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Amazon, Dell, HP e Microsoft mudam produção de hardware para fora da China

Rafael Arbulu

Diversas empresas do setor tecnológico estão movendo suas linhas de produção de hardware para fora da China, segundo reportagem da agência asiática Nikkei. Destacam-se, entre elas, nomes como HP, Dell, Microsoft e Amazon, que adotaram a medida em resposta à guerra comercial entre o gigante asiático e os Estados Unidos. No início de maio de 2019, a administração governamental de Donald Trump impôs tarifa de 25% sobre produtos chineses, abrindo caminho para aumento de preço nos produtos e menor margem de lucro para fabricantes.

Ainda que a indústria tecnológica tenha se mantido incólume frente à nova taxa, as empresas e analistas do setor têm expectativa de que isso trará um impacto considerável na produção de bens; por isos, as companhias optaram por se antecipar e sair da China, levando a produção de consoles, laptops, leitores digitais de livros (e-readers como o Kindle) e outros dispositivos comuns ao usuário final para outros países.

Nomes como Apple, Google e Nintendo planejam mover parte de seus processos de produção para os EUA ou de volta aos seus países natais. Na Apple, fala-se em “30%” da linha de dispositivos, enquanto parte da produção e montagem do Nintendo Switch deve ser reconduzida.

Amazon é uma das empresas que está mudando seu processo de fabricação para longe da China: ideia é manter o nível de preço de produtos como o Kindle (foto) frente ao aumento de tarifas imposto pela administração Trump

O território chinês não é novo em relação à receptividade de processos de grandes corporações de outros países: há anos a Apple tem a linha principal de montagens na chinesa Foxconn. Outras fabricantes tendem a preferir o país asiático em virtude do custo de fabricação reduzido.

Contudo, a determinação de Trump em aumentar os impostos 10% para 25% impacta cerca de US$ 200 bilhões em produtos. Especialistas e empreendedores ouvidos pelo The New York Times em maio indicaram que, invariavelmente, o preço para o consumidor final aumentaria exponencialmente. Grandes produtoras passariam a considerar pelo menos 15% a mais em seus produtos, enquanto empreendedores menores, que costumavam arcar sozinhos com os 10% anteriores, não mais poderão evitar o aumento para seus clientes, ou fecharão as portas.

“Um súbito aumento na tarifa, com menos de uma semana de aviso prévio, poderia impactar severamente diversos negócios americanos, especialmente empresas menores com menos recursos para mitigar o impacto”, argumentou ao NYT o vice-presidente de relações governamentais da Federação Nacional de Comércio dos EUA, David French. “Se a administração seguir com essa imposição, os consumidores vão enfrentar preços mais altos e empregos por todo o país serão perdidos”.

A argumentação do especialista, feita em maio, parece estar se confirmando em caráter antecipado no mercado tecnológico: embora a tarifa acrescida não se refira especificamente a bens de informática e maquinário, é fácil presumir que isso deve acontecer logo. Em aumentos tarifários anteriores, o governo Trump começou com um campo específico da indústria e, posteriormente, levou-os a outros setores.

Fonte: Canaltech

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