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Alívio da dívida por bancos privados pode variar em plano do G20

Alonso Soto e William Horobin
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O alívio da dívida oferecido por credores privados para os países mais pobres do mundo sob um plano de reestruturação do G-20 dependerá da situação de cada nação e talvez não necessariamente reduza a quantia devida, de acordo com o presidente do Clube de Paris.

Emmanuel Moulin, ministro de Economia e Finanças da França, disse em entrevista na quarta-feira que países devedores que participam do chamado marco comum do G-20 também precisam contar com o impacto nos bancos privados. “Exceções muito limitadas e específicas” poderiam ser acordadas caso a caso, disse.

O Clube de Paris, um tradicional grupo de 22 credores de governos ocidentais, em sua maioria ricos, está coordenando o plano do G-20. Um pedido surpresa de ajuda da Etiópia no mês passado preocupou investidores, que poderiam ser arrastados para uma onda de reestruturação da dívida na África após uma década de endividamento desenfreado.

“O tratamento da dívida será adaptado à situação do país”, disse Moulin. “Um tratamento da dívida sob o marco comum exigirá que credores privados façam um esforço pelo menos tão importante quanto o oferecido por credores bilaterais oficiais. Mas não implica necessariamente uma redução em termos de valor presente líquido; também pode haver um reperfilamento.”

A estrutura é a segunda fase da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida do G-20, que visa evitar uma crise da dívida de países em desenvolvimento devastados pelo impacto econômico devido à pandemia de coronavírus. O Chade e a Zâmbia também solicitaram a adesão ao acordo, que está aberto a mais de 70 países pobres.

Com poucos recursos para combater a pandemia, mais países africanos devem buscar reestruturar as dívidas sob o plano, disse Vera Songwe, secretária executiva da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África.

China

O marco do G-20 visa trazer todos os participantes a bordo, incluindo bancos chineses e instituições privadas, que agora são os maiores credores do mundo em desenvolvimento. Bons resultados podem abrir caminho para que a China entre formalmente no Clube de Paris, pois o país asiático se tornou o maior credor oficial. A China é atualmente apenas um membro temporário.

“A longo prazo, o marco comum pode ser a antecâmara da adesão da China ao Clube de Paris como membro pleno”, disse Moulin.

Para aliviar ainda mais a pressão sobre os países pobres, Moulin disse que a França visa garantir um aumento dos recursos do Fundo Monetário Internacional nas reuniões da primavera. O novo governo dos EUA deu impulso aos planos de emissão para US$ 500 bilhões em seus ativos de reserva, chamados de direitos especiais de saque, ou SDRs na sigla em inglês.

No ano passado, o governo Donald Trump bloqueou tal medida, criticando o plano de não ter como alvo países pobres. Os EUA são o maior acionista do FMI e têm direito de veto sobre qualquer aumento.

“Vários países na Europa e fora dela são a favor de uma nova alocação de SDRs, então vamos trabalhar duro para que isso aconteça, quanto mais cedo melhor”, disse Moulin.

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