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Aliados de Bolsonaro atribuem avanço da reprovação do presidente à piora da economia

·4 minuto de leitura
***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  13.09.2021 - O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de lançamento do programa Habite Seguro, programa habitacional voltado aos profissionais das forças de segurança. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 13.09.2021 - O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de lançamento do programa Habite Seguro, programa habitacional voltado aos profissionais das forças de segurança. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atribuem o aumento da reprovação do mandatário à crise econômica. Resultado de pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (16) mostra que a reprovação chegou a 53%, pior índice do mandato de Bolsonaro.

Apesar de o discurso oficial ser de descredibilizar pesquisas, interlocutores do presidente demonstram preocupação com a queda de sua popularidade.

Após a semana mais tensa de seu mandato, na qual pregou golpismo para multidões no 7 de Setembro e depois recuou, o presidente segue com sua reprovação em tendência de alta.

Aliados do presidente também creditam o resultado do levantamento à crise institucional entre os Poderes, mas a leitura deles é de que o principal fator é a economia.

Nesta quinta, por exemplo, o Ministério da Economia revisou a projeção para a inflação deste ano de 5,9% para 7,9%. O aumento nos preços e, em especial, da gasolina tem sido uma preocupação central de Bolsonaro nos últimos meses.

Pesquisa feita pelo Datafolha e divulgada nesta sexta-feira (17) mostra que a corrida eleitoral para a Presidência em 2022 está estagnada, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantendo larga vantagem sobre Bolsonaro. No segundo turno, o petista tem 56% das intenções de voto contra 31% do atual presidente.

Aliados de Bolsonaro minimizam os dados. O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), por exemplo, compartilhou em seu grupo no Telegram imagem minimizando os resultados das pesquisas.

A imagem mostra atos pró-Bolsonaro lotados e diz: "Segundo Datafolha, Bolsonaro bate recorde de reprovação". "Segue a saga", escreveu o filho do presidente.

Assessor especial do presidente, Max Guilherme escreveu no Twitter que só acredita no "Data Povo" e que a "Globo lixo" está "tentando ajudar o maior bandido da história". Ele compartilhou publicação de O Globo sobre a pesquisa Datafolha.

Já o vice-líder do governo na Câmara Evair de Melo (PP-ES) disse que Bolsonaro não está preocupado com eleições e trabalha para melhorar a economia. "Eleição é só em 2022. A agenda não é essa. O governo não é movido por pesquisas", afirmou.

Os resultados da pesquisa aumentam a pressão para o governo a encontrar solução para tirar o Auxílio Brasil do papel, sucessor do Bolsa Família.

O presidente convocou o ministro João Roma (Cidadania) e representantes de outras pastas para uma reunião de emergência sobre o programa de transferência de renda na quinta-feira (16), antes da divulgação do Datafolha.

Interlocutores de Bolsonaro acreditam que a entrada em vigor do Auxílio Brasil é decisiva para uma melhora na popularidade do presidente.

Para eles, a tendência de rejeição demonstrada no Datafolha, constante neste ano, pode ser revertida. Há ainda expectativa de alívio da crise sanitária com o avanço da vacinação, o que pode permitir retorno quase normal das atividades.

O governo espera até desobrigar o uso de máscaras nos próximos meses, medida tida como precipitada por especialistas.

Já nomes da oposição comemoraram a queda de popularidade de Bolsonaro e cobraram que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), paute pedidos de impeachment.

"Para pautar o voto impresso, Lira justificou dizendo que uma parcela expressiva da sociedade era favorável. Hoje a pesquisa Datafolha mostra 53% da população rejeitando Bolsonaro. Isso não seria uma justificativa para Lira acatar um entre os vários pedidos de impeachment?", escreveu o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) no Twitter.

Para financiar a ampliação do novo Bolsa Família até o fim do ano, Bolsonaro editou na quinta-feira (16) um decreto em que aumenta o IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários).

A ideia é passar de 14,6 milhões para 17 milhões de famílias atendidas no Auxílio Brasil, que deve entrar em vigor em novembro, com o aumento do imposto, segundo o Palácio do Planalto. O governo informou que o aumento na alíquota do IOF resultará numa arrecadação estimada em R$ 2,14 bilhões.

A medida provisória que cria o Auxílio Brasil foi enviada no mês passado ao Congresso, mas segue parada. Membros da equipe econômica, do Planalto e do Ministério da Cidadania tentam encontrar uma solução para aumentar o valor do benefício, hoje em R$ 190. Bolsonaro prometeu elevar o benefício médio a pelo menos R$ 300.

O levantamento feito pelo Datafolha ouviu 3.667 pessoas maiores de 16 anos em 190 cidades do país. Feita nos dias 13 a 15 de setembro, a pesquisa tem uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Não faltaram crises desde o mais recente levantamento do Datafolha. Bolsonaro fez desfilar tanques e blindados em Brasília, sem sucesso na tentativa de intimidar o Congresso que não aceitou a volta do voto impresso.

A economia registra problemas em série, a começar pela alta da inflação e da ameaça de crise energética no horizonte próximo.

O estouro do teto de gastos é uma hipótese cada vez mais comentada, e há pouca margem de manobra orçamentária para apostar numa recuperação de popularidade amparada em pacotes populistas.

Isso tem levado ao desembarque de setores usualmente simpáticos ao Planalto, como parte do agronegócio e do mercado financeiro. Fora a contínua crise sanitária que já levou quase 590 mil vidas no país e a percepção de corrupção federal evidenciada na CPI da Covid.

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