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Aline Wirley e Igor Rickli mostram os cantinhos preferidos de sua casa, cercada pelo verde, no Alto da Boa Vista

Marcelle Carvalho
·2 minuto de leitura

Comerando este ano uma década juntos, Aline Wirley e Igor Rickli mostram que a sintonia do casal também está impressa nas paredes da casa da família, cravada no meio do mato, no Alto da Boa Vista. Os dois contam que sempre quiseram ter o amor abençoado pela natureza. Ao encontrarem o imóvel dos sonhos, há oito anos, fizeram do lar um templo.

— Temos uma relação com essa casa de muito amor. Quando a encontramos, estava abandonada há mais de 15 anos. Então, a gente mesmo que a restruturou, pintou, Igor fez as cortinas... Tudo que a gente é como casal está aqui, o Antônio (filho do casal) veio direto pra cá quando nasceu. É mais do que uma casa, é parte da nossa história — diz Aline.

E Igor corrobora:

— Nossa relação é de simbiose com a casa, é um outro casamento, uma relação muito particular com o espaço. A gente teve a sorte de encontrar um lugar incrível, mas o mais legal mesmo é porque tratamos nosso lar com amor, respeito. É onde nos cuidamos. É um lugar sagrado para nós, é um quarto integrante da família.

O casal, inclusive, destaca alguns cantinhos preferidos do lar doce lar.

— Ele gosta de sentar ao piano, se conectar com a natureza e tocar. Temos uma sala onde está um sofá verde, que foi reformado, após Igor encontrá-lo na rua. Tudo aqui em casa é meio que reaproveitado. Muita coisa vem de antiquário. Por a casa ter ficado abandonada, os móveis serem antigos, a revitalização foi parte forte durante esses anos todos — conta Aline.

Porém, há quatro meses, o solo sagrado da casa foi maculado com a invasão do coronavírus e de assaltantes.

— Tive Covid voltando de viagem, bem no início da pandemia. Fui gravar “Gênesis”, no Marrocos, e na volta manifestei sintomas. Fiquei de cama. Foi assustador, porque não sabia como agir. Fiquei isolado aqui — conta Igor, que na sequência viu o templo da família ser assaltado: — A gente nunca tinha pensado nisso, procurava não alimentar medo. Mas quando aconteceu.... Quando você está dentro de casa e vê pessoas entrando com armas apontadas para você... Não desejo para ninguém. Era de manhã, já tinha acordado e vi Aline descendo. Foi traumático e quebrou um encantamento que tínhamos. A gente tinha uma euforia quase jovial. Apesar de ainda sermos otimistas, o episódio nos sacolejou.

Aline agradece pelo filho não estar em casa no momento.

— Ele tinha ido para casa de uma amiga com a avó, ja que as duas também estavam quarentenadas. Antônio já estava manifestando irritação, tristeza pelo isolamento e deixamos ele ir para dar uma oxigenada. No dia seguinte, sofremos o assalto. Foi livramento, porque, se ele tivesse aqui, talvez a gente não quisesse mais a casa. Como viver em paz depois disso? Está todo mundo assustado até hoje, qualquer coisa a gente tem taquicardia. A gente procura rezar, colocamos câmeras de segurança...