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Além da COVID: se você tem comorbidade, tem prioridade em várias outras vacinas

·6 minuto de leitura

Com a COVID-19, a importância da vacinação se tornou, novamente, uma questão central para o Brasil. Afinal, existem vacinas — mesmo que em quantidades ainda limitadas — que podem salvar vidas. No primeiro momento, a imunização focou nas pessoas com comorbidades, ou seja, aqueles indivíduos que possuem alguma doença pré-existente e que, por isso, podem desencadear um quadro mais grave em caso de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2. No entanto, o que pouca gente sabe é que pessoas com determinadas doenças já têm um calendário de vacinação diferente dentro do próprio Sistema Único de Saúde (SUS), muito antes da chegada da pandemia.

No sistema de saúde brasileiro, há 52 Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) no país, que podem cuidar, exclusivamente, da vacinação de pessoas que possuem determinadas doenças, como diabetes e algumas cardiopatias ou pneumopatias. Além disso, esses centros planejam a imunização de pacientes com HIV, em tratamento oncológico ou que fazem uso de medicações específicas, de forma contínua. Por mais curioso que pareça ser, a vacinação destes indivíduos pode diferir da feita na maioria da população.

Além da COVID-19, comorbidades dão direito a outros tipos de vacinas no SUS (Imagem: Reprodução/Mat Napo/Unsplash)
Além da COVID-19, comorbidades dão direito a outros tipos de vacinas no SUS (Imagem: Reprodução/Mat Napo/Unsplash)

Para divulgar os CRIE, fundados ainda nos anos 1990, a farmacêutica norte-americana Pfizer e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançaram uma nova campanha de conscientização sobre a importância desses espaços. Atualmente, 76% dos brasileiros os desconhecem, segundo levantamento feito pela Inteligência, Pesquisa e Consultoria (Ipec).

Brasil precisa contornar a baixa cobertura das vacinas

Antes da vacinação de pessoas com comorbidades, é preciso observar que, nos últimos anos, o Brasil demonstrou uma baixa procura geral pela imunização de outras doenças, mesmo com vacinas distribuídas de forma gratuitas nas UBS. Neste cenário, o aparecimento da COVID-19 parece um paradoxo. Isso porque o coronavírus mudou drasticamente o interesse da população pelos imunizantes, incluindo discussões sobre os laboratórios fabricantes e a eficácia.

A questão, então, será entender se esse interesse repercutirá nos outros imunizantes disponíveis, como a vacina da gripe (influenza) ou do tétano. “Agora, se fala muito que precisamos alcançar altas coberturas de vacinação da COVID-19, mas, cada vez mais, observamos redução de cobertura vacinal. Precisamos, como brasileiros, resgatar essas coberturas de todas as vacinas que temos", defendeu Ana Paula Burian, infectologista e médica do CRIE, durante o lançamento da campanha.

De acordo com Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer, a diminuição na cobertura vacinal — menos doses de vacinas aplicadas na população — é percebida desde 2017. No entanto, a especialista destaca que "a queda da cobertura vacinal não é uma realidade só do Brasil, mas também do mundo". Para a médica, esse cenário pode ser explicado por três fatores: falta de informação sobre os imunizantes; fake news, principalmente sobre a segurança das fórmulas; e sensação de erradicação de algumas doenças infectocontagiosas. "Esses três fatores têm afastado as pessoas dos postos de vacinação", completa.

Óbitos por tétano no Brasil

Brasil apresenta queda nas taxas de cobertura vacinal (Imagem: Reprodução/Pfizer/SBIm/CRIE)
Brasil apresenta queda nas taxas de cobertura vacinal (Imagem: Reprodução/Pfizer/SBIm/CRIE)

Quando existe vacina para determinada doença, ela é chamada de doença imunoprevenida, ou seja, os casos podem ser reduzidos através de imunizantes. Esta é a situação do tétano que, em adolescentes e adultos, pode ser prevenida com o reforço Tdap (tétano-difteria-coqueluche). Isso considerando que as crianças foram, anteriormente, imunizadas com a DTP/DTPa (a tríplice bacteriana). No entanto, o Brasil ainda registra óbitos em decorrência da doença.

A infectologista explica que esta "é uma doença que se via na idade média, mais ainda temos óbitos. Em 2019, o Brasil teve 218 casos, com 65 óbitos. Imagina você dizer para uma família que um ente querido foi ao óbito por tétano". Em contrapartida, doses do imunizante são distribuídas gratuitamente no país para todas as idades.

Além deste caso, outras doenças que foram erradicadas por causa da alta cobertura vacinal retornaram ao Brasil, como o sarampo. Em 2018, dois surtos foram registrados nos estados de Roraima e Amazonas, depois de a doença ser eliminada das Américas em 2016.

Vacinação de pessoas com comorbidades no CRIE

Os exemplos apontam para a importância da vacinação e reforçam que indivíduos com algumas especificidades, como diabetes, podem se beneficiar (e muito) das imunizações praticadas nos CRIE. “Vacinas que não são ofertadas para a população em geral são ofertadas, gratuitamente, para estes pacientes", ressalta Isabella Ballalai, médica e vice-presidente da SBIm.

“Um grande diferencial para as pessoas que portam alguma doença crônica é que as Unidades de Saúde Básicas [UBS] são voltadas para [a vacinação de] pessoas 'saudáveis'. Então, o calendário é único. Não existe nenhuma peculiaridade. Para o portador da doença crônica, cada doença crônica tem um calendário diferente de vacinação, com especificidades", orienta Burian. Para esses grupos, “mais do que saber o que aplicar, é importante saber quando não aplicar ou adiar alguma vacina", pontua.

Doses diferentes, maiores concentrações ou fórmulas diferentes

"Pacientes imunodeprimidos [pessoas que apresentam alterações no sistema imunológico], ou imunocompetentes com doenças de base, não apresentam risco maior para eventos adversos ao receberem vacinas inativadas. No entanto, as vacinas vivas atenuadas podem representar riscos para imundeprimidos e seu uso deve ser analisado caso a caso", explica o calendário de vacinação para pacientes especiais, da SBIm.

Agora, existem casos de dosagens diferentes também, conforme comenta a infectologista. Por exemplo, um adulto saudável recebe, no posto de saúde, três doses da vacina de hepatite B com 1 ml. Agora, um paciente imunodeprimido, oncológico ou renal crônico pode receber um esquema de quatro doses com 2 ml. É o mesmo imunizante, mas a concentração e as quantidades de doses são diferentes.

Pessoas com diabetes podem tomar vacina para hepatite B mais concentrada (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements)
Pessoas com diabetes podem tomar vacina para hepatite B mais concentrada (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements)

Pessoas com diabetes também precisam de um esquema diferenciado para a hepatite B, já que há o risco-duplo para a segunda doença. “Um paciente com diabetes se adquire a doença hepatite B, ele pode evoluir mais rápido para um câncer de fígado, descompensa mais rápido a diabetes. Então, é uma doença risco-duplo", comenta a médica Ana Paula.

Ouro caso é o de pacientes que usam uma medicação de forma continuada, como aqueles que possuem doenças reumatológicas. “Doença reumatológica pode não ser a doença que dê direito a uma imunização diferenciada, mas a medicação que se usa pode baixar a imunidade e precisar de um programa especial de doses", completa a infectologista do CRIE.

Como saber mais sobre as vacinações especiais?

Para auxiliar na indicação da vacinação de pessoas com doenças crônicas ou com demandas especiais, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) disponibilizou um documento onde essas questões são detalhadas. Inclusive, o usuário pode consultar qual imunizante é, de forma geral, recomendado para o portador de cada doença. Para acessá-lo, clique aqui.

A partir do dia 29 de junho, também entrará no ar o site criemaisprotecao.com.br. No espaço, serão disponibilizadas informações sobre a vacinação dos pacientes especiais, a relação dos grupos de risco e o fluxo de atendimento nos CRIE.

Fonte: Canaltech

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