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Água, luz e internet: como os serviços básicos serão impactados pelo coronavírus

Foto: Rebeca Figueiredo Amorim/Getty Images

A pandemia de coronavírus tem obrigado muitos brasileiros a ficarem em casa como forma de evitar a propagação do Covid-19, seja em home office ou de licença do trabalho. Mas como os serviços básicos serão impactados por essa quarentena em escala nacional?

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As previsões mais otimistas falam em uma melhora na epidemia por volta de agosto ou setembro. Se até lá o cenário de quarentena e isolamento social se manter, indústrias inteiras podem ficar paralisadas. Escassez de produtos e serviços podem ser consequências desse período prolongado de inatividade econômica.

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A equipe do Yahoo entrou em contato com as agências, empresas privadas e estatais responsáveis pela distribuição de alguns dos serviços e bens de consumo mais essenciais para os brasileiros - água, energia elétrica, gás e telecomunicações - para saber como elas estão se preparando para este período de alta demanda.

Energia

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) demonstrou preocupação nesta semana com a proposta de alguns políticos - como Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro - de suspender as contas de luz por 60 dias.

"É fundamental que o equilíbrio econômico e financeiro do setor não seja afetado", declarou em nota a Abradee, que tem como associadas 41 distribuidoras, incluindo Enel, CPFL e outras, incluindo estatais brasileiras.

"O fluxo de recebimentos das faturas de energia compostas, além dos custos de distribuição, de parcelas de geração, transmissão, encargos e tributos estaduais e federais , que juntos somam mais de 80% dessa conta de luz, não pode ser interrompido, sob pena de inadimplência generalizada em todos os elos mencionados, especialmente para a arrecadação tributária aos Estados da União que contam com esses recursos, via tarifa, inclusive para suas ações na área de saúde."

A Enel, que distribui energia, entre outros estados, em São Paulo, maior foco de contaminação do coronavírus no Brasil, disse em nota ao Yahoo que "não há impactos no serviço de fornecimento de energia nas áreas de concessão da empresa no país e que o atendimento aos clientes também segue ocorrendo normalmente".

"A companhia orienta que os clientes priorizem os canais não presenciais de atendimento. Na Enel Distribuição São Paulo, os interessados podem acessar a agência virtual; baixar o aplicativo Android ou iOS; ou entrar em contato por meio da Central de Atendimento 0800 72 72 120."

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão que regula o trabalho das distribuidoras de energia no Brasil, como o da Enel, disse também em nota que colocou a maior parte de sua equipe em regime de home office e que, "mesmo com as medidas adotadas, o suprimento de energia elétrica está garantido".

Água

Embora algumas comunidades mais pobres no Rio de Janeiro, por exemplo, estejam sofrendo com falta de água mesmo em meio à pandemia, as fornecedoras garantem que o fornecimento continua em ritmo normal.

A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) disse em nota que "não tem conhecimento de interrupções no fornecimento dos serviços prestados pelas concessionárias reguladas, por conta do coronavírus", e que "todas as empresas estão aptas para fornecer seus serviços à população paulista".

Já a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) declarou que "por ser um serviço essencial, não haverá modificações no trabalho operacional, de forma a garantir pleno abastecimento e funcionamento de toda a infraestrutura de água e esgoto".

"A Sabesp ressalta que a população deve priorizar o atendimento pela Central de Atendimento, que atende gratuitamente durante 24 horas, nos números 0800-0550195 ou 195. Ou ainda pela Agência Virtual no www.sabesp.com.br ou no aplicativo para celulares e tablets iOS ou Android. A Sabesp também está presente nas redes sociais. Por meio de Facebook, Twitter, Instagram e LinkedIn, são divulgadas informações e dicas sobre os serviços da companhia e temas relacionados ao saneamento."

Gás

A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), considerada maior distribuidora de gás natural do Brasil, disse que também está oferecendo licença e home office à maior parte dos funcionários que podem ficar em casa, mas garantiu que o fornecimento não será atingido.

"O fornecimento de gás natural pela Comgás seguirá normalmente e sem impacto em razão da pandemia de coronavírus", disse a empresa em nota. "As áreas de operações, emergência e atendimento a clientes seguem operando. Permanecemos atentos aos protocolos estabelecidos pelas autoridades para evitar a propagação do coronavírus."

Internet e telecomunicações

Na Europa, empresas de tecnologia como Netflix e YouTube limitaram a velocidade do streaming para reduzir a demanda sobre a infraestrutura de internet. Mas, no Brasil, as provedoras e a agência reguladora do setor garantem que a rede não vai cair.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) enviou ofício às principais operadoras do Brasil orientando as seguintes medidas:

"Aumento de capacidade aos consumidores; abertura e ampliação de pontos wifi públicos; gestão da continuidade e qualidade dos serviços; prioridade de atendimento para serviços de utilidade pública, como hospitais; apoio à comunicação do ministério da saúde pelos meios disponíveis; acesso ao aplicativo Coronavirus – SUS, do Ministério da Saúde, sem desconto de franquia, dentre outras ainda em discussão."

A operadora Vivo disse que cumpriu a orientação de liberar o acesso gratuito ao aplicativo com informações sobre o Covid-19 do SUS e ainda anunciou outras medidas, como a abertura de canais para clientes de TV por assinatura e a suspensão de franquia para ferramentas de home office de clientes corporativos.

"Em momentos em que a distância física é recomendada, a Vivo, por meio da conexão, está atuando para atender a potencial demanda adicional que deve surgir. A empresa tem reforçado a capacidade de transmissão de dados de suas redes móvel e fixa e está preparada para este momento."

Já a operadora Claro disse em nota que "instalou um comitê de crise para avaliar, de forma contínua, a disponibilidade e capacidade da sua rede e serviços tendo em vista a evolução dos casos de Covid-19 no Brasil e o impacto das medidas preventivas adotadas pelos órgãos competentes".

A empresa disse também que aumentará gradativamente a velocidade da internet para todos os assinantes de sua banda larga fixa sem custo.

"A equipe técnica da Claro seguirá buscando todas as alternativas para garantir a melhor conectividade possível. A demanda adicional virá em período diurno, quando a rede costumava operar abaixo da capacidade, já que as pessoas estariam trabalhando ou na escola. Com isso, a operadora espera que as velocidades médias aumentem durante a manhã."

A Tim também prometeu aumentar a franquia de clientes das redes fixa e móvel e disse que "experiência do Grupo TIM na Itália vem sendo importante para antecipar e adaptar as ações necessárias e ir ao encontro das exigências do período de combate ao coronavírus no Brasil".

Em relação a problemas de acesso e fornecimento de internet, a Tim disse que responderia por meio do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Pessoal e Celular (SindiTelebrasil). A entidade, em nota, disse que está coordenando um comitê supervisor para monitorar a crise.

Entre as medidas impostas pelo sindicato está a de "plantão permanente de equipes de implantação, instalação, reparo e manutenção de rede e serviços, que vão operar de forma contínua para assegurar a continuidade dos serviços, resguardadas situações de risco à saúde de funcionários e clientes".

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