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Alemanha luta para achatar a curva da segunda onda da pandemia

David COURBET
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O presidente do Instituto Robert Koch Institute (RKI), Lothar Wieler, afirmou que a situação é "muito grave" na Alemanha
O presidente do Instituto Robert Koch Institute (RKI), Lothar Wieler, afirmou que a situação é "muito grave" na Alemanha

A Alemanha está sendo afetada com força há semanas pela pandemia de coronavírus, depois de ter sido elogiada por sua gestão da primeira onda e as autoridades lutam para encontrar a resposta adequada.

"Globalmente, a situação é muito grave", afirmou em uma entrevista coletiva Lothar Wieler, presidente do instituto de vigilância epidemiológica Robert Koch (RKI), para quem o vírus pode "propagar-se de forma descontrolada" se nada for feito.

Pela primeira vez desde o início da epidemia, o número de casos superou 10.000 novas infecções diárias, com 11.287 em 24 horas, de acordo com os dados anunciados nesta quinta-feira (22).

""Quanto mais pessoas são infectadas em círculos privados, mais o vírus se espalha para outros lugares", alertou Wieler, que defende medidas de higiene e segurança, além de "arejar regularmente" os espaços fechados.

Até o momento, a Alemanha administrou corretamente a crise. Durante o pior momento da pandemia na primavera (hemisfério norte), o país não superou 6.300 novas contaminações por dia.

A nação conseguiu evitar a saturação dos hospitais e chegou a receber dezenas de pacientes procedentes da Itália, França e Bélgica.

A Alemanha não é um dos países mais afetados pela segunda onda do vírus, mas o número de pacientes em CTIs dobrou em duas semanas: atualmente são 964, incluindo 430 com necessidade de respirador. O recorde aconteceu em meados de abril, com 2.933 "pacientes covid" em Centros de Terapia Intensiva.

De acordo com os números oficiais, 21.401 leitos de emergência dos 29.799 da Alemanha estão ocupados atualmente.

Desde o início da epidemia, ao menos 380.762 pessoas foram infectadas na Alemanha e 9.875 morreram vítimas da covid-19.

Embora a nível local as restrições, como a obrigatoriedade do uso de máscara ou o fechamento noturno de bares e restaurantes, retornem aos poucos, a chanceler Angela Merkel tem dificuldades para impor medidas comuns a todo o país de estrutura federal, onde prevalece a gestão da saúde dos estados.

Os governos dos estados temem asfixiar novamente a economia, que se recupera lentamente após a paralisação quase total das atividades durante a primavera.

A chanceler se limita a apelar à responsabilidade individual. Ela pede à população que reduza ao máximo as relações sociais e permaneça em casa na medida do possível.

Uma reunião de crise, na semana passada, entre o governo e os 16 estados regionais terminou sem acordo sobre as restrições nacionais comuns.

Merkel não escondeu a frustração e se declarou "insatisfeita" com o statu-quo.

No momento, os alemães começam a estocar papel higiênico: as compras dispararam 90% na semana passada, alcançando o nível registrado antes do confinamento do início do ano.

A Baviera, um dos únicos "Land" que decidiu um confinamento estrito na primavera, anunciou no início da semana o isolamento da estação alpina de Berchtesgaden (sul), perto da fronteira com a Áustria, onde o índice de contaminação disparou, por razões que ainda não foram identificadas.

dac/smk/pz/me/mb/fp