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Alcolumbre diz que resistência do Senado à privatização da Eletrobras é muito grande

DANIEL CARVALHO
***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 22.10.2019 - Plenário do Senado, sob a presidência do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) durante a votação do texto base do 2° turno da reforma da Previdência. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse nesta quarta-feira (6) que a Casa continua com um alto nível de resistência à privatização da Eletrobras, cujo projeto foi encaminhado pelo Executivo à Câmara na terça-feira (5).

Em setembro, Alcolumbre já havia dito que a gestão Jair Bolsonaro (PSL) não tinha base para aprovar esta medida.

"Continuo fazendo a mesma observação. Falei para vários interlocutores do governo que, no Senado Federal, as bancadas do Norte e do Nordeste tinham se manifestado, e outros parlamentares também, em relação à capitalização, privatização da Eletrobras. Mas o governo, assim mesmo, encaminhou a matéria para a Câmara dos Deputados", disse Alcolumbre na noite desta quarta.

"Há uma resistência muito grande no Senado em relação a este assunto. Na reunião que eu tive, e que informei para o governo, foi uma reunião das bancadas do Norte e do Nordeste, nós tínhamos 50 senadores. A manifestação de vários senadores dos 50, de serem contrários a esta privatização, eu externei. O governo quis mandar. Agora, vai ser o debate", afirmou.

Davi Alcolumbre disse que, se houver 50 senadores contrários ao projeto, pode nem pautar a matéria.

Em setembro, o presidente do Senado disse ter ouvido resistência à privatização da companhia da maioria dos 48 senadores das duas regiões.

À época, ele afirmou que a privatização de outras estatais, como os Correios, também sofriam objeção, mas, segundo ele, havia um caminho a ser explorado.

A operação envolvendo a Eletrobras deve gerar, no próximo ano, pelo menos R$ 16,2 bilhões para o Orçamento da União.

O texto enviado pelo Executivo não prevê a manutenção de uma golden share (ação especial que garante à União poder de veto em assuntos estratégicos). Além disso, estabelece um teto para votos em assembleias definido em 10% das ações.