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AirBnB vai vasculhar redes sociais para evitar hóspedes bêbados e drogados

Claudio Yuge

O Airbnb desenvolveu uma nova tecnologia, capaz de vasculhar a Internet e garimpar em redes sociais dados que podem calcular o risco de alguém destruir uma casa alugada pelo serviço. O software, conhecido como “analisador de características", usará inteligência artificial para marcar as pessoas associadas a drogas e álcool, sites de ódio ou serviços sexuais. A novidade foi cadastrada recentemente no Escritório Europeu de Patentes.

Segundo o documento, o sistema digitaliza palavras-chave, imagens e vídeos em toda a web e vincula essas informações a um cliente em potencial, avaliando sua confiabilidade. O programa também examinará os “traços comportamentais e de personalidade”, juntamente com suas verificações habituais de crédito e identidade.

Mansão que foi vandalizada por 500 pessoas em Londres (Imagem: Reprodução/The Daily Mail)

O desenvolvimento veio como resposta a um processo movido por um dono de imóvel, que acionou o AirBnB no Tribunal Superior de Londres em um caso estipulado em 723 mil libras (o que equivalente a quase R$ 4 milhões). Isso ocorreu após 500 foliões destruírem sua mansão em Chelsea (bairro nobre na capital inglesa) — apesar da reserva ter sido feita para uma família de quatro pessoas. Foram quatro meses para consertar a propriedade, com gastos em torno de 445 mil libras (ou cerca de R$ 2,4 milhões).

Software pesquisa o noticiário em busca de pistas

Entre os recursos do programa, está a capacidade de digitalizar notícias que possam ser sobre uma pessoa em particular, como um artigo relacionado a um crime, e depois avaliar a gravidade desses delitos. Os traços negativos procurados incluem "neuroticismo e envolvimento em crimes" e "narcisismo, maquiavelismo ou psicopatia" e são classificados como “não confiáveis". Esses dados serão usados prever como o indivíduo se comporta na vida real e farão referência cruzada com informações como 'conexões sociais', histórico de empregos e educação. Isso tudo poderá levar a uma maior compatibilidade entre o anfitrião e os hóspedes, seja para aprovar ou negar o aluguel de um imóvel.

Imagem: Reprodução/AirBnB

Na verdade, o AirBnB já possui uma ferramenta que, atualmente, calcula algumas “reservas de risco”. "Usamos análises preditivas e aprendizado de máquina para avaliar instantaneamente centenas de sinais que nos ajudam a criar um alerta e investigar atividades suspeitas antes que elas aconteçam", destaca a companhia.

A aquisição da startup Trooly, que checa antecedentes criminais, foi feita justamente para auxiliar nessa tarefa. "Embora nenhum sistema de triagem seja perfeito, globalmente, verificamos os anfitriões e os hóspedes em relação às listas de controle, terroristas e sanções. Nos Estados Unidos, também realizamos verificações de antecedentes criminais."

Fonte: Canaltech

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