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Alta rápida dos juros vai permitir um ciclo mais curto de ajuste, diz presidente do BC

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, uma alta mais rápida na taxa básica de juros (Selic) deve surtir um efeito maior sobre a inflação, permitindo um ciclo mais curto de aumento.

Na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de março, a autoridade surpreendeu o mercado e subiu a Selic em 0,75 ponto percentual. Em maio, fez um ajuste semelhante.

"Decidimos fazer um ajuste um pouco maior do que o mercado estava esperando, entendendo que se a gente faz mais, mais rápido, a gente precisa fazer um ciclo total menor, então aumenta a eficiência", afirmou Campos Neto na 22ª edição da CEO Conference Brasil, do banco BTG Pactual, na manhã desta terça-feira (25).

Ele afirma que o BC percebeu o potencial impacto na alta das commodities nos preços e que resolveram "sair na frente".

"Com os instrumentos que a gente tem hoje na modelagem que nós temos, o correto era começar [o ciclo de alta de juros] mais rápido e usá-lo parcialmente. Se em algum momento entendermos que precisa ser diferente, a linguagem parcial não mais será usada", disse Campos Neto.

No comunicado do Copom, foi utilizado o termo "processo de normalização parcial do estímulo monetário". Segundo Campos Neto, caso o cenário mude, a autoridade pode ir em em direção ao juro neutro --taxa que estimula o crescimento sem resultar em aumento da inflação, que hoje seria em torno de 6,5%. E, de de acordo com o economista, os preços das commodities já estão cedendo.

Até abril deste ano, o IPCA (índice oficial de inflação do país) no período de 12 meses foi de 6,76%, acima do teto da meta de inflação de 2021. O centro da meta deste ano é de 3,75%, com limite de 5,25%. A taxa de 6,76% é a maior desde novembro de 2016.

"É importante esclarecer que a nossa meta de inflação vai ser cumprida, essa é a missão do BC. Por isso fizemos mais que o mercado entendia anteriormente e vamos seguir nesse caminho."

Campos Neto também comentou o IPCA-15 (prévia da inlfação) divulgado nesta terça. O índice subiu 0,44% em maio, após ter aumentado 0,60% em abril, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Essa é a leitura mais elevada para o mês desde 2016, quando o índice atingiu 0,86%.Enquanto isso, a taxa acumulada em 12 meses até maio disparou a 7,27%, acima dos 6,17% observados no mês anterior.

"A inflação vem um pouco mais baixa, grande parte [por causa da queda dos preços] das passagens aéreas, e o mercado esperava números mais altos, com reajuste de 10% dos medicamentos."

Segundo ele, além das commodities, a disrupção nas cadeias por conta da pandemia também já mostra uma correção, o que pode aliviar a inflação.

"Não acho que vai haver uma inflação gigante no mundo."

Campos Neto também falou sobre a vacinação contra a Covid-19. "É um elemento fundamental na reabertura [da economia]. O Brasil tem acelerado, o Brasil tem uma infraestrutura boa para vacinar, mas não posso falar muito mais, porque esse é um assunto do Ministério da da Saúde".

Outro ponto foi a regulação de criptomoedas. A autoridade vê como equivocada a tentativa de demais bancos centrais de regular determinados ativos, como o bitcoin, e não o mercado como um todo. "Regular o ativo é irrelevante, é mais importante o network [rede, em português], que vai prevalecer".