Mercado fechado
  • BOVESPA

    111.439,37
    -2.354,91 (-2,07%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.307,71
    -884,62 (-1,69%)
     
  • PETROLEO CRU

    71,96
    -0,65 (-0,90%)
     
  • OURO

    1.753,90
    -2,80 (-0,16%)
     
  • BTC-USD

    48.461,38
    +1.055,04 (+2,23%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.193,48
    -32,05 (-2,62%)
     
  • S&P500

    4.432,99
    -40,76 (-0,91%)
     
  • DOW JONES

    34.584,88
    -166,44 (-0,48%)
     
  • FTSE

    6.963,64
    -63,84 (-0,91%)
     
  • HANG SENG

    24.920,76
    +252,91 (+1,03%)
     
  • NIKKEI

    30.500,05
    +176,71 (+0,58%)
     
  • NASDAQ

    15.282,75
    -226,75 (-1,46%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,1994
    +0,0146 (+0,24%)
     

Afinal, existe um "gene gay" no DNA humano? Veja o que diz a ciência

·5 minuto de leitura

As primeiras sequências do genoma humano somente foram publicadas em fevereiro de 2001, ou seja, este ainda é um campo novo para a ciência e muitas descobertas são necessárias. Inclusive, um dos desafios é não limitar o estudo genético apenas às populações brancas, o que acontece na maioria das vezes. Nesse cenário, pesquisadores ainda estão longe de compreender as sutilezas da relação entre os genes, mas é possível adiantar que, até hoje, não foi encontrado nada como um "gene gay" no DNA humano.

Não é porque não foi possível encontrar essas evidências que pesquisas não buscam explicações científicas para o comportamento da sexualidade. No entanto, ligar um comportamento complexo à genética é extremamente difícil e a tecnologia atual parece estar longe dessa realidade. Recentemente, duas pesquisas reacenderam o debate sobre a questão.

Pesquisas investigam o DNA humano buscando marcadores genéticos da homossexualidade (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato)
Pesquisas investigam o DNA humano buscando marcadores genéticos da homossexualidade (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato)

No caso da homossexualidade, a principal ideia é que ela envolva tanto aspectos hereditários (os genes) quanto comportamentais. Por exemplo, uma pesquisa da Universidade de Boston, feita na década de 1990, sugeriu que gêmeos idênticos são mais propensos a compartilhar uma mesma orientação sexual do que gêmeos bivitelinos (fraternos) ou irmãos adotivos. Isso parece indicar que há existência de fatores genéticos na questão.

Pesquisa sobre a genética da homossexualidade

Para alguns biólogos, a genética da homossexualidade pode ser um paradoxo. Isso porque, em tese, pessoas que se atraem por outras pessoas do mesmo sexo, provavelmente, não terão filhos biológicos. Dessa forma, genes que predispõem as pessoas à homossexualidade, raramente, seriam transmitidos às gerações futuras. No entanto, estudos feitos tanto em humanos quanto em animais já demonstraram que a homossexualidade é um fato.

Publicado por pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, um novo estudo identificou alguns padrões genéticos que podem estar associados ao comportamento homossexual. No entanto, esses mesmos padrões, quando observados em outros grupos, podem auxiliar as pessoas a encontrarem parceiros de sexo diferente e, consequentemente, a se reproduzirem.

Segundo os autores do artigo publicado na revista Nature Human Behavior, essa descoberta pode ajudar a explicar o porquê dos genes que predispõem as pessoas a terem relações com pessoas do mesmo sexo poderem continuar a ser transmitidos. No entanto, está análise está longe do consenso científico.

Entendendo o estudo

A pesquisa foi liderada pelo geneticista evolucionário Brendan Zietsch, da Universidade de Queensland. No levantamento, foram usados dados genéticos de um extenso estudo do governo britânico sobre genética, o UK Biobank, e dados de uma empresa norte-americana de testes genéticos, a 23andMe. Por isso, todos os participantes moravam nos EUA ou no Reino Unido e eram descendentes de europeus, em algum nível.

Outro fator limitante do estudo é que esses participantes foram perguntados apenas se já tinham feito sexo com outras pessoas do mesmo sexo e o número de parceiros sexuais. A partir dessa pergunta, 477.522 pessoas disseram ter feito sexo pelo menos uma vez com alguém do mesmo sexo e outras 358.426 pessoas que disseram que só fizeram sexo com pessoas do sexo oposto. Em nenhum momento, os participantes foram perguntados sobre a sua orientação sexual — gay, lésbica ou bissexual. No levantamento, também não foram consideradas pessoas transsexuais ou intersexuais.

A partir de pesquisas anteriores e da nova análise, os cientistas australianos observaram que pessoas que tiveram pelo menos um parceiro do mesmo sexo tendem a compartilhar padrões com pequenas diferenças genéticas espalhadas por todo o genoma. Entretanto, nenhuma dessas variações parecia afetar o comportamento sexual por si só, apoiando pesquisas anteriores que não encontraram nenhum sinal do "gene gay".

Apenas parte do comportamento homossexual pode ser explicada pela genética, segundo pesquisa (Imagem: Reprodução/Sharon McCutcheon/Pexels)
Apenas parte do comportamento homossexual pode ser explicada pela genética, segundo pesquisa (Imagem: Reprodução/Sharon McCutcheon/Pexels)

Em seguida, Zietsch procurou testar se esses padrões genéticos poderiam fornecer uma vantagem evolutiva. De acordo com a equipe, aqueles que mantiveram apenas relações com pessoas do sexo oposto e que tiveram vários parceiros tendiam a compartilhar alguns dos marcadores com o grupo de pessoas que tiveram apenas parceiros do mesmo sexo. "Simulações de computador sugerem que essa vantagem de acasalamento para alelos associados com SSB [pessoas que fazem sexo com outras pessoas do mesmo sexo] poderia ajudar a explicar como ela foi mantida evolutivamente", afirmam os autores.

De forma bastante subjetiva, os pesquisadores também descobriram que pessoas que tiveram encontros com outras do mesmo sexo compartilharam marcadores genéticos similares com pessoas que se descreveram como dispostas a correr riscos e abertas para novas experiências.

Até onde a genética pode explicar a homossexualidade?

Anterior ao estudo australiano e publicado em 2019 na revista Science, outra pesquisa científica compartilhou dos mesmos bancos de dados (UK Biobank e 23andMe). Neste estudo, os autores concluíram que "o comportamento sexual do mesmo sexo é influenciado não por um ou alguns genes, mas por muitos. A sobreposição com influências genéticas em outras características fornece insights sobre a biologia subjacente do comportamento sexual do mesmo sexo, e a análise de diferentes aspectos da preferência sexual ressalta sua complexidade".

A partir dessa investigação, pesquisadores de diferentes institutos de ciências do globo verificaram, a partir da base genética, cinco pontos no genoma humano ligados ao comportamento sexual com parceiros do mesmo sexo. No entanto, esses participantes também não foram questionados especificamente sobre sexualidade e os cientistas pontuam que nenhum dos marcadores é confiável o suficiente para prever a orientação sexual de alguém. Além disso, "não existe um 'gene gay'”, destacou a principal autora do estudo e pesquisadora do MIT, Andrea Ganna.

Segundo a análise, foi possível estimar que até 25% do comportamento sexual pode ser explicado pela genética. O restante pode ser influenciado tanto por fatores ambientais quanto culturais. Dessa forma, é possível concluir provisoriamente que, como outras características comportamentais, o comportamento não heterossexual é poligênico.

Para acessar o estudo australiano, clique aqui. Já para conferir o estudo que defende a não existência de um "gene gay", clique aqui.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos