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Alta do combustível faz motorista de aplicativo enfrentar problemas

LUCA CASTILHO
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A alta dos combustíveis tem interferido diretamente no bolso dos motoristas de aplicativo. Com a gasolina custando, em média, R$ 5,329 na capital paulista, e o etanol a R$ 3,986 o litro, os profissionais afirmam que "estão pagando para trabalhar". Aliada a essa realidade de aumentos consecutivos, há ainda situações que envolvem os próprios aplicativos de transporte, como as novas tarifas promocionais da 99 e da Uber, por exemplo. Lançadas durante a pandemia do coronavírus, as categorias 99Poupa e Uber Promo surgiram para gerar mais viagens em horários de baixo movimento. Contudo, o preço da viagem é reduzido e, consequentemente, o motorista ganha menos. "O motorista está praticamente pagando para trabalhar. As categorias lançadas atraem os passageiros, que buscam economizar, mas, em contrapartida, o motorista não tem nenhum lucro", diz Eduardo Lima, o Duda, presidente da Amasp (Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo. "O valor dessa corrida acaba sendo o preço de um litro de etanol ou de gasolina, e isso sem contar que o motorista gastou óleo, pneu e, o principal, sua mão de obra, e não vai receber por isso", complementa. O principal problema é que os passageiros têm procurado mais a categoria promocional pelo baixo valor, diz a motorista Jhanny Silva. "Obviamente o passageiro vai escolher a mais barata em vez da corrida-padrão e, ao criarem essa categoria, não diminuíram ou isentaram o parceiro da taxa do aplicativo, ou seja, estamos mesmo pagando para trabalhar", afirma. A motorista Danielle Letícia Neves Castanheira conta que vive a mesma realidade. "Eu estou tentando matar um leão por dia, como diz o ditado. Tem sido bem cansativo ficar horas no volante esperando uma corrida, onde o passageiro opta pelo mais barato. Não compensa. É queimar combustível." "Se você tem uma tarifa muito baixa e um valor de combustível muito alto, o motorista não consegue se sustentar, tanto para manter o veículo quanto nas outras contas de casa. Por essa sobrecarga, estou vendo um nível muito grande de desistência de motoristas de aplicativos. Muitos deles estão entregando o veículo para as locadoras ou vendendo veículos que estavam financiados", diz Duda. Um desses casos é Flávio Silva Júnior, que optou por um aluguel privado. "Precisei deixar de alugar um carro na locadora para alugar um carro particular devido aos altos custos", comenta. Aplicativos dizem que é possível escolher Procurados pela reportagem, os dois aplicativos explicaram, em nota enviada à reportagem, que a categoria promocional pode ser desabilitada pelo motorista a qualquer momento e que eles não são obrigados a aceitarem esse tipo de corrida. A Uber afirmou que a forma de cobrar a taxa foi modificada em 2018. "No passado, a taxa da Uber era fixa em 25%. Em 2018, ela se tornou variável e passou a fazer parte da estratégia da Uber em oferecer descontos para os usuários de modo a incentivar que eles façam viagens. Há confusão entre os motoristas parceiros sobre o valor da taxa porque em algumas viagens ele pode aumentar enquanto, em outras, pode diminuir", destaca a nota. Já a 99 disse estar aberta ao diálogo e ressaltou a rede de benefícios que oferece aos motoristas. "A 99 esclarece que está aberta ao diálogo e prioriza a melhoria contínua dos ganhos dos motoristas parceiros. Nesse sentido, a empresa viabiliza parcerias e condições especiais nos preços dos combustíveis, manutenção de carros e aluguel com agências para reduzir os gastos dos parceiros." Um dos benefícios criados pelas duas empresas na pandemia foi o reembolso para a compra de máscaras e itens de higiene, e a criação de centros de higienização dos carros. A Uber disponibiliza a Uber Pro e a 99 o Somos 99 para os motoristas visualizarem os serviços disponíveis.