Mercado fechado

Alphabet está desenvolvendo robôs que possuem autodidatas

Rafael Rodrigues da Silva

A Alphabet, empresa-mãe do Google, está mais uma vez disposta a entrar no ramo da robótica, mas desta vez com um objetivo que todos os filmes de ficção científica do mundo colocariam como o início do fim da humanidade: criar robôs que possuem vontade própria.

O projeto Everyday Robot está sendo desenvolvido pelos laboratórios X, como é conhecido pelos funcionários o laboratório de Pesquisa & Desenvolvimento da Alphabet. A iniciativa foi divulgada nesta quinta-feira (21), e descreve um esforço coletivo para a criação de uma nova linha de robôs dotados de inteligência artificial (IA). Eles conseguiriam aprender sozinhos (ou seja, sem a ajuda de um programador) a realizar suas tarefas.

De acordo com um texto publicado no blog do laboratório, por Hans Peter Brodmo, que é o grande especialista em robótica da Alphabet, é possível já desenvolver robôs que aprendam sozinhos a realizar novas tarefas apenas pela observação e tentativa - assim como qualquer trabalhador humano - sem a necessidade de um programador para inserir novas linhas de código para que essa tarefa seja executada.

De acordo com a empresa, ainda vai demorar alguns anos para que esses robôs estejam disponíveis para o público, mas o objetivo é desenvolver máquinas autônomas que possam ser usadas para efetuar serviços domésticos ou de escritório, fazendo com que os robôs se tornem tão úteis para as pessoas no mundo físico quanto os computadores são no mundo virtual.

Atualmente, os robôs da Alphabet estão sendo testados para executar tarefas simples, como analisar pilhas de lixo e separar os materiais que são recicláveis. De acordo com o Google, os robôs aprenderam a efetuar essas tarefas com um misto de simulação de ambiente, reforço positivo quando acertavam e aprendizagem colaborativa, e a empresa acredita que o sucesso deste teste prova que é possível criar robôs capazes de aprender novas tarefas no mundo real através da prática.

O próximo passo do projeto agora é fazer com que esses robôs utilizem as habilidades que adquiriram nesta tarefa para aprender uma nova tarefa um pouco mais complexa sem a necessidade de que programadores acessem seus softwares e reescrevam seus códigos. Os pesquisadores afirmam que há uma chance de que isso se prove impossível, mas que eles pretendem tentar mesmo assim.

Esta não é a primeira vez que a Alphabet está apostando no desenvolvimento de robôs. Em 2013, o Google adquiriu diversas empresas de robótica - incluindo a Boston Dynamics - mas o projeto da companhia acabou nunca saindo do papel e a maioria dessas empresas voltaram a atuar de forma independente. Seis anos depois, o Google parece retomar do mesmo ponto em que havia abandonado o projeto, e o motivo pode ser não perder o mercado para a Amazon, que estaria desenvolvendo um robô sob o codinome de “Vesta” e que seria uma espécie de “corpo físico” para a assistente virtual Alexa.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: