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Alan Moore, criador de Watchmen, tem uma dica surpreendente para autores novatos

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Alan Moore é um dos maiores nomes dos quadrinhos, servindo de inspiração para vários roteiristas que hoje assinam alguns dos principais títulos da indústria. No meio desse status como uma lenda do meio, suas opiniões sobre o processo criativo se tornam nortes em potencial para quem almeja se tornar um escritor. E durante uma entrevista para um curso de narrativa da BBC Maestro, o autor de Watchmen deu um conselho bem fora do comum para os estudantes: ele recomendou a leitura de livros ruins.

O conselho é interessante por alguns motivos. A maioria das pessoas que começam a trabalhar com a criação de narrativas escutam sempre que devem ler bastante para aprender e observar como outros autores constroem suas histórias — e nessas recomendações está normalmente implícito que a leitura deve envolver boas obras.

Moore segue por outro caminho, porém, em sua recomendação, e ele elabora o porquê desse conselho na mesma entrevista. Segundo o autor de V de Vingança e de uma das fases mais aclamadas do Monstro do Pântano, ao ler livros ruins, o leitor pode ter mais inspiração do que com os bons, já que obras que marcam por sua qualidade podem fazer com que os autores queiram replicar o conteúdo - o que, muitas vezes, pode levar ao plágio.

Já com livros ruins esse risco não existe, com a reação do leitor sendo algo mais próximo do “Meu Deus, eu posso fazer melhor que isso!”, o que serve como inspiração e um grande incentivo para mostrar que ele pode chegar ao ponto de ter sua obra publicada.

O conselho pode parecer um pouco ríspido a primeira vista, com Moore parecendo diminuir outros autores para ajudar estudantes, mas ao olhar mais profundamente para a fala do criador de Watchmen é notável que a recomendação, na verdade, é uma forma sincera dele incentivar aspirantes ao mundo da narrativa a irem contra a maré comum do meio.

Além disso, o conselho de Moore combina também com as declarações do autor durante sua vida, que sempre critica adaptações de suas obras para outras mídias, trazendo para o momento atual uma interpretação de que ele queria ver mais originalidade no cinema do que conversões de seus quadrinhos para a telona.

Por fim, Moore, ainda na entrevista para o curso da BBC Maestro, destaca que ler obras ruins serve como um importante incentivo para a melhoria do estilo próprio dos autores, com os escritores que realizar um processo introspectivo para entender a razão de não gostar de uma determinada obra conseguindo enxergar o que devem evitar em suas próprias criações.

Nesses contextos, mesmo com a interpretação de uma narrativa sendo subjetiva, o argumento de Alan Moore faz sentido, afinal, um contador de histórias, em suas produções, deve tentar se afastar o máximo possível do que não gosta em termos de uso de linguagens e afins, tentando sempre entender o que ele pode apresentar de melhor para o mundo por meio de seus textos.

Fonte: Canaltech

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