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Ambiente para pagamento de dívidas deve melhorar nos próximos meses, avalia CNC

Alessandra Saraiva

Aumento do endividamento seria decorrente da maior e melhor oferta de crédito, tendo em vista o cenário de juros baixos; inadimplência não é explosiva, diz economista Um ambiente com volume maior de contas a pagar, no começo do ano, elevou a fatia de endividados em fevereiro, em comparação com igual mês de 2019, além de impulsionar a parcela de renda familiar comprometida com dívidas ao maior patamar em três meses, com piora na inadimplência. Mas o cenário das famílias quanto ao pagamento de dívidas deve melhorar após março, segundo a economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Izis Ferreira.

Ela fez a observação ao comentar a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta segunda-feira. No levantamento, o percentual de famílias endividadas ficou em 65,1% em fevereiro, abaixo de janeiro (65,3%) mas acima de igual mês em 2019 (61,5%). A parcela média de renda comprometida com dívida ficou em 29,7%, maior desde novembro do ano passado (29,9%). As famílias que informaram não ter condição de pagar dívidas ficou em 9,7%, acima de janeiro (9,6%) e de fevereiro do ano passado (9,2%).

Para Izis, o aumento de endividamento é decorrente da maior e melhor oferta de crédito, tendo em vista o cenário de juros baixos. Ou seja, na prática, existem no momento condições melhores para tomar empréstimos, o que acaba atraindo interesse das famílias nesse sentido, notou a especialista. Isso fez com que o patamar de endividados se posicionasse acima de igual período no ano passado, comentou ela.

Sobre inadimplência e aumento de parcela de renda média comprometida com dívidas, a técnica lembrou que, no começo do ano, as famílias se ajustam para conseguir lidar com pagamentos extras no período, como os de impostos como IPTU e IPVA, além de reajustes em mensalidades escolares.

Isso acaba levando a algum atraso no pagamento de compromissos com empréstimos, disse. “Não houve uma explosão na inadimplência”, comentou, acrescentando que, no ano passado, o percentual de famílias endividadas que informaram não ter condição de quitar débitos estava na faixa de 10%, na pesquisa.

Para os próximos meses, a especialista comentou que o endividamento das famílias deve continuar a operar em alta, devido à continuidade da melhora de acesso ao crédito, em ambiente de juros baixos, mas que a inadimplência e a parcela de renda comprometida com dívidas devem melhorar.

“Esse movimento de fevereiro e de março, esse aspecto sazonal [de pagamentos extras] influencia muito a questão da inadimplência”, comentou ela. “A questão do endividamento, ele deve continuar mais elevado porque as condições de crédito estão mais favoráveis”, disse. “A tendência é que o endividamento ainda continue a representar maior parcela das famílias, mas a inadimplência não vai ter trajetória explosiva, porque a renda está se recuperando aos poucos”, afirmou a especialista, citando sinais de melhora na renda do trabalho, nas mais recentes pesquisas.

Assim, para a técnica, com a melhora na renda, em um ambiente com pouca pressão inflacionária como o atual, as famílias devem contar com espaço maior para quitarem dívidas, após março.