Mercado fechado

Alta do dólar não influencia expectativa de inflação, diz Campos

Estevão Taiar

Presidente do BC ainda negou que tenha recebido ligação de Bolsonaro após o dólar bater R$ 4,20 O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, reafirmou nesta terça-feira que não há mudanças na política cambial da autoridade monetária. Ele também negou que tenha recebido ligação do presidente Jair Bolsonaro questionando sobre o dólar, que fechou ontem em R$ 4,20, o maior valor nominal da história. “Meu telefone não tocou”, disse, ao ser questionado sobre o assunto por um senador.

Em sabatina na CAE, ele reforçou o que já havia dito em outras ocasiões, de que a desvalorização recente da moeda brasileira é diferente das anteriores. Isso porque, segundo Campos Neto, ela veio acompanhada por uma melhora da percepção de risco e não afetou as expectativas de inflação. “Se por uma razão, uma desvalorização contínua começar a afetar o canal de expectativa de inflação, daí é outra história. Nós vamos ter que fazer uma atuação diferente”, disse.

Ele afirmou que “sempre é notícia quando [o câmbio] tem algum movimento”, minimizando um pouco as turbulências recentes.

Ainda segundo ele, a desvalorização do real tem sido causada por uma queda da taxa longa de juros o que, consequentemente, também vem levando as empresas a pagarem dívidas antecipadamente no exterior para depois pegarem empréstimos no Brasil.

Campos também destacou, mais recentemente, o impacto da frustração do leilão de cessão onerosa sobre o banco. “Alguns agentes esperavam entrada de recursos maior, então houve um ajuste de posições”, comentou.

José Cruz / Agência Brasil

Tarifas bancárias

Campos Neto ainda afirmou que o BC começará a estudar em breve como diminuir a complexidade do sistema de tarifas bancárias. “Vamos olhar em um futuro próximo para a complexidade de tarifas”, disse.

De acordo com ele, essa complexidade é um problema mais grave no Brasil do que o valor das tarifas em si. “As tarifas são muitas e complexas”, afirmou.

Educação financeira

Outro projeto que Campos Neto informou que o BC fará é o de educação financeira. Segundo ele, será lançado na semana que vem.

Ele já havia falado sobre o assunto anteriormente. A ideia é que os que os bancos realizem um mutirão para a renegociação de dívidas. Em troca, o cliente precisará realizar um curso de educação financeira.

Segundo Campos Neto, o BC chegou a considerar a possibilidade de abertura dos bancos aos sábados para os mutirões, mas desistiu da ideia.