ele e os amigos e artistas Rhyan Uzumaki e GLD (Gleidson Gomes) e a atividade começou por conta de uma busca por um espaço no qual eles pudessem se expressar livremente.

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O espaço público foi escolhido pela sua facilidade, comodidade e pelo custo quase zero que traria para o projeto. “Na época, o rap tinha um público bem seleto. Também não tinham tantos artistas que se interessavam em fazer rap ou algo do tipo. A galera da batalha já se conhecia pela vivência e por ter por volta de uns 10 MCs [Mestres de Cerimônia]”, explica.

Porém, o grupo enfrenta vários desafios. Segundo Dark, o começo foi bem difícil para eles. “Era complicado de reunir uma galera. Mas, com o tempo, o evento foi crescendo através da internet e do boca a boca. Nunca achei que a gente chegou a fazer sucesso, mas vejo que o evento cresceu e pegou uma proporção que eu não consigo nem ter noção do tamanho”, comemora o artista.

Além disso, um outro problema enfrentado até hoje pelo grupo é o constante conflito com a guarda metropolitana da cidade. “Os maiores desafios, com certeza, vêm do poder público, que sempre dificulta o uso do espaço público. Já fui ameaçado de prisão várias vezes simplesmente por frequentar a praça e querer fazer as rimas”, afirma Dark.

Mesmo assim, o grupo não parou de ocupar o espaço e conseguiu permissão para ficar no local com um alvará de funcionamento. Os jovens, portanto, continuam se reunindo no local todas as sextas a partir das 19h30. “Sei que, para os jovens da cidade, isso é algo muito importante. Tanto que, a partir da batalha, hoje temos artistas que trabalham com a música”, constata o artista.