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Síndrome de Boazinha? Talvez você esteja sofrendo com ela

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura
natural female with red hair and freckles
Pessoas com uma necessidade intensa de agradar podem se sentir pressionadas a saírem de casa quando ainda não estão prontas para isso (Foto: Getty Creative)

A casa tem que estar sempre limpa, é o que diz a sua mãe. Um happy hour virtual ali, um filme visto pelo Zoom aqui, um café da manhã pelo Google Meets no fim de semana.

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Um convite para uma caminhada que surge alguns dias depois, outro para uma visita de alguém querido acolá, fora os seus avós, que imploram por algumas horinhas ao vivo também. Isso tudo, sem contar o trabalho, que tem que estar em dia - e as reuniões presenciais voltaram a acontecer. Tudo isso no meio de uma pandemia de coronavírus que ainda parece longe de acabar (ao contrário do que pensam algumas pessoas por aí).

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Se, no começo do isolamento social, a pressão era por ter dias produtivos dentro de casa, agora ela mudou de lugar: a pressão é por agradar todo mundo ao mesmo tempo. Uma tarefa não só impossível como hercúlea - o esforço pode tirar o sono de qualquer um, se desconsiderarmos o fato de que o caos se desenrola lá fora e isso, por si só, é motivo o suficiente para insônia.

Esse desejo por agradar tem um nome (e já adiantamos que você não vai gostar): Síndrome de Boazinha. "É uma necessidade constante em não desagradar", explica a psicóloga Daniela Faertes. "As causas disso, normalmente, tendem a ser algumas faltas durante a infância, como falta de afeto, cuidado e amor, que faz com que, na vida adulta, a pessoa queira 'comprar' o amor do outro."

Essa bagagem emocional faz com que a pessoa tenha dificuldade em dizer "não" - e se sinta até desconfortável negando algo a alguém. Para a pessoa que sofre de Síndrome de Boazinha, agradar gera um benefício mental e sentimental muito grande.

"Ser agradável é sempre útil, passando por cima das próprias necessidades. Quem apresenta essa característica também não consegue fazer críticas, nem as construtivas. É como se tivesse um medo constante da possibilidade de ser rejeitada, abandonada ou que o outro possa não gostar dela", continua a profissional.

O que a Síndrome de Boazinha tem a ver com a pandemia?

De acordo com a psicóloga, em momentos de grande vulnerabilidade ou estresse, as nossas crenças centrais mais disfuncionais acabam aparecendo. Por isso, quando estamos confinados e isolados em nossas casas, as crenças de não ser rejeitado ou abandonado podem ser mais ativadas.

"A pessoa se sente com mais necessidade de não desagradar", diz Daniela. "Ela acaba assumindo vários compromissos e isso a sobrecarrega. O momento de pandemia ativa isso porque, como essa vontade de agradar é baseada em questões de abandono e solidão, pode deixar essa solidão mais em voga."

E como identificar se você faz parte do grupo de pessoas que anda com essas sensações afloradas? Basta olhar para a sua própria mente. Você pensa coisas do tipo "como eu faço para as pessoas não esquecerem de mim" e "como me faço necessária para os outros"? Então, bem-vindo à Síndrome de Boazinha.

Identificá-la não é difícil, assim como a pressão por agradar, mas é preciso observar a si mesmo para entender como você tem reagido às situações que se apresentam.

"Da mesma forma que cada pessoa teve um olhar específico sobre o isolamento, a flexibilização também é vista de uma maneira muito específica, de acordo com os próprios medos, valores e crenças sociais", continua Daniela. "Então, às vezes, os outros ao redor querem alguma coisa e aquela pessoa não acha que deveria ser dessa forma, mas se ela tiver a Síndrome da Boazinha, vai acabar fazendo para não desagradar."

Melancholy woman resting at the terrace
Um ponto importante é tornar a negativa sobre si mesmo e não sobre o outro: "eu não me sinto pronto para isso" ao invés de "isso não deveria acontecer"(Foto: Getty Images)

Está tudo bem em não agradar todo mundo

A maior dificuldade das pessoas que querem agradar é a dificuldade em dizer "não". Segundo essa forma de pensar, a negativa é igual a desagradar alguém, e essas pessoas buscam sempre aprovação - ou seja, negar um pedido significa ser desaprovado.

Uma maneira de fazer isso, portanto, sem desencadear essas sensações é buscar fazer a negativa girar em torno de você e não do outro. Se uma amiga convida você para um jantar na casa dela, dizendo que vão "apenas seis pessoas", você tem duas opções. A mais reativa talvez seja "eu não acho que deveria ter jantar", porém, a mais assertiva e que contorna as decorrências da resposta anterior é: "eu ainda não me sinto confortável para ir".

"Quando se refere ao próprio sentimento, fica mais fácil até de o outro refutar. E o convidado não faz uma crítica. É uma maneira delicada falar na primeira pessoa.", explica a psicóloga.

Independentemente de como está a situação do país em relação ao coronavírus, fato é que os governos de muitos estados já avançaram na flexibilização da quarentena e, aos poucos, as pessoas estão retomando atividades fora de casa. Em algum momento, essa flexibilização será total e quando a vacina vier, essa nem mesmo será uma questão na mente das pessoas. Por isso, a profissional recomenda também retomar essa movimentação aos poucos.

"A ideia da retomada de atividade de forma confortável vai de acordo com o medo e o estado emocional", diz. "Para quem tem muito medo, sempre vai ser um pouco desconfortável. Sugiro que a pessoa se exponha, aos poucos, a situações que sinta que é menos desagradável para ela. A ideia é retomar as coisas até o ponto em que elas se sintam minimamente confortáveis, tomando os devidos cuidados, e, daí, se expandir para outras situações 'maiores'."