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Além de E o Vento Levou: 8 filmes de Hollywood que reforçam estereótipos racistas

Morgan Freeman como Deus em Todo Poderoso

E o Vento Levou foi retirado do HBO Max na semana passada. Vencedora de oito estatuetas do Oscar, a obra será reinserida na plataforma com uma introdução produzida por Jacqueline Stewart, do Departamento de Cinema e Estudos de Mídia da Universidade de Chicago. A professora será responsável por dar o contexto histórico em que um longa - que, visto com os olhos de hoje, romantiza a escravidão - foi lançado.

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A medida do serviço de streaming gerou grande debate na sociedade. Sendo justa ou não, o fato ajuda a promover a reflexão sobre esteriótipos racistas em grandes obras do cinema. Na obra dirigida por Victor Fleming, Hattie McDaniel interpreta Mammy, uma escrava que serve de alívio cômico para a trama que mostra a batalha da sua patroa, Scarlett O'Hara (Vivien Leigh), para manter os seus privilégios como mulher rica e branca.

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Com o papel, McDaniel arrebatou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e se tornou a primeira atriz negra a vencer uma estatueta na premiação mais importante. Um fato imenso que diz respeito ao imenso talento da atriz - e que não impede que critiquemos a construção de personagens tão problemáticos como Mammy. Com o caso de E o Vento Levou ainda em mente, relembramos abaixo outros personagens bem famosos que reforçam estereótipos racistas.

Mr. Yunioshi de Bonequinha de Luxo

Com sotaque forçado, o personagem Mr. Yunioshi foi vivido pelo americano Mickey Rooney. Trata-se, talvez, do mais famoso exemplo de yellowface, quando um não asiático é maquiado para parecer um asiático. Com dentes tortos, o personagem, vizinho de Audrey Hepburn na trama, pode ser encarado como uma mera representação preconceituosa dos imigrantes nos EUA.

Anciã de Doutor Estranho e Motoko Kusanagi em Ghost in The Shell

Ao escalar Scarlett Johansson para viver Motoko Kusanagi, Hollywood voltou a repetir o erro do yellowface. O filme foi acusado, justamente, de embranquecimento e fracassou em bilheteria mundialmente. Outro exemplo bizarro do mesmo problema em filmes de super-herói foi a Anciã, vivida por Tilda Swinton, em Doutor Estranho: nos quadrinhos, o personagem é um homem tibetano. "Talvez esse mal-entendido em torno do filme seja uma oportunidade para que essa voz (de representatividade) seja ouvida, e eu não sou contra isso. Eu acho que quando as pessoas verem o filme vão entender que não existe um rótulo necessário para esse tipo de voz“, disse Swinton à EW na época de lançamento do blockbuster.

Os personagens com blackface de O Nascimento de uma Nação

O filme, lançado em 1915, é chamado por alguns de "o mais racista de todos os tempos". Mostrando atores brancos pintados como negros, o longa chega a mostrar "argumentos" contrários à abolição da escravidão nos Estados Unidos e a defender a Ku Klux Klan, grupo terrorista que perseguia, espancava e assassinava negros no sul dos Estados Unidos. O longa foi relembrado recentemente, em tom crítico, na série Watchmen, da HBO.

Os "negros mágicos" de À Espera de Um Milagre e Todo Poderoso

O esteriótipo do "negro mágico" é bastante citado pelo diretor Spike Lee em debates sobre cinema. Na explicação do cineasta, são aqueles personagens que servem de apoio para protagonistas brancos com poderes, sabedoria ou certo misticismo. A ideia, vista em filmes famosos como John Coffey, vivido por Michael Clarke Duncan, em À Espera de Um Milagre e o Deus de Morgan Freeman em Todo Poderoso, perpetua uma ideia perigosa: a que os negros são uma classe diferente de seres humanos.

Os muçulmanos de Nova York Sitiada

Muçulmanos e árabes protestaram ativamente contra o lançamento do filme protagonizado por Denzel Washington em 1998. Com razão, eles diziam que o longa era um meio de disseminação da intolerância e xenofobia, associando casos de terrorismo ao país de origem dos seus autores. Com o tempo, a obra caiu no esquecimento, mas os esteriótipos seguiram se repetindo no cinema - ainda mais depois do atentado contra o World Trade Center, em 2001.

Marisa Ventura em Encontro de Amor

Vivendo a empregada Marisa Ventura, Jennifer Lopez encarna o manjado esteriótipo da mulher latina que acaba subindo de vida após encontrar o seu grande amor. Este tipo de personagem limitou a carreira de inúmeras atrizes em Hollywood. O caso mais simbólico é o da atriz de ascendência mexicana Lupe Ontiveros, que viveu papéis de domésticas em cerca de 150 produções durante a sua vida artística.

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