Agenda da política econômica precisa mudar, diz Langoni

O crescimento brasileiro nos últimos dois anos é desapontador e embora a perspectiva para 2013 seja melhor é preciso "mudar a agenda de política econômica", atacando questões estruturais, como a carga tributária. A avaliação foi feita nesta segunda-feira por Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central e diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV). "O foco deve estar nos investimentos", disse Langoni, na abertura do seminário Reavaliação do risco Brasil, promovido pelo Centro de Economia Mundial da FGV no Rio de Janeiro.

Segundo o economista, incertezas relacionadas à agenda da política econômica afastam investimentos privados. "Estamos ou não perdendo a batalha das expectativas sobre a economia?", perguntou Langoni, destacando que, nos últimos seis meses, a divergência entre as visões sobre a economia do mercado e do governo ficou muito grande, o que é "preocupante" quando se trata da estratégia da política econômica. Há dúvidas sobre a manutenção das metas de inflação e o caráter flutuante do câmbio.

Para Langoni, a atual política econômica traz ainda aumento do risco regulatório. O economista citou como exemplos o setor de petróleo e gás, que "há quatro ou cinco anos" debate regras enquanto investimentos são represados, e o setor elétrico, alvo recente do governo na estratégia de reduzir o custo da eletricidade. "O setor privado é quem vai resolver a obsolescência da infraestrutura, mas para isso é preciso ter regras claras e retornos adequados", disse Langoni.

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