América Latina mira aumento de exportações de maior valor agregado à China

María Esther Chia.

Pequim, 30 nov (EFE).- A China apresentará uma mudança considerável em seu modelo de desenvolvimento nos próximos anos, uma oportunidade que a América Latina pode aproveitar para equilibrar sua troca comercial e aumentar suas exportações em direção a este país com produtos de maior valor agregado, além das matérias-primas.

Após registrar um resfriamento em seu crescimento, depois de anos de fortes altas em seu PIB, a China se vê obrigada a adotar novas posturas em seu modelo de desenvolvimento, até agora centrado nas exportações.

Estas mudanças afetarão o comércio, o investimento no exterior e, inclusive, o mercado interno, advertiu o pesquisador do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Academia de Ciências Sociais da China (CASS), Zhang Fan.

Segundo Fan, a "América Latina deve aproveitar esta oportunidade para equilibrar sua troca comercial e seus investimentos".

O diretor do Programa sobre o Mundo em Vias de Desenvolvimento do Centro para as Políticas Globais Carnegie-Tsinghua, Matt Ferchen, também se mostra de acordo com esta mudança na estratégia de crescimento econômico chinês, que, de um país exportador e de investimento estatal, passará a impulsionar mais o consumo interno.

"O risco mais óbvio para a América Latina é que, devido ao fato da economia chinesa se afastar de seu forte desenvolvimento industrial estatal, pode ser que a demanda de matéria-prima, como ferro e cobre, seja reduzida", explicou Ferchen.

No entanto, se a China passar a priorizar seu consumo interno também dará oportunidades às empresas latino-americanas exportar produtos de maior valor agregado e expandir seus investimentos no país asiático, considerou.

Em 2011, o comércio entre a China e a América Latina foi de US$ 241 bilhões. No mesmo ano, o país asiático efetuou investimentos não-financeiros de US$ 10,1 bilhões na região, o que a transformou no segundo maior destino dos investimentos estrangeiros diretos da República Popular.

A China já é o terceiro parceiro comercial da América Latina - e o primeiro parceiro comercial de Brasil, Chile e Peru - e a terceira fonte de investimentos da região, de acordo com as fontes oficiais chinesas.

"Em nível comercial e econômico, a relação entre Peru e China se aproximou dos US$ 13 bilhões em 2011. Este ano vai ser um pouco maior com um déficit para o Peru, mas que esperamos recuperar", declarou à Agência Efe o embaixador do Peru na China, Gonzalo Gutiérrez.

Seu país espera buscar uma diversificação da oferta agrícola com valor agregado na China, já que atualmente são poucos os produtos peruanos que ingressam no país asiático.

O embaixador do Chile na China, Luis Schmidt, também acredita que a relação entre seu país e China deverá aumentar consideravelmente.

"Esperamos que toda esta abertura e reforma tenha sequência com as novas autoridades", apontou Schimidt, que ressaltou que seu país também se interessa em diversificar sua oferta exportadora à China.

Atualmente, a mineração representa quase 85% das exportações chilenas, "mas nossas exportações com produtos de valor agregado estão aumentando", completou o embaixador chileno, antes de detalhar que seu país ocupa "a 14ª ou 15ª posição dos países com maiores exportações de alimentos". Segundo Schimidt, a carne de cordeiro, os vinhos e as frutas frescas ganham grande destaque neste aspecto.

O embaixador da Argentina na China, Gustavo Martino, disse à Agência Efe que seu governo é muito otimista sobre as perspectivas de crescimento que oferece a relação política e econômica com a China, reiterando o interesse de seu país em diversificar sua oferta.

"Alcançamos convênios em setores-chave para a China, como carnes, lácteos, genética bovina, desenvolvimento conjunto de vacinas (...) Meu governo quer diversificar sua oferta com produtos de maior valor agregado pelo lado dos alimentos e manufaturas de origem agropecuária, assim como os produtos industrializados em segmentos que nosso país é mais competitivo", explicou Martino.

Esta aposta também é compartilhada pelo Brasil, cuja Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) abriu na última semana um escritório em Pequim para aumentar seu comércio com a China e atrair novos investimentos.

Em 2016, a China teria uma demanda de 55% e 46% a mais do que atualmente importa de carne de frango e carne de porco, respectivamente, enquanto a soja, bandeira das exportações argentinas e brasileiras, poderá registrar um aumento de até 67%, segundo números da CNA.

"Em 2025, a China deverá triplicar seu consumo", ressaltou na ocasião a presidente da CNA, Katia Abreu. EFE

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