Para AEB, mudança cambial não visou ajudar exportador

Para o vice-presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB), José Augusto de Castro, a ampliação para cinco anos do prazo para operações de pagamento antecipado das exportações foi feita pensando no comportamento de câmbio e não em ajudar os exportadores. "Essa medida foi tomada pensando no Banco Central (e sua atuação no câmbio) e não no exportador", disse Castro à Agência Estado.

De acordo com ele, a autoridade monetária tem visto a demanda por dólares aumentar e, por isso, está tentando estimular as empresas a antecipar o ingresso de divisas no País para diminuir a pressão de alta sobre o dólar. "Está tentando, porque acho que não haverá grande adesão à medida", disse o executivo da AEB. A avaliação dele é a de que, para se fazer uma operação como essa, bancos e empresas precisam ter uma previsibilidade de longo prazo do cenário econômico. "Nestes momentos de crise temos os bancos e as empresas, mas não temos o cenário externo", disse.

Nestes momentos de pressão sobre o dólar, afirma o vice-presidente da AEB, o governo tem duas alternativas: antecipação de ingresso de divisas ou usar as reservas internacionais. "Nas reservas ele não quer mexer. Então está tentando fazer estes ACCs (Adiantamento de Contratos de Câmbio) de cinco anos", disse Castro. Ele explica que estas operações geralmente são feitas por grandes empresas exportadoras de commodities.

Apesar de considerar que a medida não tem como objetivo principal ajudar os exportadores, Castro diz que a AEB não é contrária à mudança. "A medida dá mais liberdade para as empresas. O prazo para pagamento antecipado das exportações havia sido reduzido e agora volta a ser ampliado", disse, acrescentando que depois que o governo passou a cobrar IOF de 6%, estas operações ficaram paralisadas.

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