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Agência europeia aprova orçamento com +17% para se manter na corrida espacial

A Agência Espacial Europeia (ESA) aprovou nesta quarta-feira (23) um orçamento de 17 bilhões de euros (soma similar em dólares) para os próximos três anos – informou o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire.

Este valor significa uma forte alta, de 17%, mas inferior aos 18,5 bilhões de euros reivindicados por seu diretor-geral, Josef Aschbacher.

As principais rubricas orçamentárias do montante aprovado pelos 22 países-membros da ESA serão destinadas a programas de exploração espacial, de observação da Terra e de fabricação de ônibus espaciais.

É um "grande sucesso", celebrou o ministro francês, para quem o orçamento está "acima das expectativas".

A França contribuiu com 3,25 bilhões de euros. Ainda não foram divulgadas as contribuições dos demais países.

"Levando-se em consideração o nível de inflação, estou muito impressionado com este resultado", disse Aschbacher, garantindo que o orçamento votado é "necessário para não perder o bonde" diante da forte concorrência americana e chinesa.

O Velho Continente não quer ficar atrás da China, nem dos Estados Unidos, países que investem somas colossais em suas atividades espaciais, sobretudo, na exploração.

A ESA pretende se manter como uma das organizações mais poderosas do setor, em meio à revolução do “Novo Espaço” (do inglês "New Space"), a nova corrida espacial marcada pela multiplicação de atores privados, tendo a empresa americana SpaceX à frente.

- Nova promoção de astronautas -

Se a ESA obtiver os recursos necessários, estes serão destinados à observação da Terra (3 bilhões de euros); ao transporte espacial, principalmente, para a aeronave Ariane 6 (3,3 bilhões); ou à exploração humana e robótica do espaço (3 bilhões).

E quase todas as rubricas orçamentárias da ESA vão aumentar, à exceção dos programas científicos (3 bilhões de euros), que receberão apenas o reajuste da inflação.

As negociações se anunciam difíceis, sobretudo, no que diz respeito ao dinheiro destinado aos foguetes, uma questão crucial para que a UE tenha uma política espacial autônoma.

A soberania europeia se fragilizou com o atraso no projeto Ariane 6, considerado uma resposta à SpaceX, e com a guerra na Ucrânia, que privou a agência europeia dos foguetes russos Soyuz.

Nesse contexto, a ESA teve, inclusive, de recorrer aos serviços da empresa de Elon Musk para lançar duas missões espaciais.

A questão dos foguetes costuma ser alvo de atritos entre França, Alemanha e Itália, reconhece Philippe Baptiste, presidente da CNES, a agência espacial francesa.

Esses três países finalmente chegaram a um acordo para garantir a futura exploração dos foguetes Ariane 6 e de sua irmã caçula, Vega-C.

A agência também anunciou sua nova promoção de astronautas, que inclui três homens e duas mulheres, escolhidos entre quase 23 mil candidatos. Esta seleção é uma continuação da que foi feita em 2009 e que gerou uma verdadeira loucura por aventura espacial entre os jovens europeus.

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