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AGU suspende promoção de 606 servidores ao topo da carreira

MATHEUX TEIXEIRA E BERNARDO CARAM
·2 minutos de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após repercussão negativa, a AGU (Advocacia-Geral da União) suspendeu a promoção de 606 integrantes do órgão ao topo da carreira. A AGU revogou a decisão de 18 de setembro que havia elevado 92% dos membros da Procuradoria-Geral Federal ao ponto mais alto da categoria, com salário mensal de R$ 27.303. A remuneração inicial é de R$ 21.014. Depois da divulgação da notícia do acréscimo salarial dos 606 servidores públicos em meio à reforma administrativa, a AGU justificou que as promoções são realizadas semestralmente e com base em dois critérios: antiguidade e merecimento. Agora, no entanto, o coordenador-geral de Pessoal da Advocacia-Geral da União, Watson Oliveira, determinou a suspensão devido aos “questionamentos suscitados com a publicação do referido ato”. Em ​nota publicada na quarta-feira (23), a AGU havia informado que existem hoje 3.738 cargos de procurador federal ocupados. Do total, 3.489 estão na categoria especial, o nível mais alto. Apenas 249 se encontram na primeira categoria. A AGU argumenta que o quadro da carreira prevê um total de 4.362 membros. Isso significa que parte das cadeiras está desocupada atualmente. Com isso, o órgão afirma que a proporção de procuradores no topo da carreira é de 79%. A celeuma surgiu em meio às articulações do governo para aprovar uma reforma administrativa no Congresso que prevê cortes de benefícios ao funcionalismo. Entre os pontos da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), está a proibição de progressões automáticas de carreira, como as gratificações por tempo de serviço. A medida também proíbe licenças-prêmio, férias superiores a 30 dias e reajustes salariais retroativos. O governo também propôs a redução das remunerações de entrada no serviço público e a ampliação do número de faixas de salário para evolução ao longo da carreira. Esses pontos devem ser tratados em projetos que serão apresentados em um segundo momento.​ O texto também abre caminho para reduzir o número de carreiras no serviço público e acabar com a estabilidade na maior parte dos postos. As modalidades de contratação serão ampliadas, com maior flexibilidade para a convocação de funcionários com vínculo mais frágil e de temporários.