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Advogados de executiva da Huawei acusam Trump de 'envenenar' caso

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A diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, caminha pelas ruas de Vancouver com um tornozeleira eletrônica, 27 de maio de 2020
A diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, caminha pelas ruas de Vancouver com um tornozeleira eletrônica, 27 de maio de 2020

Os advogados de Meng Wanzhou, diretora financeira da gigante chinesa de tecnologia Huawei, acusaram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ter minado qualquer possibilidade de um processo justo no julgamento de extradição que acontece no Canadá.

As declarações de Trump "envenenaram" o caso, afirmaram os advogados de Meng em documentos enviados ao tribunal de Vancouver no fim de semana, revelando a nova linha da defesa da executiva.

Meng, de 48 anos e filha do fundador da Huawei, líder mundial em tecnologia 5G, é acusada pelos Estados Unidos de ter burlado as sanções americanas contra o Irã.

De acordo com Washington, Meng mentiu ao banco HSBC sobre a relação entre a Huawei e a Skycom, uma filial que vendia equipamentos de telecomunicações ao Irã, o que colocou a instituição financeira na posição de ser punida por violar as sanções dos Estados Unidos contra Teerã.

A executiva chinesa foi presa em final de 2018 no aeroporto de Vancouver, o que deu início a uma crise diplomática sem precedentes entre China e Canadá.

Os advogados citam declarações de Trump durante uma entrevista realizada duas semanas após a detenção de Meng, nas quais o presidente americano deixou entender que não hesitaria em intervir diante da justiça se isso resultasse na negociação de um acordo comercial mais favorável com Pequim.

Em final de maio, a justiça canadense acatou o pedido para dar seguimento à extradição para os Estados Unidos de Meng, que vive atualmente em regime de liberdade condicional em uma de suas luxuosas propriedades em Vancouver.

Em audiência judicial realizada em junho, os advogados canadenses de Meng denunciaram a existência de um complô com participação do FBI contra a executiva da Huawei.

De acordo com a defesa, as autoridades canadenses postergaram deliberadamente por algumas horas a detenção de Meng durante uma escala em Vancouver com o objetivo de poder reunir provas para o FBI.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, se negou a ceder às pressões de Pequim para intervir no processo de extradição de Meng em troca da libertação de dois canadenses detidos na China.

Os canadenses Michael Kovrig, um ex-diplomata, e Michael Spavor, um consultor, presos na China nove dias após a detenção de Weng, foram formalmente acusados de espionagem em meados de junho. O ocidente considera as prisões como uma represália das autoridades chinesas.

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