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Afinal, o agro é pop? Entenda o setor do agronegócio no Brasil

·7 min de leitura
Farmer with hat looking the coffee plantation field
Apesar dessa importância na roda da economia do Brasil, liderando com folga o produto interno bruto do País, o agronegócio ainda é visto de forma pejorativa ou pouco real por muitas pessoas
  • O agro responde por quase 50% do total de exportações feitas pelo Brasil

  • PIB do País foi de R$ 7,45 trilhões em 2020. O do agro, R$ 2 trilhões

  • China bateu os R$ 31 bilhões de importações no setor

Não é exagero quem diz que o agronegócio é o motor da economia brasileira. Setor desenvolvido com força no Brasil ao longo dos últimos 40 anos, com especial tração nas últimas duas décadas por conta de grandes parceiros comerciais internacionais, o agro já abocanha cerca de 26,6% do PIB nacional, de acordo com dados econômicos de 2020.

É um volume imenso pensando na roda da economia brasileira. Em valores totais, para efeito de comparação, o PIB do País foi de R$ 7,45 trilhões em 2020. O do agro, R$ 2 trilhões. E é uma fatia que só cresce, ano a ano. Em 2019, a participação do agronegócio no PIB brasileiro foi de 20,5%, registrando um crescimento recorde de um ano pro outro.

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“O agronegócio vive um momento mágico no Brasil, com produção recorde e preços recordes, justamente pelo aumento dos preços internacionais das ‘commodities’ em dólar, que estão no nível mais alto dos últimos sete anos. Dá um resultado em reais bastante grande”, diz Marcos Fava Neves, diretor técnico da Sociedade Nacional de Agricultura.

Celeiro do mundo

E um dos grandes responsáveis por esse valor está além das fronteiras. Afinal, apesar da população de mais de 210 milhões de habitantes, muito dessa produção não fica no País. O agro responde por quase 50% do total de exportações feitas pelo Brasil, podendo bater na casa dos US$ 100 bilhões este ano, segundo analistas ouvidos pelo Yahoo! Finanças.

“O Brasil tem quantidades imensas de terra. No entanto, ao contrário de Estados Unidos, Rússia e China, tem possibilidade de explorá-las por causa do clima e da fertilidade do solo”, comenta o agrônomo Carlos Souza, da Universidade de Brasília (UnB). “Com isso, os países acabam escoando demanda para o Brasil, que produz com folga em escala global”.

Hoje, a China continua sendo a principal responsável pelas exportações, batendo os R$ 31 bilhões de importações. Estados Unidos, em segundo lugar, fica com R$ 7,1 bilhões. O alimento produzido em solo brasileiro já alimenta 1,5 bilhão de pessoas no globo. Esse ar de “celeiro do mundo” acontece justamente pelos preços mais acessíveis do setor no País.

Abaixo, confira a lista dos dez maiores exportadores do agronegócio brasileiro, de acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa):

  1. China: US$ 31,01 bilhões

  2. Estados Unidos: US$ 7,1 bilhões

  3. Países Baixos: US$ 3,9 bilhões

  4. Japão: US$ 3,3 bilhões

  5. Irã: US$ 2,2 bilhões

  6. Espanha: US$ 2,1 bilhões

  7. Alemanha: US$ 2,1 bilhões

  8. Hong Kong: US$ 2,1 bilhões

  9. Coreia do Sul: US$ 2 bilhões

  10. Bélgica: US$ 1,9 bilhões

“Quando falamos em agronegócio, temos um punhado de termos e expressões batidos. É o ‘motor da economia’ do Brasil, é o ‘celeiro do mundo’, e mais uma série de outras conversas e descrições”, diz Juliana Mafra, pesquisadora na área e com foco em agricultura familiar. “Mas é isso mesmo. Não dá para falar com meias palavras. O Brasil é destaque absoluto”.

O que é o agronegócio?

Apesar dessa importância na roda da economia do Brasil, liderando com folga o produto interno bruto do País, o agronegócio ainda é visto de forma pejorativa ou pouco real por muitas pessoas, como se fossem apenas homens do campo arando terras. Hoje, esse setor envolve uma grande cadeia de atividades, extrapolando o simples cultivo de terras.

“Não dá mais para pensarmos no agronegócio apenas como uma família simples preparando terra e vendendo frutas, sementes, verduras”, diz o professor Ezequiel Silva, especialista em agro. “Temos a produção e o cultivo, sim. Mas também há demanda de adubos, maquinário, tecnologia e startups, além de industrialização de produtos do campo”.

Hoje, todos os setores do agronegócio estão em alta. De acordo com o Comunicado Técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os destaques ficam para o setor primário (56,59%), seguido por agrosserviços (20,93%), agroindústria (8,72%) e insumos (6,72%).

Corn Harvester dropping Corn on the Truck. One farm worker is supervising the drop.
O País é hoje o maior exportador de açúcar, café, suco de laranja e soja em grãos; e o terceiro maior de milho

“No entanto, apesar desse avanço do agronegócio como um todo, não dá para dissociarmos a importância do grão”, afirma Ezequiel. “Pensando no setor da agropecuária como um todo, a soja hoje responde por R$1,00 de cada R$4,00 da produção do setor no Brasil. O milho gera ganhos de R$ 47,4 bilhões, enquanto o café rende R$ 28,5 bilhões”.

Por fim, destaca-se a presença global do Brasil no setor. O País é hoje o maior exportador de açúcar, café, suco de laranja e soja em grãos; e o terceiro maior de milho. É também o maior produtor mundial de café e suco de laranja; o segundo na produção de açúcar e soja; e o terceiro na produção de milho. “O Brasil tem seu lugar de destaque no agro”, finaliza.

Mercado de trabalho do agronegócio

Com tamanha importância na economia, o agro não poderia seguir um caminho diferente na geração de empregos. O setor absorve 1 em cada 3 trabalhadores. Nos números mais recentes do setor nesse sentido, de 2015, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 32,3% (30,5 milhões) do total de 94,4 milhões de trabalhadores brasileiros eram do agro.

Desses, 13 milhões (42,7%) em agropecuária; 6,43 milhões (21,1%) no comércio do setor, 6,4 milhões (21%) focados em agrosserviços e 4,64 milhões (15,2%) na agroindústria.

“Muitas pessoas pensam no Brasil de duas formas: ou as grandes cidades e centros urbanos, como Rio, São Paulo, Curitiba, Recife, Belo Horizonte. Ou, então, aquela visão arcaica e preconceituosa de um País mais florestal, antigo”, diz Juliana Mafra ao Yahoo! Finanças. “No entanto, o coração do Brasil é o agronegócio, o campo, a zona rural”.

A Forbes fez um levantamento baseado em demonstrativos financeiros das empresas, da agência Standard & Poor’s, da CNA e da empresa de informações financeiras Economática para determinar as maiores empresas do setor. Em 2020, JBS tinha a medalha de ouro, com a Raízen Energia e Cosan completando o pódio. Ambev, Marfrig e Cargill em seguida.

“Só não podemos esquecer da agricultura familiar. Aquelas pessoas que cultivam em pequenas áreas, geralmente com poucos ou nenhum funcionário. É uma unidade do agronegócio que está crescendo em importância”, diz Juliana, que trabalha com pesquisas e análises nesta área. “As grandes empresas exportam. As famílias alimentam o Brasil’.

Confira, abaixo, um demonstrativo do ranking, com as 15 empresas mais bem colocadas:

  1. JBS, com R$ 204,5 bilhões de receita.

  2. Raízen Energia, com R$ 120,6 bilhões.

  3. Cosan, com R$ 73,0 bilhões.

  4. AMBEV, com R$ 52,6 bilhões.

  5. Marfrig Global Foods, com R$ 48,8 bilhões.

  6. Cargill Agrícola, com R$ 48,7 bilhões.

  7. Archer Daniels Midland, com R$ 48,7 bilhões.

  8. Bunge Alimentos, com R$ 37,6 bilhões.

  9. BRF, com R$ 33,5 bilhões.

  10. Copersucar, com R$ 29,9 bilhões.

  11. Suzano, com R$ 26,0 bilhões.

  12. Cofco International Brasil, com R$ 23,8 bilhões.

  13. Louis Dreyfus, com R$ 20,6 bilhões.

  14. Amaggi, com R$ 18,8 bilhões.

  15. Minerva Foods, com R$ 17,1 bilhões.

Vale ressaltar que, dessas 15 empresas, cinco delas são estrangeiras, mostrando novamente a força do Brasil no mercado global. “A gente tem multinacionais aqui faturando na casa dos R$ 50 bilhões”, diz a analista Raffaela Montano, analista do setor, se referindo aos ganhos da Cargill. “Não só temos esses números fortes de exportação, como temos empresas grandes que começam a se destacar por aqui, elevando a presença estrangeira”.

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