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Alexa, da Amazon, pode ser “testemunha” de assassinato na Flórida

Rafael Arbulu

No mês de outubro, uma mulher chamada Silvia Gava foi morta em sua casa na Flórida, precisamente na região litorânea de Hallandale Beach. O principal suspeito é o seu namorado, Adam Reechard Crespo, de 42 anos. Apesar de toda a investigação, a polícia ainda não conseguiu provar que foi ele, que diz ser inocente e chamou a morte da vítima de “acidental”, tendo ela ocorrido após uma discussão acalorada entre o casal.

Isso pode mudar após as autoridades executarem um mandado de busca e apreensão de dois alto-falantes da Amazon, um Echo e um Echo dot, encontrados na cena do crime. Motivo: a assistente virtual da gigante da tecnologia, a Alexa, pode ter ouvido a briga entre os dois.

Como já mostramos, os alto-falantes inteligentes equipados com assistentes virtuais estão constantemente ouvindo o ambiente em que se encontram, esperando capturarem uma palavra de ativação e executarem a ordem de seus proprietários. No caso da Alexa, a palavra de ativação é o próprio nome da assistente (partindo do princípio que o usuário não a tenha alterado em suas configurações): “Alexa, encomende o produto XYZ”, “Alexa, acenda a luz da cozinha” e assim por diante. A polícia quer saber, porém, se neste caso a Alexa teria capturado a altercação do casal e, com sorte, saber o que de fato aconteceu nos momentos que antecederam a morte de Galva.

Adam Reechard Crespo, acusado de assassinar a namorada Silvia Gava em outubro deste ano (Imagem: Reprodução/Florida Sun-Sentinel)

Pela versão do acusado, Crespo e Galva estavam discutindo após terem saído à noite e ele estava tentando arrastá-la para fora da cama, quando ela teria se agarrado a uma das lanças da cabeceira de metal. Tal lança tinha uma lâmina de pouco mais de 30 centímetros. Ele continuou a puxá-la quando, disse ele, ouviu a lança se partir. Ao virar-se de volta para a sua então namorada, viu que a lâmina estava cravada em seu peito. Ele puxou-a para fora, esperando que a lesão “não fosse muito ruim”.

A promotoria está acusando Crespo de assassinato. “Há razão para acreditar que a evidência dos crimes possa ser encontrada no servidor mantido pela ou para a Amazon”, diz trecho do mandado de busca e apreensão dos alto-falantes.

A Amazon prontamente entregou diversas gravações, mas, por ora, a promotoria ainda não discutiu publicamente o que foi encontrado no material, ou mesmo se encontraram algo de fato.

“Nós recebemos as gravações e estamos no processo de analisar o que nos foi enviado”, disse o porta-voz do Departamento de Polícia de Hallandale Beach, o sargento Pedro Abut. Segundo a porta-voz da Amazon, Leigh Nakanishi, porém, a busca pode ser em vão. A funcionária da empresa esclareceu que os alto-falantes da linha Echo gravam “porções” de áudio e não armazenam conversas privadas. “Por padrão, os dispositivos Echo são desenhados para ouvir apenas a palavra de ativação”, ela disse.

A porta-voz ainda disse que nenhum áudio é armazenado ou enviado à nuvem da Amazon, salvo pelo que o alto-falante ouvir após detectar a palavra de ativação. Neste caso, a não ser que uma das partes tenha dito a palavra ou algo próximo dela, os alto-falantes não trarão mais informação do que, digamos, uma poltrona no mesmo recinto. Ademais, os alto-falantes da linha Echo possuem um botão de “Mudo” que impede qualquer captura de ser feita, mesmo da palavra de ativação.

E então, Alexa: ele é culpado ou inocente?


Fonte: Canaltech

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