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Alta do PIB foi, de novo, ancorada no consumo das famílias, aponta IBGE

Bruno Villas Bôas e Alessandra Saraiva

Alta de 1,8% no ano mais do que compensou contribuições negativas do consumo do governo (0,1 ponto percentual) e do setor externo (0,5 ponto percentual) A economia brasileira foi, mais uma vez, impulsionada pelo desempenho do consumo das famílias, que foi a maior contribuição para o crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, disse nesta quarta-feira Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o consumo das famílias cresceu 1,8% no ano passado, contribuindo com 1,7 ponto percentual do PIB no ano passado. Trata-se do terceiro ano consecutivo de crescimento dos gastos das famílias, o que responde por 65% do PIB.

O desempenho do consumo das famílias mais do que compensou as contribuições negativas do consumo do governo (0,1 ponto percentual) e do setor externo (0,5 ponto percentual). “O crescimento do PIB foi, assim, ancorado no consumo das famílias”, disse Palis, durante entrevista coletiva na sede do IBGE, no Rio.

Dado Galdieri/Bloomberg

Apesar da similaridade das taxas de crescimento do PIB em 2018 (1,3%) e 2019 (1,1%), a técnica informou que, numa abertura mais detalhada dos resultados pelo lado da oferta, houve uma mudança nos perfis do crescimento das atividades que contribuíram positivamente para o avanço da economia no ano passado.

Dentro da indústria, por exemplo, a construção cresceu 1,6%, a primeira alta do setor desde 2013. Por outro lado, a indústria extrativa recuou 1,1%, o primeiro resultado negativo desde 2016, afetada pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). A indústria de transformação cresceu apenas 0,1%.

“Na indústria de transformação o resultado se deve, em grande medida, ao impacto da Argentina, que afetou as exportações sobretudo do setor automotivo. Não foi só a Argentina a responsável por isso, mas ela teve papel importante”, acrescentou a técnica do IBGE. “Então foi uma conjuntura diferente do ano anterior, quando exportações e transformação cresciam.”

Também houve mudanças dentro das atividades que compõem o PIB de serviços, que cresceu 1,3% no ano passado, ligeiramente abaixo do ano anterior (1,5%). Desta vez, as atividade de transportes (alta de 0,2%) e administração, saúde e educação públicas (estável) pouco contribuíram para o resultado, enquanto o segmento de informação e comunicação (avanço de 4,1%) destacou-se.

“O consumo do governo, que pesa cerca de 20% do PIB, ainda crescia em 2018, e agora recuou 0,4%. Então, puxou para baixo”, disse Palis.

Ela destacou que, mesmo com a recuperação, o PIB brasileiro permanece 3,1% abaixo do pico histórico da série, registrado no primeiro trimestre de 2014. Desde do “vale” da crise, no quarto trimestre de 2016, a economia recuperou-se 5,4% até 2019.