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Afroempreendedorismo cultural exige criatividade, autoconfiança e dedicação de mulheres negras

·5 minuto de leitura
Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal
  • O setor cultural e a economia criativa movimentam R$ 171,5 bilhões por ano, em média, o equivalente a 2,61% de toda a riqueza nacional, empregando 837,2 mil profissionais

  • O setor foi um dos mais impactados pela pandemia e engloba artes plásticas, artesanato, literatura, dança, música, gastronomia, entre outros

  • Apagamento do trabalho de afroempreendedoras culturais pode ser driblado com a manutenção de uma rede de apoio

Texto: Caroline Nunes

“O empreendedorismo cultural é feito e encabeçado por mulheres negras, mas não são elas que colhem os louros de seu trabalho. Com a pandemia, a situação se intensificou”, é o que diz a ativista e empreendedora social Priscila Gama, presidente do Instituto das Pretas.

O setor cultural e a economia criativa movimentam R$ 171,5 bilhões por ano, em média, o equivalente a 2,61% de toda a riqueza nacional, empregando 837,2 mil profissionais. Antes da pandemia, esses segmentos tinham previsão de gerar R$ 43,7 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) até 2021, segundo a pesquisa ‘Percepção dos Impactos da Covid-19 nos Setores Culturais e Criativos do Brasil’. Com a crise sanitária, o grupo mais afetado foi o de mulheres negras: 36% das afroempreendedoras fecharam suas empresas ou pararam seus negócios principalmente pela falta de infraestrutura para conseguir realizar serviços.

Uma pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) sobre o empreendedorismo feminino no Brasil também apontou que 48% das empreendedoras do Brasil são negras, mas apenas 2% alcançam locais de destaque no nicho cultural ou conseguem financiamento de projetos com a Lei Rouanet, por exemplo. Isso acontece, de acordo com a análise, pela falta de incentivo às iniciativas tocadas por afroempreendedoras e também pela ausência de conhecimento de possíveis patrocinadores.

A chef Aline Guedes, professora e participante do reality Mestres do Sabor 2021, explica a responsabilidade das afroempreendedoras. “A mulher negra, quando empreendedora cultural, tem como papel dar suporte às narrativas e atividades que enalteçam e favoreçam a preservação da cultura afro brasileira, junto ao resgate da ancestralidade dos nossos antepassados”, ressalta.

Meios para se destacar

“Uma afroempreendedora cultural deve estar atenta a assuntos diversos, tais como artes plásticas, artesanato, literatura, dança, música, gastronomia, entre outros. Assim como assuntos que a permitam gerenciar empresas deste setor, como marketing, administração e, atualmente, um bom suporte de conhecimentos relacionados ao ambiente das redes sociais, que tanto têm contribuído para a divulgação e desenvolvimento de projetos diversos”, diz Aline.

Chef Aline Guedes (Foto: Acervo Pessoal)
Chef Aline Guedes (Foto: Acervo Pessoal)

Já a presidente do Instituto de Pretas, Priscila Gama, destaca que comunicação e planejamento estratégico são necessários para que a empreendedora cultural encontre meios de sobreviver. A especialista ainda avalia que uma dose de autoconfiança também contribui para um posição de destaque, desde que na medida. “Acreditar em si mesma sem alimentar o ego, observando o que está ao redor para entender como o mercado funciona”, pondera.

A educação financeira nesse nicho também é um assunto de suma importância para o crescimento, de acordo com Priscila. “O conhecimento desenvolve na empreendedora as práticas de estratégia, que se conectam com a ideia distante e vão até a realização deste projeto”, aponta Priscila.

Já Aline ressalta que a educação voltada para afroempreendedoras significa autonomia e independência no gerenciamento de projetos e ações. Contudo, a chef pondera que o sucesso está além dos conhecimentos teóricos. Para ela, a vivência, a pesquisa e o enaltecimento de culturas que sofreram apagamentos no decorrer da história são bons pontos de destaque para a afroempreendedora cultural se apegar.

“Esse diferencial de qualquer empreendedora, junto ao direcionamento de seus objetivos, que permitam maior foco, de forma humanizada e ética, potencialmente são pontos que favorecem o sucesso deste segmento”, comenta.

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Avanço coletivo

Priscila Gama explica que o apagamento do trabalho de uma afroempreendedora cultural pode ser driblado com a manutenção de uma rede de apoio. Para ela, trabalhar com mulheres negras e contratar essas profissionais são formas de potencializar o valor do ofício das afroempreendedoras.

Priscila Gama, presidente do Instituto das Pretas(Foto: Acervo Pessoal)
Priscila Gama, presidente do Instituto das Pretas(Foto: Acervo Pessoal)

“É escrever em conjunto a mesma página do livro. Mesmo que nessa rede existam mulheres que já se destacam no nicho, bem como profissionais iniciantes, em conjunto, é possível retroalimentar essa produção e fazer, literalmente, ‘o caldo engrossar’ sempre”, pondera.

A chef Aline Guedes complementa que outra estratégia para alcançar o destaque é compreender que o afroempreendedorismo cultural também serve como ferramenta de resistência da vivência feminina e negra, que é apagada e silenciada no Brasil.

“Acredito que a cultura neste país, assim como alguns outros temas de discussão relacionados, têm sido por sua simples promoção, uma forma de resistência. Devemos seguir na luta pela preservação e valorização de culturas que sofreram apagamento e que por uma estrutura de discriminações, segue sendo desvalorizada. Uma forma de promover essa nova reflexão acerca do empreendedorismo cultural pode ser essa”, avalia a chef.

Priscila Gama finaliza ressaltando a importância do estudo nos processos de crescimento da afroempreendedora cultural. “Conhecimento é única coisa que não tiram da gente. Alimentar e semear a mente é nutrir com conteúdos que ensinam como empreender e de que maneira é possível criativizar o trabalho. É a principal fórmula mágica”, diz.

Iniciativas voltadas para o empreendedorismo cultural

Com atuação há seis anos no estado do Espírito Santo, o Instituto Das Pretas é um laboratório de inovação social que atua no enfrentamento às violências contra a juventude e às mulheres negras através da construção de soluções de impacto social nas áreas da cultura, da educação, do empreendedorismo e da tecnologia. o Instituto irá relançar uma de suas maiores idealizações na próxima segunda-feira (2): A Rede Fortalece de Empreendedorismo Periférico.

A ação amplia projetos anteriores por meio de cursos EAD e contém desafios e jornadas de orientação para grupos de empreendedores com aulas exclusivas, monitorias e outros conteúdos. Para saber mais, acesse o site oficial.

Além disso, o projeto Preta Comprando de Preta oferece a primeira mentoria independente, sem apoio ou patrocínios, com enfoque em mulheres pretas e indígenas do setor da gastronomia e confeitaria. O encontro está marcado para o dia 11 de agosto, às 18h30, com 2h30 de duração. É possível garantir o ingresso no perfil oficial do projeto no Instagram.

A iniciativa Urban Work the Responsa é uma plataforma cultural e social que oferece curso de formação de DJs voltado para a inclusão e diversidade. Para saber mais ou se inscrever nas oficinas de discotecagem, basta acessar o Instagram do projeto. Outra ação voltada para o empreendedorismo cultural é o Coolhunter Favela Lab, que tem foco em pesquisas etnográficas, voltadas para localizar e decodificar tendências e movimentos populares brasileiros. Nas redes sociais da iniciativa é possível saber mais informações.

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