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Alimentação espacial: pesquisadores propõem que astronautas criem peixes na Lua

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Em 2016, a Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou planos para criar uma base lunar permanente chamada de Moon Village — e cientistas foram ficando cada vez mais preocupados com o que poderia alimentar os astronautas a bordo de tal estação. Assim, uma equipe de cientistas franceses elaborou o programa Lunar Hatch, com o objetivo de fertilizar ovos de peixes na Terra, que iriam eclodir até a chegada à base, e poderiam ser usados tanto para fins nutricionais quanto psicológicos em viagens espaciais de longa duração.

Por enquanto, este projeto é um entre outras 300 ideias sendo analisadas pela ESA. O pesquisador Cyrille Przybyla, líder do estudo, pensa em projetar uma fazenda de peixes que aproveite a água presente na Lua, que poderia ajudar a alimentar os astronautas a bordo da base lunar Moon Village. Assim, eles poderiam ter proteínas frescas e saborosas, sem ter que depender somente de alimentos pré-preparados, como aqueles que são enviados para a tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS).

Durante o estudo, o robalo europeu se mostrou um candidato promissor (Imagem: Reprodução/Reprodução/Wikipedia Commons)
Durante o estudo, o robalo europeu se mostrou um candidato promissor (Imagem: Reprodução/Reprodução/Wikipedia Commons)

Przybyla explica que, para isso, “propôs enviar ovos, e não peixes, porque os ovos e embriões são bem fortes”. Então, para realizar os experimentos do estudo, a equipe tinha que verificar quais peixes poderiam ser enviados para o espaço. Eles listaram centenas de espécies de peixes e selecionaram aquelas que iriam exigir menos oxigênio, menor tempo de incubação, mais resistência a partículas carregadas para não serem tão pela radiação espacial, entre outros aspectos.

Depois, verificaram como seria a integridade de ovos produzidos pelo robalo europeu e corvina-legítima. Os ovos foram posicionados em vidrarias de laboratório, que foram agitadas por um equipamento chamado de "agitador orbital". Até aqui, elas se saíram bem. Em seguida, os ovos foram expostos a vibrações bem mais fortes com uma máquina diferente, que simula o lançamento de um foguete Soyuz — segundo a equipe, nenhum outro veículo espacial seria capaz de causar vibrações mais extremas que este foguete russo.

No fim das contas, 76% dos ovos de robalo puderam eclodir, enquanto os de corvina chegaram a 95% — para comparação, as amostras de controle dos robalos que não foram agitadas tiveram sucesso de 82%, junto de 95% das amostras de ovos de corvina. Przybyla suspeita que as espécies evoluíram para resistir aos desafios do ambiente aquático, como correntes, ondas e colisões, e acabaram ficando mais resistentes à vibração dos lançamentos. Essa é uma descoberta importante para o progresso do programa, que busca determinar se os astronautas vão conseguir cultivar os peixes.

Além disso, o autor sugere outros benefícios para os astronautas: "do ponto de vista psicológico, é melhor ter uma lembrança da Terra — eles teriam um jardim, um tanque com peixes", disse. Luke Roberson, pesquisador da NASA, concorda com este aspecto, e ressalta que os astronautas a bordo da ISS costumam passar tempo com as plantas que cultivam: “adicione isso a um peixe ou invertebrado de estimação, isso traz outro nível de benefício psicológico”, diz. “Faz com que pareça mais humano”. Para Roberson, as espécies escolhidas são boas opções por serem tolerantes a diversos níveis de sal na água, o que tornaria mais fácil acomodá-las na água lunar.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Aquaculture International.

Fonte: Canaltech

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