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América Latina vai recuperar renda per capita pré-pandemia em 2024, diz FMI

·3 minuto de leitura
Esta foto de arquivo de 24 de março de 2020 mostra uma vista aérea do porto do Rio de Janeiro

A América Latina vai recuperar o nível de renda per capita que tinha antes da pandemia apenas em 2024, estimou nesta quinta-feira (15) o Fundo Monetário Internacional (FMI), que alertou que a recente onda da covid-19 mancha "as perspectivas de curto prazo" na região.

"A renda per capita não voltará ao nível anterior à pandemia até 2024, o que causará perdas acumuladas de 30% em relação à tendência pré-pandêmica", apontaram Alejandro Werner, diretor para as Américas do FMI, e outros dois economistas em um blog da entidade.

Em seu último relatório "World Economic Outlook" (WEO) publicado este mês, o FMI melhorou as perspectivas para a América Latina, projetando crescimento do PIB regional de 4,6% este ano, ainda abaixo da média global, de 6%.

Assim, em termos de crescimento econômico, o FMI alertou que "o recente surto do vírus no Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, somado à lentidão na distribuição de vacinas (exceto no Chile), prejudica as perspectivas de curto prazo".

Os economistas destacaram que a contração de 7% experimentada pela região em 2020 foi a mais pronunciada do mundo, superando em muito a média mundial, que foi de -3,3%, e acrescentaram que a projeção de crescimento para este ano está abaixo das projeções para os mercados emergentes.

Pelas projeções do organismo, o Brasil - que este ano crescerá 3,7% - recuperará o nível do PIB de 2019 em 2022; O México, com uma previsão de expansão de 5%, retornará ao nível pré-pandêmico em 2023, já que "não há apoio fiscal sólido e espera-se que o investimento fraco continue".

O FMI destacou o caso do Chile, que crescerá 6,2% e onde o programa de vacinação é um dos mais avançados do mundo.

"No Chile, a rapidez da vacinação e as importantes políticas de apoio constituem um reforço no curto prazo. O país deve atingir o patamar do PIB anterior à pandemia este ano", afirmaram os economistas.

Os especialistas da entidade preveem que o plano de alívio promovido pelos Estados Unidos terá efeitos positivos para alguns países centro-americanos por meio do comércio e das remessas e essas nações voltarão ao patamar do PIB anterior à pandemia em 2022.

"As economias caribenhas que dependem do turismo serão as últimas a se recuperar (em 2024) devido à lenta retomada da atividade neste setor", alertaram os economistas.

O FMI alertou que "os mercados de trabalho continuam frágeis: apenas dois terços dos que perderam seus empregos no início da pandemia no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru o recuperaram no final do ano passado".

E destacou ainda que o setor informal - que foi o que registrou as maiores perdas - tem liderado a recuperação do emprego.

Os especialistas observaram ainda que o fechamento de escolas, que foi mais longo do que em outras regiões, significará uma "deterioração duradoura do capital humano".

Segundo a análise dos técnicos do FMI, a renda dos alunos com entre 10 e 19 anos pode ser, em média, 4% menor ao longo da vida, se os dias perdidos em 2020 não forem compensados.

an/mr/mr