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Afastamento de filho das redes sociais impacta atividade de Bolsonaro na internet

(AP Photo/Pavel Golovkin, Pool)

Por Renato C. Abreu

Os perfis do presidente Jair Bolsonaro no Twitter, Facebook e Instagram eram bastante ativos até o início desta semana. Na terça-feira (12), o vereador Carlos Bolsonaro desativou todas as suas redes sociais, parando também de publicar nas contas do pai, evidenciando assim sua forte atividade nelas.

presidente mantinha uma média de 13 postagens por dia no Twitter, por exemplo. Entre elas, destaque para feitos do governo, entrevistas e ironias. Após a saída de Carlos, possivelmente motivada pela chegada da CPI da Fake News, onde deverá ser convocado para depoimento, o ritmo de postagens diminuiu.

Confira os pontos da semana de Bolsonaro

No domingo (10) o presidente publicou uma longa lista de avanços promovidos pelo seu governo desde o início de seu mandato. Ao todo, 33 publicações destacaram ações desde a compra de ambulâncias no Ceará até o crescimento do PIB no terceiro trimestre.

Pouco depois, Bolsonaro comentou a renúncia do então presidente da Bolívia, Evo Morales. Segundo ele, a queda de Evo serviu para demonstrar a importância do voto impresso para tornar as eleições mais confiáveis. Entretanto, o presidente esqueceu que o pleito no país sul-americano já é feito com cédulas de papel.

“Denúncias de fraudes nas eleições culminaram na renúncia do Presidente Evo Morales. A lição que fica para nós é a necessidade, em nome da democracia e transparência, contagem de votos que possam ser auditados. O VOTO IMPRESSO é sinal de clareza para o Brasil”, disse.

Bolsonaro ainda ironizou a queda de Evo, publicando apenas uma foto ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. A publicação rendeu debates nos comentários entre internautas favoráveis a Evo e contrários.

Já na segunda-feira (11), Bolsonaro anunciou uma das polêmicas da semana: O fim do DPVAT. De acordo com o presidente, o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais será extinto a partir de 1º de janeiro de 2020.

Para o governo, o corte irá evitar fraudes e amenizar os custos de supervisão e de regulação do seguro por parte do setor público, atendendo a uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU). Especialistas, entretanto, divergem da decisão, já que grande parte do montante arrecadado pelo DPVAT era repassado a outras áreas, como a da Saúde.

Na terça-feira (12), data que marcou o afastamento do filho Carlos das redes sociais, o presidente se limitou a publicar a liberação de recursos em diversas regiões do Brasil.

No dia seguinte, Bolsonaro anunciou sua saída do PSL e a criação de um novo partido, o Aliança pelo Brasil.

“Agradeço a todos que colaboraram comigo no PSL e que foram parceiros nas eleições de 2018”, disse. A saída do presidente da legenda ocorre após diversos conflitos entre ele e o líder do PSL, Luciano Bivar.

Após casos de atrito, Bolsonaro já avaliava há alguns meses deixar o partido. Com a criação do novo partido, esta é a nona legenda do atual presidente da República. Ele já passou pelos partidos PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP e PSC.

O presidente ainda criticou na quinta-feira a invasão da Embaixada da Venezuela em Brasília, por um grupo de 20 venezuelanos partidários do autoproclamado presidente Juan Guaidó, opositor do presidente Nicolás Maduro.

O grupo, que entrou na embaixada por volta das 5h, defende que a indicada por Guaidó para o cargo de embaixadora no Brasil, Maria Teresa Belandria, passe a chefiar a embaixada.

Na quinta-feira (14), Bolsonaro comemorou o resultado da 11ª reunião de cúpula dos chefes do Brics, bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Após o evento, o presidente recebeu o líder russo Vladimir Putin no Palácio do Planalto.

No fim do dia, o presidente realizou sua tradicional live semanal. Durante a transmissão, ele afirmou que sua saída do PSL foi amigável. Em seguida, afirmou que quem não gostou do fim do DPVAT está livre para procurar uma seguradora particular.

A live, entretanto, não poderia acabar sem uma nova polêmica. Questionado sobre a ausência de questões sobre a ditadura na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019, o presidente afirmou que o Brasil nunca viveu um regime militar.

"A mídia disse que não teve questão sobre a ditadura. Mas nunca teve ditadura no Brasil. Sem querer polemizar. Tinha direito de ir e vir, tinha liberdade de expressão, podia votar. Não teve questão polêmica, como ano passado. Não vou falar aqui para não gerar polêmica", encerrou.

Já na sexta-feira (15), Bolsonaro repostou uma publicação de Sergio Moro, ministro da Justiça, sobre o projeto anticrime, na tentativa de mobilizar a Câmara e adiantar sua votação. Atualmente o projeto não tem data para ser votado e segue paralisado.

No tweet, Moro argumenta que a medida é uma prioridade da população brasileira. A proposta tramita tanto na Câmara quanto no Senado desde março deste ano. Sem grande apoio em ambos os espaços, o ministro usa suas redes sociais intensamente na tentativa de emplacar o projeto. Nesta semana, das cerca de 20 mensagens no Twitter, oito eram relacionadas à pauta.