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Após largarem alisamento, mulheres sofrem pressão para terem cachos perfeitos

Natália Eiras
·4 minuto de leitura
Elo Rocha e Gabriela Barbosa. Foto: Arquivo Pessoal
Elo Rocha e Gabriela Barbosa. Foto: Arquivo Pessoal

A maquiadora Gabriela Barbosa, 33, de São Paulo (SP), conta que nunca saiu de casa sem finalizar o cabelo crespo. “Nem para ficar em casa, sem fazer nada, eu deixava de fazer a finalização”, conta. O processo, que incluía passar creme em todos os fios, secá-los e garfá-los, durava por volta de uma hora e meia. Caso quisesse deixá-lo secar naturalmente, era pelo menos 12h. “Tudo isso para ter aquele cabelo que era um espetáculo, armado, que era o que eu curtia”, fala. Porém, por mais que ame o resultado de todo esse processo, o cansaço falou mais alto e Gabriela raspou o cabelo. “Perdia muito tempo e também muito dinheiro, porque era muito produto.”

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A maquiadora decidiu abrir mão de um processo muito familiar para mulheres cacheadas e crespas: a finalização. Após lavar os fios, elas usam técnicas como a fitagem e plopping para que os fios fiquem com definição e volume. Estes métodos ganharam popularidade nas redes sociais por conta de vídeos de criadoras de conteúdo como Rayza Nicácio e são grandes aliados para quem está fazendo a transição capilar, uma vez que os fios ficam sem formato ou com duas texturas diferentes. Porém, caso consumidos sem parcimônia, podem se tornar uma armadilha para a autoestima.

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A criadora de conteúdo Elo Rocha, 28, do Rio de Janeiro (RJ), estava deixando a química de lado quando começou a ver formas de finalizar os fios naturais. Porém, com o tempo, percebeu que estava se cobrando demais. “Percebi que queria que meu cabelo cacheasse como a das mulheres que via falando sobre o assunto e ficava chateada. Demorei até entender que a minha curvatura era muito diferente da delas”, fala. Elo tem o cabelo ondulado: ele forma ondas, mas não chega a cachear. “Quando entendi, as coisas ficaram mais fáceis para mim.”

Hoje em dia, a criadora de conteúdo fala sobre as “imperfeições” do seu tipo de cabelo com a hashtag #onduladodeverdade. “É que as pessoas têm, como referência, aquele ondulado feito com babyliss e o natural não é daquele jeito”. Com o tempo, Elo aprendeu a lidar com os frizz e o volume comuns em seu tipo de fio. “Tem dias que nem passo nada nele, fico com ele sem finalização.” Ela busca, em suas publicações, mostram um cabelo que nem sempre está no lugar, nem sempre está bem produzido. Um cabelo real. Porém, algumas pessoas podem achar que ela é “desleixada” por não passar não finalizá-lo.“Existe uma cobrança para que eu sempre passe algo nele porque as pessoas acham que o ondulado deve ficar o mais próximo possível do cacheado, mas este não é o caso. Quem tem fios anelados sabe, eles têm vida própria. Cada dia estão de um jeito”.

Segundo Gabriela, há uma pressão para que o cabelo ondulado, cacheado ou crespo esteja sempre impecável. “Ele precisa estar com o cacho certo, no volume certo”, fala a maquiadora. “Algumas crespas querem aquele cacho estruturado perfeito. Sai do cabelo alisado, mas entra no padrão do cacho perfeito, que não tem frizz, que esteja do jeito que será mais socialmente aceito”. O cabelo de Gabriela chega a formar cachos, por isso, quando ela decidiu raspá-lo, causou espanto. “Outras crespas ficaram passadas, disseram que se tivessem o fio como o meu nunca fariam o mesmo.”

É que, nas redes sociais, é muito comum que influenciadoras de cabelos cacheados tenham os fios sempre bem definidos. “E acho que elas são uma inspiração, principalmente para quem está em transição, porque é bonito ver aquilo e pensar que também quer ter madeixas como as delas”, fala Elo. “Mas tudo tem um limite e, às vezes, é melhor filtrar um pouco esse conteúdo, porque não adianta acompanhar só quem prega aquele tipo de cabelo maravilhoso. Não é sempre assim. Nem cabelo é daquele jeito o tempo todo, elas não mostram quando estão com os fios embaraçados ou com frizz. É importante filtrar, porque se não é mais uma pressão.”

Há algum tempo, algumas criadoras de conteúdo crespas ficaram uma semana sem finalizar o cabelo. Outras mulheres também começaram a falar sobre ter uma relação mais saudável com o frizz. Não precisamos, novamente, nos cobrar para manter o cabelo sem domado, mesmo que cacheado.

E é crucial, também, se deixar experimentar. Deixe de usar aquele leave-in um dia que estiver em casa. Lave o cabelo e saia com ele sem qualquer finalização. É um exercício para descobrir um pouco mais sobre seus fios. Gabriela Barbosa talvez entre nessa: “Estou pensando em passar por essa experiência. Vou deixar o meu cabelo crescer um pouco só para ver como ele fica sem creme”.

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