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Batatais: O que levou cidade do interior paulista a decretar lockdown de 16 dias?

·4 minuto de leitura
Foto: AP Photo/Marcelo Chello
Foto: AP Photo/Marcelo Chello

O crescimento vertiginoso de casos e mortes causadas em decorrência de complicações da Covid-19 fez Batatais (SP), cidade na região metropolitana de Ribeirão Preto, decretar lockdown de 16 dias, que começou à meia-noite deste sábado (15). A medida pode ser seguida por ao menos mais uma cidade vizinha. 

A decisão foi anunciada pelo prefeito Juninho Gaspar (PP) na noite de quinta (13) devido ao cenário vivido pela cidade e resultará no fechamento de igrejas, indústrias, escritórios, salões de beleza, academias, clubes, feiras livres, comércio em geral, lojas de materiais de construção, oficinas mecânicas, borracharias e lotéricas. Aulas nas redes pública e privada foram suspensas. 

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Supermercados, padarias, açougues, comércio de hortifrutis, restaurantes, lanchonetes, pet shops e depósitos de gás poderão atender só por delivery. O lockdown seguirá até a meia-noite do dia 31 de maio. 

Com 62.980 habitantes, Batatais registrou até agora 104 mortes e 4.673 casos de infectados pelo novo coronavírus. A ocupação geral da ala exclusiva para pacientes com a Covid-19 na Santa Casa está em 100%, tanto na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) quanto na enfermaria, um cenário que tem se repetido desde o início de março. 

A prefeitura atribui o crescimento de casos à circulação da variante brasileira da Covid-19, a mesma que em São Paulo foi registrada inicialmente em Araraquara, cidade que se tornou símbolo do avanço da variante e que também decretou lockdown, em fevereiro, como forma de frear a disseminação da doença. 

Dos 104 óbitos em Batatais desde o início da pandemia, 66 foram registrados em 2021 —16 em maio—, ante os 38 de todo o ano passado. A cidade chegou a 50 mortes em 5 de março, um ano de pandemia, e demorou apenas pouco mais de dois meses para mais do que dobrar os óbitos. 

Além de nove pacientes na UTI exclusiva para Covid-19, outros quatro que foram internados com a doença em leitos intensivos deixaram a fase de transmissão do vírus e estão na UTI geral. 

Há oito moradores internados em outros municípios e uma fila de espera de dez pacientes por leitos de UTI, nove deles na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) local. 

Embora o lockdown tenha iniciado, os supermercados ainda ficarão abertos até segunda-feira (17), com o objetivo de não haver uma corrida às compras nesta sexta, segundo o prefeito. Mas, mesmo assim, houve lojas com intensa procura de clientes. 

Postos de combustíveis, farmácias e caixas eletrônicos de bancos funcionarão. Já o comércio de bebidas alcoólicas está proibido durante a vigência das restrições. 

Associação local diz ter sido surpreendida com a decisão

Foto: AP Photo/Andre Penner
Foto: AP Photo/Andre Penner

A ACE (Associação Comercial e Empresarial) de Batatais divulgou comunicado em que disse ter sido surpreendida com a decisão da prefeitura. 

"A ACE Batatais lamenta profundamente o posicionamento do prefeito e autoridades sanitárias sem que houvesse um diálogo com a sociedade, especialmente para que fosse possível a preparação adequada para a paralisação de atividades [...] Solicitamos publicamente que a administração municipal restabeleça o diálogo para discutirmos alternativas às medidas anunciadas", diz comunicado da entidade. 

A medida pode ser seguida por Brodowski, cidade vizinha, que também vive dificuldades que o prefeito José Carlos Perez (PSDB) classifica como "caos". 

De quatro leitos existentes até a pandemia, atualmente o número chega a 20, mas todos estão ocupados. 

A cidade só tem leitos de enfermaria e, para casos de UTI, depende da transferência de pacientes para Ribeirão Preto ou Batatais —que não tem vagas. 

"Está o caos aqui. Há fila, tem pessoal intubado esperando vaga, e não aparece vaga. Se seguir nesse ritmo, vou seguir Batatais e decretar lockdown", disse o prefeito. 

Há cinco respiradores na unidade hospitalar, dos quais três estão em uso. "Se chegar mais gente, é perigoso morrer por falta de socorro", afirmou. 

Com seus 25 mil habitantes, a cidade, segundo o governo do estado, registrou até aqui 48 mortes em decorrência do novo coronavírus, em um universo de 1.881 casos confirmados da doença. 

A gestão de Perez —que teve Covid-19 ainda no ano passado e ficou internado 11 dias num hospital de Ribeirão Preto—, é alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual e de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara que apuram suspeitas de um esquema de fura-fila para vacinação que incluem jovens cadastrados como idosos, familiares de políticos e de profissionais da saúde, idosos que teriam 121 anos e até cinco pessoas apontadas como mortas. 

Recorrer a Ribeirão Preto não é uma alternativa garantida para nenhuma das duas cidades, já que na noite desta sexta-feira (14) a ocupação de leitos de UTI chegou a 92,2% na cidade, com 308 vagas e 284 pacientes internados, dos quais 206 usando respiradores. 

Na rede pública, o cenário é pior, com 96,7% das 155 vagas ocupadas —há apenas 5 vagas, das quais 4 numa UPA. Em hospitais como o HC (Hospital das Clínicas), principal referência na região, todos os 78 leitos de UTI nas unidades campus e de emergência estão ocupados.

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