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Alta dos preços dos alimentos testa bancos centrais da AL

Max de Haldevang e Mario Sergio Lima
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A inflação avançou mais do que o previsto no México e no Brasil diante da forte alta dos preços dos alimentos, o que desafia os planos de bancos centrais de estimular economias afetadas pelo coronavírus com juros baixos.

No México, os preços ao consumidor continuaram a subir acima da meta do banco central em outubro, puxados pelas frutas e legumes, de acordo com dados publicados na segunda-feira. No Brasil, os preços dos alimentos levaram o IPCA à maior alta para o mês desde 2002. Essas tendências podem complicar um último corte dos juros no México nesta semana, ao mesmo tempo em que geram maior cautela no BC, que busca evitar o aumento da Selic a qualquer custo.

As maiores economias da América Latina colocaram a política monetária no foco dos planos para retomar o crescimento após as recessões históricas. Ambos os países ainda enfrentam obstáculos, como fragilidade do mercado de trabalho e recuperação desigual. No Brasil, o BC afirma que o aumento dos preços dos alimentos é temporário, enquanto no México autoridades monetárias disseram que o espaço para mais cortes de juros é limitado.

“Vimos a inflação se acelerar na região principalmente devido ao aumento dos preços dos alimentos”, disse Marco Oviedo, economista-chefe para a América Latina da Barclays Capital. “Embora isso possa levantar algumas preocupações, não esperamos que os bancos centrais reajam imediatamente, pois as economias ainda estão em processo de recuperação.”

No México, os preços dos alimentos e legumes dispararam 16,2% nos últimos 12 meses, em comparação com a inflação geral de 4,1%, de acordo com a agência nacional de estatísticas. No Brasil, os preços de produtos como arroz e tomate registraram altas de preços de dois dígitos em outubro.

Margem limitada

Alguns países da América Latina foram poupados da dor de cabeça causada pela inflação. Os preços ao consumidor na Colômbia caíram para o menor nível em mais de seis décadas em outubro em meio à demanda mais fraca do consumidor.

“Apesar das recentes surpresas de avanços nos dados do IPC, ainda achamos improvável que a América Latina tenha um período sustentado de inflação alta”, disse Marcos Casarin, economista-chefe da Oxford Economics para a América Latina, em relatório de 6 de novembro. “Assim que o atual choque dos preços dos alimentos perder força, ainda haverá um ambiente difícil para elevar os preços, já que o desemprego recorde manterá os salários reais deprimidos.”

Ainda assim, há sinais de que investidores estão preocupados com as pressões inflacionárias. Embora a economia do México deva encolher quase 10% neste ano, cinco dos 20 analistas em pesquisa da Bloomberg acreditam que o banco central vai interromper o ciclo de afrouxamento monetário nesta semana, deixando os juros na mínima de quatro anos.

“Os choques negativos de oferta se sobrepõem à fraca demanda no México e isso limita o espaço para cortes”, disse Carlos Capistran, economista do Bank of America, em Nova York. “Esperamos que o Banxico permaneça em modo de espera nesta semana.”

Na Focus, economistas têm elevado as projeções de inflação para este ano e o próximo há três semanas consecutivas, de acordo com pesquisa semanal divulgada na segunda-feira. Os juros futuros mostram que operadores esperam aumento da Selic já no início de 2021, também devido aos crescentes riscos fiscais da explosão de gastos do governo durante a pandemia.

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