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Ameaça ao teto e risco de pedalada fazem Bolsa cair mais 1%

JÚLIA MOURA
·5 minutos de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira teve nesta terça-feira (29) o segundo pregão seguido de queda, reforçando a reação adversa do mercado financeiro à proposta do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) para o Renda Cidadã. O Ibovespa fechou em queda de 1,14%, a 93.580 pontos, menor valor desde 16 de junho. O programa social que vai substituir o Bolsa Família tem entre suas fontes de financiamento alternativas consideradas inadequadas pelos analistas: os precatórios -dívidas de ações judiciais a serem pagas depois das sentenças definitivas- e Fundeb (fundo para a educação). Ainda assim, os aliados do governo insistem em defender a proposta. "Dá a impressão de que essa maluquice de furar o teto [de gastos] não é tão maluca para a turma de Brasília. Usar precatórios é basicamente dar um calote na ordem judicial de pagar um calote", diz Bruno Arruda, gestor da Gauss Capital, que considera a proposta como uma pedalada fiscal. Nesta terça, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do Pacto Federativo, disse que o Renda Cidadã será incluso no seu relatório da forma como o governo o apresentou na segunda (28). Já o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), tem dito nos bastidores que a proposta foi acordada com os demais líderes do Congresso, com a participação de integrantes da bancada da educação (a que mais se oporia ao uso da verba do Fundeb). O mercado esperava a apresentação de uma alternativa para o programa, que, segundo o plano do governo, irá usar recursos que não estão sob o teto de gastos em um programa que está abaixo deste limite, o Bolsa Família. A proposta é foi vista por analistas como um drible no teto de gastos, mirando uma possível reeleição de Bolsonaro em 2022. “São sinais muito ruins de Brasília. É preciso que encontrem outra maneira de bancar o Renda Cidadã ou que o governo sinalize corte de despesas. [A queda da Bolsa de hoje] é um desdobramento do cenário ruim”, diz Rafael Cota Maciel, gestor de renda variável da AF Invest. Segundo o banco suíço Julius Baer, mesmo que os detalhes e a aprovação do programa ainda sejam incertos, o anúncio da proposta foi um golpe na credibilidade fiscal do país. Em suas redes sociais, Bolsonaro rebateu críticas à proposta e afirmou que a responsabilidade fiscal e o teto são os "trilhos da economia. Estamos abertos a sugestões juntamente com os líderes partidários." O presidente pediu ainda ao mercado financeiro que, em vez de críticas ao programa, faça sugestões de financiamento e ressaltou que o setor econômico também não terá renda para investir caso os impactos sociais da pandemia do coronavírus não sejam reduzidos. "Pessoal do mercado, não estou dando recado para vocês, [mas] se o Brasil for mal, todo mundo vai mal. Aquele ditado de que estamos no mesmo barco é o mais claro que existe do momento. O Brasil é um só. Se começar a dar problema, todos sofrem e o pessoal do mercado não vai ter também renda. Vocês vivem disso, de aplicação. E nós queremos obviamente estar de bem com todo mundo. Mas eu peço, por favor, ajudem com sugestões, não com críticas", afirmou. O presidente disse ainda que pode avaliar a venda de uma empresa estatal para financiar o programa social. Ele ponderou, contudo, que não se vende uma empresa pública "de uma hora para outra" e que não se deve "queimar estatais" sem finalidade. "Sabemos que não tem recurso. Então, está buscando alternativa. Alguns falam para pegar precatórios. Vender algumas estatais. Vender estatais não é de uma hora para outra assim, não. Vamos lá vender a quem quer comprar. É um processo enorme, tem que ter um critério para isso. Não pode queimar estatais. Tem que vender estatal por uma finalidade. Se bem que, para essa finalidade, é possível de ser estudado antes que o mercado desabe novamente", afirmou. Bolsonaro disse ainda que quer uma "solução racional", mas observou que, caso não encontre outra alternativa para financiar a iniciativa, poderá adotar uma "decisão mal tomada". Na segunda, o Renda Cidadã teve uma reação negativa do mercado, com queda de mais de 2% da Bolsa e alta do dólar e dos juros futuros,. No anúncio do programa, líderes do governo no Congresso também disseram que não há consenso com líderes partidários sobre a reforma tributária, mas que o governo prepara uma proposta de recriação da CPMF com alíquota de 0,2% sobre todas as transações financeiras. Na tarde desta terça, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o ministro Paulo Guedes (Economia) por supostamente ter interditado o debate sobre a reforma tributária. “Por que Paulo Guedes interditou o debate da reforma tributária?”, escreveu Maia em sua conta no Twitter. No after market, negociações após o fechamento do pregão diário, o Ibovespa amplou a queda para 1,5%, mas reduziu a desvalorização para 1,26% após Bolsonaro dizer que obedece o ministro Guedes. O dólar fechou estável, a R$ 5,64, depois de oscilar entre altas e baixas com a apreensão do mercado com a saúde fiscal do Brasil. O turismo está a R$ 5,787. No exterior, o pregão foi negativo à espera do primeiro debate presidencial nos Estados Unidos, entre o presidente republicano, Donald Trump, e o rival democrata, Joe Biden, nesta terça, às 22h (horário de Brasília) Em Nova York, Dow Jones e S&P 500 caíram 0,5% e Nasdaq, 0,3%. Com a alta no número de novos casos de Covid-19 nos EUA e na Europa, o petróleo caiu 3,3%, a US$ 41,03. Com a queda da matéria-prima, as ações preferenciais (mais negociadas) de Petrobras caíram 1,7%, a R$ 19,30, e as ordinárias, 2,8%,a R$ 19,61. A maior queda do Ibovespa, porém, foi da Azul, que desabou 7,7%, a R$ 23,95, após o Bradesco BBI rebaixar a recomendação da empresa para neutra, revisando o preço alvo de R$ 27 para R$ 23. Na esteira, Gol caiu 5,7%, a R$ 16,47, Embraer, 4%, a R$ 6,10 e CVC, 3,9%, a R$ 15,62.