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Alunos da Escola Nacional de Circo lutam contra ameaça de fechamento da escola

Gilberto Porcidonio
·5 minuto de leitura

Fechada desde o início da pandemia, a Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha (Enclo), na Praça da Bandeira, que é referência no ensino da arte circense na América Latina e no mundo desde 1982, sofreu um outro golpe. Na última segunda-feira, o presidente da Funarte Lamartine Barbosa Holanda, entidade que gere o espaço, disse aos colaboradores e funcionários da escola que o prédio e as dependências da instituição serão, até 2023, exclusivas para o uso burocrático da fundação. Assim, os 60 alunos, sendo 10 estrangeiros, serão transferidos para um local ainda não informado. Também ainda não há um plano de volta às aulas assim como a garantia de que as aulas retornarão à normalidade em algum momento.

Além da mudança que não foi comunicada formalmente, os bolsistas que se dedicam em tempo integral ao curso técnico que é reconhecido pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) — tendo, por isso, contrato de dedicação exclusiva à escola — estão com o pagamento de fevereiro atrasado. Aluno desde agosto de 2019, A., de 23 anos, é um dos que está sem as aulas desde 13 de março do ano passado, e sem receber os R$ 2.500 da bolsa mensal. Ele e a sua parceira de acrobacias passaram a ensaiar em um galpão da Gamboa, na Zona Portuária, onde dão aulas em troca do uso do local para os exercícios.

— A bolsa vinha sendo depositada com alguns atrasos em alguns meses, o "normal" de sempre, até que, neste mês não caiu. A diretora disse que fez o requerimento e que espera a ordem dos superiores. Essa é a a única coisa que ela diz — disse o aluno. — Têm vários alunos que entraram em dívidas, que aluguel está atrasado, e alguns estrangeiros estão tendo que se virar nos sinais.

Em junho do ano passado, o diretor Carlos Eugênio Vianna, que estava há seis anos na Enclo, foi subitamente exonerado do cargo, o que contrariou entidades e pessoas ligadas à escola. Em seu lugar, entrou a produtora cultural Luciana Lago, alinhada ao governo Jair Bolsonaro. Em dezembro do mesmo ano, a lona da escola foi retirada do local sob a alegação de que uma obra seria realizada no espaço e, no último dia 11, o secretário especial de Cultura Mario Frias disse, em seu twitter, que a secretaria iniciou a revitalização da escola. "Faremos de tudo para que esse espaço sagrado de beleza e diversão seja mantido para as nossas famílias", diz a mensagem. Mas os alunos não estão entendendo essa dinâmica.

— Antes desta troca de coordenação, nós tivemos a Educação a Distância (EaD) que o Carlos tinha implementado, com duas semanas de aulas de dança e uma de preparo físico pela manhã. Depois, no dia 2 de junho, os professores foram suspensos e cancelaram as aulas. Foi quando a gente começou a ficar sem entender. Chegamos a ter uma reunião com a Luciana, com o detalhamento das aulas online, mas depois ela ficou um mês sem falar com a gente e até hoje não entrou em contato com nenhum professor terceirizado — explicou o mesmo aluno.

Acrobata de solo portô e malabarista, Lorenzo Ferreira, o Nino, de 21 anos, faz parte do Circo Crescer e Viver e visava estudar na escola. O jovem começou a acompanhar a situação do local pelos alunos preocupados coma precarização da escola. E o sonho de estudar lá ainda não acabou:

— Acho o momento muito preocupante porque o circo, por si só, está perdendo seu espaço na cidade. Eu vejo com olhar de preocupação porque é uma formação muito específica. Conheço artistas de circo que vieram ao Brasil para ir atrás da Escola Nacional.

Ex-estudante da escola, a acrobata Juliete Schultz, de 25 anos, se formou no ano passado e acompanha com muita tristeza o que está acontecendo na instituição. A jovem também percebe como o EaD poderia fazer a diferença no momento.

— Os alunos poderiam fazer disciplinas que são mais teóricas, como Anatomia e História do Circo. Elas são só 20% da carga horária mas são parte do curso.

A campanha Enclo Fica, que reúne artistas, alunos e ex-alunos da escola, está circulando um abaixo-assinado para, dentre outras questões, manter a escola na Praça da Bandeira, a integridade das instalações na sua função original e garantir o caráter público da escola. Até o momento, já foram mais de 2.500 assinaturas. Os alunos também conseguiram marcar uma reunião com a Funarte para esta quarta-feira, com quatro representantes do grêmio, o presidente e a direção executiva da fundação.

Em nota, a Funarte negou que a Escola Nacional de Circo será a sede administrativa da instituição, e que maior parte da administração da entidade, hoje no Edifício Teleporto, no Centro, vai ocupar salas do prédio do Teatro Glauce Rocha, na Av. Rio Branco. A fundação também disse que está em tratativas com circos da cidade para a realização de algumas das aulas práticas neste primeiro semestre, mas que isso ocorrerá apenas até que a nova lona da escola seja instalada e quando as atividades retornarem integralmente à sede.

Sobre as aulas virtuais enquanto as atividades presenciais não retornam, a Funarte disse que, dadas as especificidades do ensino das artes circenses, a ministração de aulas à distância se tornou muito difícil, mas que a Direção do Centro de Artes Cênicas está trabalhando em uma alternativa para o retorno das aulas presenciais ainda neste primeiro semestre – respeitando todos os protocolos de segurança relacionados à pandemia.

Acerca do atraso do pagamento da bolsa de fevereiro, a Funarte respondeu que está empenhada para que o pagamento seja regularizado o mais rapidamente possível.