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Adaptado em live, Trem do Samba vai 'partir' da Portela nesta quarta-feira, Dia Nacional do Samba

Ricardo Ferreira
·2 minuto de leitura
Leo Martins / Agência O Globo

Ícone do calendário cultural da cidade, o Trem do Samba não vai sair da Central do Brasil neste ano. “Mas vai partir dos nossos corações”, diz Marquinhos de Oswaldo Cruz, organizador do evento que marca, a cada ano, o Dia Nacional do Samba, comemorado hoje, e que, diante do cenário de pandemia, teve sua celebração adaptada. O Trem do Samba acontece hoje, às 19h, na Quadra da Portela, sem a presença do público mas com transmissão on-line nas redes sociais do evento. Nomes como Jorge Aragão, Monarco, Nelson Sargento e o próprio Marquinhos de Oswaldo Cruz, entre outros, vão se apresentar no palco da Azul e Branco, que também vai reunir participações das velhas guardas da Portela, da Mangueira, do Salgueiro, do Império Serrano e da Vila Isabel.

Marquinhos diz que, inicialmente, a ideia era manter a festa com transmissão direta do trem, mas a operação seria complexa.

— Este ano vai ser muito diferente, neste momento em que a segunda fase da pandemia avança. Queremos ficar no lado certo da história. Até por respeito aos sambistas que morreram pela doença, como Dona Neném, viúva do Manacéa, e Tantinho da Mangueira, entre outros — diz Marquinhos.

Todo ano, o Trem do Samba carrega, segundo os organizadores, cerca de 100 mil pessoas em um passeio da Central do Brasil até Oswaldo Cruz, em homenagem também a Paulo da Portela (1901-1949), um dos fundadores do Conjunto Oswaldo Cruz, que depois se tornaria o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela. Nos anos 1920, Paulo e companhia faziam samba dentro do trem para driblar a polícia em uma época em que o gênero era tido como coisa de vagabundo.

Como a preocupação agora é outra, a live será cercada de cuidados: todos os artistas serão testados e chegarão em vans separadas na quadra. Monarco e Nelson Sargento farão suas participações de casa.

— O [pesquisador] Muniz Sodré diz que o samba é o dono do corpo. O grande barato é ver as pessoas se incorporando com o samba, ele vai tomando conta da gente. Os protagonistas dessa festa são as pessoas. Por isso nós queremos transmitir essa energia por meio dessa live — diz Marquinhos.

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