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América Latina emperra em era de juros globais mais altos

(Bloomberg) -- No combate à inflação gerada pela pandemia, a América Latina tomou a dianteira em uma nova era de aperto monetário. Dezoito meses depois, não há muitos sinais de que a região também será a primeira a deixar o ciclo de juros altos.

Na quinta-feira, bancos centrais do México e do Peru anunciaram o 10º e o 13º aumentos consecutivos das taxas de juros, respectivamente. E economistas não acreditam que já tenham terminado. No Brasil, um dos primeiros países a elevar os juros em março de 2021, há alguma perspectiva de pausa. Ainda assim, autoridades monetárias disseram nesta semana que esperam manter a taxa básica em “território significativamente contracionista por um período suficientemente prolongado”.

É claro que os bancos centrais da América Latina não são os únicos a ficarem acima de suas metas durante o pior choque de preços em décadas. Mas, em meio a sinais de que a onda inflacionária possa estar no pico, autoridades monetárias têm uma razão especial para estarem alertas.

Com o histórico de hiperinflação na região, mesmo contratos simples, como aluguéis, estão vinculados a aumentos de preços passados, o que ajuda a alimentar a inflação. Governos lançaram planos para mais gastos - com o objetivo de estimular a recuperação econômica, melhorar as chances eleitorais ou reduzir a desigualdade -, indo na direção oposta às políticas de bancos centrais para esfriar a demanda.

‘Esperar até 2024’

Além disso, as moedas da região – a maioria com forte desempenho este ano graças aos juros altos e preços das commodities – parecem oscilar novamente nas últimas semanas.

“Há uma chance de muitos terem que esperar até 2024 para cortar os juros”, diz Gabriel Casillas, economista-chefe para a América Latina do Barclays. Economistas consultados pela Bloomberg apontam que o afrouxamento monetário pode começar um pouco antes disso, mas não antes do segundo semestre do próximo ano.

A inflação ainda está acelerada em muitos países latino-americanos, sendo que no México e Chile os preços atingiram os maiores níveis em décadas. Na Argentina, que enfrentou duas décadas de fortes crises econômicas, a inflação ultrapassou 70% - levando o banco central a elevar as taxas de juros em quase 10 pontos percentuais na quinta-feira. No geral, a região mostra o crescimento de preços mais rápido do mundo, com exceção da Europa Oriental, afetada pela guerra, segundo dados compilados pela Bloomberg.

No Brasil, os preços mostraram queda acentuada no mês passado, embora tenha sido em grande parte devido aos cortes nos impostos de energia promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ainda assim, economistas dizem que o remédio monetário começa a surtir algum efeito.

André Loes, economista-chefe para a América Latina do Morgan Stanley, calcula que a inflação seria até três pontos percentuais mais alta se as autoridades monetárias não tivessem agido tão cedo. E, embora as expectativas de inflação estejam agora bem acima das metas dos bancos centrais, Loes diz que estas podem cair rapidamente se o recente declínio nos preços das commodities for sustentado.

Pressão da população

No Brasil, o aumento da receita tributária ajudou Bolsonaro a cortar impostos e aumentar gastos sociais antes das eleições. O México diz que lucros maiores com petróleo financiarão US$ 28 bilhões em subsídios este ano. O Chile anunciou uma nova rodada de ajuda social, e o novo governo da Colômbia prometeu elevar os gastos públicos.

“Assim que a economia se desacelerar, a população vai pressionar por esse apoio, e muito provavelmente os políticos irão responder”, diz Mario Castro, estrategista de juros do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, em Nova York. “Se você tem uma política fiscal mais expansiva, sua capacidade de cortar os juros diminui.”

Moedas da América Latina também estão em risco com o fim do boom das commodities na pandemia, bem como com os aumentos das taxas nos EUA, que devem continuar até 2023.

Durante a maior parte do ano, as moedas da região resistiram melhor do que a maioria em relação ao dólar forte. O real e o peso mexicano estão entre as poucas moedas que registraram ganhos, embora tenham perdido terreno em relação às máximas em meados do ano.

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©2022 Bloomberg L.P.