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Alimentos orgânicos ganham força com startups

Raízs conecta produtores independentes a consumidores (Foto: Divulgação)
Raízs conecta produtores independentes a consumidores (Foto: Divulgação)

Por Matheus Mans

Caixas mensais com alimentos de produtores independentes? Frutas com defeitos e descartadas pelo mercado? Ou hortas urbanas, próximas dos seus consumidores? Startups estão aquecendo o mercado de alimentos orgânicos no Brasil enquanto tentam encontrar a melhor maneira de se conectar com o seu público.

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E não é um público pequeno: alimentos orgânicos renderam R$ 4 bilhões para produtores brasileiros em 2018, de acordo com o levantamento mais recente do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), que reúne cerca de 60 empresas do setor. Dessa forma, o Brasil assume a liderança do setor orgânico em toda a América Latina.

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“Com o crescente uso de agrotóxicos em plantações, fica mais eminente o desejo do consumidor em buscar alimentos naturais e orgânicos. É um mercado em franco crescimento”, afirma o consultor no setor de alimentos e supermercados, Edir Loureiro. “E o Brasil deve assumir o protagonismo, já que somos a contramão do mundo em agrotóxicos”.

Orgânicos em casa

Uma das empresas que está aproveitando essa onda é a Raízs. A startup oferece uma conexão direta entre agricultores e consumidores, oferecendo produtos orgânicos como legumes, frutas, verduras, ovos e até café. Para isso, ela entrega caixas com o alimento, podendo ser regular e semanal, ou avulsa. O custo com 15 itens é de R$ 95, em média.

“A cadeia alimentar no Brasil é repleta de problemas, de desperdício. São cinco intermediários entre produtor e consumidor. Fiquei incomodado com isso e quis mudar”, afirma Tomás Abrahão, fundador da startup. “Temos uma lógica totalmente diferente com o consumo de alimentos. Quando você compra um produto, ele ainda está debaixo da terra”.

Com esse formato, a Raízs já conta com 21 mil pessoas na base de consumidores, sendo 14 mil deles frequentes. Do outro lado, a startup possui cerca de 820 produtores parceiros, vendendo 90 toneladas de alimento por mês e 1 mil tonelada de comida ao ano. Dessa forma, a startup concentra 20% de toda venda online de alimentos orgânicos no País.

Foto: Divulgação
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“Estamos planejando triplicar de tamanho este ano. Queremos expandir para Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná”, afirma o fundador da startup, que hoje funciona na Grande São Paulo. “Hoje, os alimentos orgânicos representam apenas 0,6% da nossa comida. Queremos fazer com que mais pessoas olhem para esse tipo de alimentação”.

Uma outra empresa que aposta no modelo de entrega de cestas, mas com produtos diferentes, é a Fruta Imperfeita. A startup envia, na frequência que o consumidor preferir, uma caixa com frutas e legumes que seriam desperdiçados por conta de pequenas imperfeições. São machucados na casca, cenouras com má formação e coisas do tipo.

“Descobri que um grande problema de pequenos produtores era o desperdício com alimentos que fugiam do padrão estético. Grandes fazendas vendiam para indústria, para virar suco, mas eles não tinham o que fazer”, explica Roberto Matsuda, fundador da startup. “Acabamos tendo a ideia de levar para os consumidores, ajudando na conscientização”.

Foto: Divulgação
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Dessa forma, a Fruta Imperfeita, que já está em toda a Grande São Paulo, com entrega de 1,4 mil cestas por semana -- salvando 1 mil toneladas de frutas e legumes, vindas de produtores rurais. “Apesar da nossa atuação local, ganhamos projeção nacional por esse tipo de conscientização. A maioria agroecológica, sem agrotóxicos”, explica Roberto.

O empreendedor ainda ressalta que, apesar do boom de alimentos orgânicos nos últimos anos, ainda há uma falta de “força nacional”. “É um tipo de alimentação concentrada apenas nas classes mais altas. Há desafios nessa expansão”, afirma o fundador da Fruta Imperfeita. “Uma produção orgânica talvez ainda seja desconhecida por seus benefícios”.

Fazendas dentro de casa

Um outro modelo que está ganhando espaço no mercado de orgânicos é o de fazendas urbanas. A ideia, aqui, é colocar a horta dentro de shoppings, empresas e até condomínios para que funcionários, moradores e parceiros tenham acesso ao alimento ali, a poucos metros de distância. Sem agrotóxicos e 28 vezes mais produtivos que a cadeia tradicional.

Uma startup que tem trabalhado com essa dinâmica é a BeGreen. A empresa, hoje, conta com três fazendas urbanas em operação no Brasil — uma no Boulevard Shopping de Belo Horizonte; outra no Via Parque Shopping do Rio de Janeiro; e, por fim, uma instalada dentro da fábrica da Mercedes Benz na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Para isso, a empresa se vale de tecnologia. São dezenas de sensores, e um ambiente cuidadosamente controlado, que impede qualquer tipo de problema no cultivo das plantações. Dessa maneira, já são mais de 50 mil unidades de hortaliças produzidas por mês, em cada unidade, e apenas 2% de desperdício -- frente 60% do resto do sistema.

“Somos mais produtivos, usamos menos água e dispensamos o uso de agrotóxicos”, afirma

Giuliano Bittencourt, CEO da startup de fazendas urbanas. “É um mercado que veio pra ficar. As pessoas querem saber de onde veio a comida, como que foi feita. E nada melhor do que a fazenda ser ali, perto da sua casa, como parte de uma experiência alimentar”.