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Amazon é acusada de encobrir acidentes em armazéns nos Estados Unidos

Felipe Junqueira

A Amazon amarga um longo histórico de problemas relacionados ao tratamento de seus funcionários. Em agosto deste ano, por exemplo, a companhia foi acusada de forçar funcionários a largarem carreira militar pela empresa, enquanto em outubro apareceram mais relatos de problemas da varejista com leis e práticas trabalhistas.

O mês de novembro vai chegando ao fim e, mais uma vez, a Amazon se vê às voltas com um escândalo de supostos maus tratos com seus funcionários. Documentos da Administração de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA, na sigla em inglês) surgiram na internet revelando que ao menos um dos armazéns da varejista nos EUA teria taxa de lesões três vezes maior do que a média da indústria do país.

“Quando você analisa esses números básicos da própria Amazon, é impressionante”, disse o advogado da organização sem fins lucrativos Make the Road, Frank Gearl, ao Gizmodo. “Eles têm taxas mais altas de lesões, e elas são incrivelmente graves, em comparação com a média nacional de armazéns e em comparação com indústrias conhecidas por serem muito perigosas, como coleta de resíduos sólidos e policiamento”, completa.

Os dados vazados para a imprensa são de um único armazém da Amazon, o JFK8, inaugurado em setembro de 2018, e correspondem apenas aos meses finais do ano passado. Porém, é bom notar que se trata justamente do período mais movimentado no varejo, incluindo Black Friday e festas de fim de ano. “A Amazon sabe que está ocorrendo uma crise de lesões nas instalações do JFK8”, alegou o advogado.

O buraco é mais embaixo

Amazon tem longo histórico de problemas com funcionários (Foto: Divulgação)

Um dia depois da reportagem publicada no Gizmodo, o site The Atlantic trouxe novas informações sobre o suposto descaso da Amazon com o bem-estar de seus trabalhadores. De acordo com a nova matéria, a varejista teria agido, inclusive, para encobrir os problemas com acidentes em suas instalações.

“Em ao menos uma dúzia de casos, a Amazon ou ignorou os pedidos desses funcionários ou forneceu apenas registros parciais, em uma aparente violação de regras federais”, diz a publicação. E, para piorar, quando liberava os registros, gerentes da Amazon dariam a entender que eram documentos confidenciais e não poderiam ser publicados.

Ainda segundo a reportagem, três ex-gerentes de segurança disseram que a Amazon os encorajava a minimizar o número de casos. “Um ex-especialista em segurança em um armazém confirmou a informação”, segue a publicação. “Ele disse que os superiores o instruíram a apresentar justificativas para não registrar ferimentos que deveriam ter sido contados por lei”.

O mais grave, no entanto, é que um investigador da OSHA teria sido forçado a mudar um relatório sobre a morte de um funcionário dentro de um armazém da Amazon, de modo que a história desse a entender que a vítima seria culpada pelo próprio infortúnio. John Stallone havia concluído que a varejista não teria dado treinamento suficiente. De acordo com o próprio investigador, ele teria sido instruído a desistir do caso ou isso poderia afetar as chances de o Estado receber um segundo escritório da Amazon.

A resposta da Amazon

Jeff Bezos e Amazon seguem lucrando mesmo com problemas internos (Foto: Time)

Um porta-voz da varejista recusou-se a responder perguntas feitas pelo Gizmodo referentes ao alto número de acidentes no armazém JFK8. No entanto, enviou uma nota em que nega a denúncia de que não há nos centros de distribuição da empresa.

“É impreciso dizer que os centros de atendimento da Amazon não são seguros, e os esforços para caracterizar nosso local de trabalho como tal, com base apenas no número de registros de lesões, são enganosos, dado o tamanho de nossa força de trabalho”, escreveu. A publicação, no entanto, nota que o cálculo feito pela OSHA para as taxas de incidentes é feito justamente para comparar empresas de tamanhos grandes, médios e pequenos.

O porta-voz segue, defendendo que a Amazon tem a segurança dos colaboradores como “prioridade número um”, e acrescenta que “existe um nível drástico de sub-registro de incidentes de segurança em todo o setor — reconhecemos isso em 2016 e começamos a adotar uma postura agressiva ao registrar lesões, sejam elas grandes ou pequenas”.

Fonte: Canaltech

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