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Airbnb vê aumento de demanda por viagens domésticas

Olivia Carville

(Bloomberg) -- Residentes urbanos ansiosos, que buscam escapar de seus refúgios durante a pandemia de Covid-19, estão viajando de carro para locais próximos em números surpreendentemente altos, no que seriam os primeiros sinais de vida do setor de turismo, que está praticamente parado desde março.

“As pessoas, depois de ficarem presas em casa por alguns meses, querem sair; isso é muito, muito claro”, disse Brian Chesky, diretor-presidente do Airbnb, em entrevista. “Mas elas não querem necessariamente entrar em um avião e ainda não se sentem confortáveis em deixar seus países.”

O Airbnb registrou mais reservas para acomodações nos EUA entre 17 de maio e 3 de junho do que no mesmo período de 2019, e um aumento semelhante de viagens domésticas no mundo todo. A empresa com sede em São Francisco observa aumento da demanda por reservas domésticas em países como Alemanha, Portugal, Coreia do Sul, Nova Zelândia e outros. Outras empresas, como a Vrbo, do Expedia, e Booking Holdings também destacam um salto das reservas domésticas de temporada.

As buscas nos EUA da Vrbo agora mostram alta em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo relatório do analista Kevin Kopelman, da Cowen & Co., divulgado na segunda-feira. As consultas do Airbnb têm queda de apenas cerca de 10%. No entanto, as buscas de hotéis e da marca Expedia mostram baixa de mais de 60%.

As estadias internacionais, geralmente planejadas com meses de antecedência, têm sido substituídas por viagens mais impulsivas, reservadas um dia antes, e as escapadas de fim de semana estão se transformando em pausas de uma semana, disse Chesky. Anteriormente, um nova-iorquino poderia ter ido a Paris por uma semana em junho. Agora, pode passar um mês em Catskills. “Trabalhar em casa agora significa trabalhar em qualquer casa”, disse.

Ainda assim, qualquer recuperação vem de uma base muito baixa. O setor de viagens foi destruído pela pandemia de Covid-19. Agências de viagens on-line enfrentaram cancelamentos sem precedentes, e o tráfego de passageiros de viagens aéreas caiu 95%. Airbnb e Tripadvisor reduziram a força de trabalho em 25%.

Chesky disse no mês passado que a receita neste ano deve cair para a metade do nível de 2019. A Booking foi obrigada a pedir ajuda do governo. Em relatório anual dos acionistas na semana passada, o CEO da Booking, Glenn Fogel, disse que a pandemia afetaria as viagens globais mais do que os ataques terroristas de 11 de setembro, a epidemia da SARS e a crise financeira de 2008 combinados.

“Vai demorar um pouco até que as pessoas comecem a atravessar fronteiras, entrar em aviões ou viajar a negócios”, disse Chesky. A grande questão que tem em mente agora, enquanto avalia um possível IPO da startup, é se o aumento recente das reservas vai se transformar em tendência sustentável. “A questão de longo prazo é como será em um ano ou cinco anos, e isso é realmente uma incógnita”, disse. Chesky não vai comemorar até que o mercado se estabilize. “Eu tinha uma regra de que, mesmo nas horas mais sombrias, não ficaria muito para baixo porque isso é apenas um momento no tempo”, disse. “E, se não posso ficar muito para baixo, então não posso ficar muito otimista.”

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