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Agência Espacial Europeia está trabalhando em trajes espaciais mais higiênicos

·3 minuto de leitura

Recentemente foram comemorados os 60 anos da primeira vez em que um ser humano alcançou o espaço, feito realizado pelo cosmonauta Yuri Gagarin. De lá para cá, muita coisa mudou e evoluiu na exploração espacial — boa parte impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico. Mas ainda existem alguns detalhes, digamos, mais íntimos, que carecem de melhorias, e estamos falando das roupas de baixo usadas pelos astronautas, que precisam de inovações tecnológicas para se manterem realmente limpas enquanto eles se aventuram em missões espaciais — especialmente as futuras de longo prazo.

Pensando nisso, a Agência Espacial Europeia (ESA) iniciou um novo projeto denominado "Tecnologia de revestimento biocida avançada para reduzir a atividade microbiana" (BACTeRMA), contaqndo com um tecido capaz de matar bactérias.

Na época dos ônibus espaciais — que durou de 1981 a 2011 —, cada astronauta recebia sua própria Unidade de Mobilidade Externa (EMU, sigla em inglês), que é o nome técnico para se referir ao traje espacial. No entanto, quando os tripulantes chegavam à Estação Espacial Internacional (ISS), precisavam compartilhar alguns trajes, criados em tamanhos padronizados. Para ir ao espaço, é necessário vestir algumas peças especiais, como: fralda descartável, chamada de Roupa de Absorção Máxima”; em seguida, a Roupa de interior de conforto térmico; e depois, o traje de resfriamento e ventilação líquida (LCVG), responsável por manter o astronauta fresco e confortável durante seu trabalho espacial.

O astronauta Thomas Pesquet, da ESA, vestindo seu traje da Unidade de Mobilidade Externa (Imagem: Reprodução/NASA/Robert Markowitz)
O astronauta Thomas Pesquet, da ESA, vestindo seu traje da Unidade de Mobilidade Externa (Imagem: Reprodução/NASA/Robert Markowitz)

O problema é que o traje LCVG é utilizado por diversas pessoas e a ESA já pensa no aumento desta demanda de reutilização quando a futura estação espacial Gateway for estabelecida na órbita lunar. E foi pensando nessa partilha a longo prazo que a agência europeia deu início ao seu projeto de traje espacial BACTeRMA.

A engenheira de materiais da agência, Malgorzata Holynska, explica que a roupa interior está sujeita à contaminação biológica e isto pode oferecer riscos em voos de longa duração. Ela acrescenta: “então este projeto de desenvolvimento inicial de tecnologia é um complemento útil, olhando para pequenas moléculas matadoras de bactérias que podem ser úteis para todos os tipos de tecidos de voo espacial”.

Segundo o especialista de vida da ESA, Christophe Lasseur, a higiene é uma preocupação constante para os tripulantes a bordo da ISS. Durante sua estadia no espaço, o astronauta usa as roupas em dias alternados, até serem descartadas. O projeto BACTeRMA busca pelo método padrão de prevenção de contaminação biológico e, para isso, se vale de materiais antimicrobianos, como prata e cobre — pois esses elementos, na presença de água ou oxigênio, afetam o funcionamento destes organismos. “O problema é que seu uso a longo prazo pode provocar irritação na pele, enquanto os próprios metais podem manchar com o tempo”, diz Seda Özdemir-Fritz Bacterma, cientista do projeto no Fórum Espacial Austríaco (OeWF).

Pensando em alternativas, a equipe responsável pelo projeto BACTeRMA desenvolve a colaboração com o Vienna Textile Lab, uma empresa têxtil que desenvolve tintas usando bactérias. O interessante é que os microrganismos usados neste processo produzem o que é chamado de metabólitos secundários, que seriam os compostos tipicamente coloridos; e alguns deles apresentam características peculiares, como ação antimicrobiana, antiviral e antifúngica. Em outras palavras, são micróbios que matam outros micróbios.

Entretanto, a equipe ainda analisará o material para uso de acabamento têxtil antimicrobiano. O OeWF e o Vienna Textile submeterão os tecidos a testes que envolvem exposição a radiação e transpiração, bem como uma poeira lunar análoga para simular missões na superfície de outros mundos.

Imagem microscópica do técido (Imagem: Reprodução/OeWF)
Imagem microscópica do técido (Imagem: Reprodução/OeWF)

O projeto BACTeRMA será desenvolvido ao longo dos próximos dois anos e é o resultado da cooperação entre o OeWF e Vienna Textile Lab, como parte da Plataforma de Inovação em Espaço Aberto, da ESA, a qual busca ideias inovadoras na área de pesquisa espacial.

Fonte: Canaltech

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