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Afeganistão declara toque de recolher na maior parte do país

·3 minuto de leitura
Imagem de 15 de julho de 2021 de um combatente afegão de guarda em posto avançado contra os talibãs na província de Balj

As autoridades afegãs, que enfrentam há dois meses uma grande ofensiva do Talibã, decretaram neste sábado (24) um toque de recolher noturno em todo o país, exceto em três províncias, uma delas Cabul.

"Para conter a violência e limitar os movimentos dos talibãs, um toque de recolher foi decretado em 31 províncias", anunciou o ministério do Interior em um comunicado, especificando que apenas as regiões de Cabul, Panjshir (nordeste) e Nangarhar (leste) não serão afetadas.

O porta-voz adjunto do ministério, Ahmad Zia Zia, disse a repórteres que o toque de recolher estará em vigor das 22h00 às 4h00, mas não especificou por quanto tempo.

O Talibã lançou uma ofensiva contra as forças afegãs no início de maio, coincidindo com a retirada final das forças estrangeiras do Afeganistão, agora quase completa.

Nos últimos dois meses, a maioria dos 9.500 soldados estrangeiros deixou o país.

O Talibã assumiu o controle de grandes áreas rurais do Afeganistão e vários postos nas fronteiras com o Irã, Turcomenistão, Tadjiquistão e Paquistão.

Até agora, as forças afegãs ofereceram pouca resistência e controlam apenas as estradas principais, assim como as capitais provinciais.

Depois de três dias de relativa calma por ocasião do Eid al-Adha, o feriado muçulmano do Sacrifício, as autoridades afegãs anunciaram na sexta-feira o lançamento de várias operações militares em cerca de 15 províncias, com o objetivo de tentar recuperar o terreno.

Um jornalista da AFP reportou neste sábado operações do exército na província de Kunduz, no norte.

O ministério da defesa anunciou na sexta que o exército havia reconquistado um importante distrito na província de Herat, no oeste, perto da fronteira com o Irã.

Os Estados Unidos, cuja retirada foi 95% concluída, segundo o chefe do Estado-Maior do Exército, confirmaram que forneceram apoio aéreo às forças afegãs.

"Continuamos com os ataques em apoio às forças afegãs", disse o porta-voz do Departamento de Defesa americano, John Kirby, sem especificar, porém, onde ou quando.

O Talibã chamou as ações dos EUA de "ataques bárbaros" e denunciou o tom marcial do presidente afegão Ashraf Ghani, que anunciou grandes operações nos próximos seis meses.

"Durante esse período de seis meses, a responsabilidade por qualquer ação militar será dos líderes do governo de Cabul. Os combatentes [talibãs] defenderão ferozmente seus territórios e não permanecerão em uma postura defensiva se o inimigo insistir em fazer a guerra", alertou Zabihullah Mujahid, um porta-voz do Talibã.

Este porta-voz negou, porém, as acusações do governo de atrocidades cometidas por insurgentes contra civis no distrito de Spin Boldak, na fronteira com o Paquistão.

"Negamos categoricamente essa propaganda. Depois que os combatentes [talibãs] capturaram o distrito de Spin Boldak, ninguém foi ferido ou maltratado", disse.

Desde que Washington anunciou em 2020 a retirada definitiva das tropas estrangeiras, os talibãs têm procurado apresentar uma imagem mais moderada, principalmente no exterior, e se dizem partidários de um "acordo político" para encerrar o conflito.

No entanto, as negociações entre o governo e os insurgentes, que começaram em Doha em setembro, estão estagnadas e em 18 de julho outra rodada terminou sem sucesso. mam-jds-ayv/sg/pc/tjc/mr

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