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Alertas do BC sobre inflação derrubam Bolsa e juros saltam

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.08.2011 - Movimentação de pessoas na sede da Bolsa de Valores, a B3, em SP. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.08.2011 - Movimentação de pessoas na sede da Bolsa de Valores, a B3, em SP. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Investidores passaram a considerar nesta terça-feira (6) que o Brasil manterá sua taxa de juros (Selic) elevada por mais tempo do que eles estavam esperando. Declarações recentes de representantes do Banco Central impactaram a avaliação da parcela do mercado que esperava um afrouxamento do crédito já para o início do ano que vem.

Nesta segunda, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertou que as medidas de restrição ao crédito serão mantidas enquanto houver risco de alta da inflação. "A gente entende que ainda tem um elemento de preocupação grande e a mensagem é que precisamos combater esse processo. Muito provavelmente vamos passar por três meses de deflação, mas a batalha não está ganha", disse.

No mercado de ações do país, o Ibovespa caiu 2,17%, aos 109.763 pontos. Essa foi a primeira queda do índice parâmetro da Bolsa de Valores brasileira após três sessões em alta.

No mercado de juros futuros, o efeito da declaração de Campos Neto tomou caminho oposto. Os contratos DI (Depósitos Interbancários) de médio prazo —com vencimento a partir de 2025— terminaram o dia em alta.

Os juros DI para janeiro de 2026 avançaram 205 pontos-base, passando de 11,480% para 11,685%.

A taxa DI é negociada apenas entre bancos, mas serve de referência para todo o setor de crédito, incluindo empréstimos pessoais e financiamentos ao consumidor.

Reforçando a postura de Campos Neto, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, alertou nesta terça para a piora da percepção do mercado financeiro sobre a inflação de 2024 e que isso deverá manter o BC "com a guarda alta" nos próximos trimestres.

No intervalo de um mês, a estimativa do mercado para o índice de preços ao consumidor em 2024 avançou de 3,30% para 3,43%, segundo o boletim Focus do BC mais recente. A projeção está acima do centro da meta de 3% fixada pela autoridade monetária.

"Havia a expectativa de que a Selic poderia começar a ceder no início de 2023, mas parece que essa possibilidade vai ficar para o final do ano que vem", comentou o economista João Beck, sócio do escritório BRA.

Juros altos tendem a desestimular aplicações no mercado de ações, pois tornam a renda fixa mais atraente, sobretudo quando a taxa está significativamente acima da expectativa de inflação. A Selic está atualmente em 13,75% e há expectativa de que ela possa receber um último ajuste de 0,25 ponto percentual.

Além disso, juros altos também prejudicam o crescimento de empresas cujos negócios dependem do crédito mais barato ao consumidor, como são os casos do varejo, construção civil e transportes.

Empresas desses segmentos apresentavam fortes baixas na Bolsa nesta terça. A MRV despencou 8,51%. Magazine Luiza e Via tombaram 7,41% e 7,67%, respectivamente. A CVC desabou 7,12%.

Os papéis preferenciais da Petrobras caíram 3,69%. No caso da estatal, a pressão negativa resultava de uma forte queda nos preços do petróleo devido às preocupações de investidores com novas restrições a atividades econômicas na China para o combate à Covid-19.

O barril do Brent, referência para o mercado, era negociado no final da tarde com desvalorização de 3,20%, a US$ 92,68 (R$ 483,99).

DÓLAR TEM FORTE ALTA EM DIA DE VALORIZAÇÃO GLOBAL

No mercado de câmbio, o dólar avançava frente ao real, acompanhando a recuperação da moeda americana no exterior. O dólar comercial à vista subiu 1,66%, a R$ 5,2390 na venda.

Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, observa que a valorização do dólar reflete a busca por ativos que tragam proteção contra uma possível alta agressiva dos juros nos Estados Unidos.

Essa possibilidade foi reforçada após dados do setor de serviços dos EUA divulgados nesta terça terem demonstrado que a economia do país segue aquecida.

Para combater a maior inflação em 40 anos, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano), vem subindo a sua taxa de juros e uma nova alta é esperada para este mês.

"Hoje o movimento de aversão ao risco afeta praticamente todas as moedas emergentes", disse Consorte.

A economista também destacou que as declarações de autoridades do BC do Brasil sobre a piora do cenário inflacionário podem ter elevado a percepção de investidores sobre o risco do país.

"Há mudança de postura do Banco Central, que está tentando tirar essa queda precificada [pelo mercado] da taxa de juros", diz.

Consorte ressalta que juros altos tendem a atrair investidores estrangeiros para a renda fixa do Brasil, aumentando a oferta de dólares no país e, consequentemente, desvalorizando a moeda americana frente ao real.

A piora das previsões para a inflação, porém, pode também significar mais riscos para a economia. "Embora a alta dos juros seja benéfica para o câmbio, ela também pode sugerir uma piora do país."

ATOS DO 7 DE SETEMBRO PASSAM AO LARGO DO MERCADO

Manifestações programadas para este feriado de 7 de Setembro passaram ao largo do mercado financeiro nesta terça, quando investidores estiveram concentrados em indicações de autoridades monetárias sobre políticas de elevação de juros para controle da inflação no Brasil e no mundo e na oscilação dos preços de matérias-primas.

No ano passado, a Bolsa de Valores sofreu forte queda um dia após ataques bolsonaristas ao STF (Supremo Tribunal Federal) realizados no 7 de Setembro.

Na tarde desta terça, o risco-país medido pelos contratos de CDS (Credit Default Swap) apresentava queda de 0,45% em relação ao dia anterior.

É um bom parâmetro para mensurar a preocupação do mercado com as manifestações políticas previstas para esta quarta, uma vez que Bolsa e dólar foram mais influenciados pela política monetária ao longo da sessão, segundo o economista-chefe da Nova Futura, Nicolas Borsoi.

A influência exercida pelo 7 de Setembro, segundo Borsoi, ficou restrita ao fechamento do mercado doméstico. Investidores diminuem operações em vésperas de feriado. A redução dos volumes movimentados pode provocar oscilações bruscas nos preços dos ativos.

"As quedas das Bolsas e das commodities no exterior se somam a um ambiente de liquidez menor aqui devido à véspera do feriado, quando diversos participantes optam por não fazer grandes operações", comentou.