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Acusado de matar filho de bicheiro vai a julgamento esta semana; caso ainda é cercado de mistérios

Carolina Heringer
·6 minuto de leitura

Três anos e meio após o assassinato de Myro Garcia, filho caçula do bicheiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho, o primeiro acusado pelo crime será julgado nesta semana. Parte de uma extensa lista de homicídios na família Paes Garcia, a morte de Myro é a primeira a ir a julgamento nas últimas décadas. No entanto, apesar do aparente desfecho, o caso está longe de ser totalmente solucionado. A Polícia Civil do Rio ainda tenta desvendar a motivação do crime, que pode estar ligado à disputa sangrenta pelo controle dos negócios da família.

José Fabiano Bruno Santiago, que será levado a júri popular no dia 3, quinta-feira, foi um dos três indiciados pela Delegacia de Homicídios (DH) da capital no primeiro inquérito do caso, no qual a conclusão foi de que Myro foi vítima de um mero sequestro — o trio indiciado é acusado de ser executor do assassinato. Após o fim da primeira investigação, em abril de 2018, a DH abriu um novo inquérito com intuito de chegar a mandantes do crime.

Ao longo dessa segunda investigação e das audiências do caso no Justiça, começaram a surgir indícios de que o caso pode ter ligação com a guerra da contravenção.

Em depoimento ao Ministério Público em julho do ano passado, já no decorrer do segundo inquérito, a mãe de Myro, Sabrina Harrouche Garcia, afirmou acreditar que a morte do filho pode estar ligada às disputas dentro da própria família. A hipótese foi descartada pela DH ao concluir o primeiro inquérito do caso, no qual nenhum parente da vítima foi ouvido.

Sabrina acusou seu ex-genro, Bernardo Bello, de envolvimento na morte do filho. Tanto Sabrina quanto sua filha, Shanna Garcia, que era cunhada de Bello, afirmam que ele é atualmente o responsável por comandar os negócios ilegais da família. Para a mãe de Myro, o crime pode ter ligação com a guerra pelo espólio do ex-marido, Maninho, assassinado em 2004. Shanna também afirmou à polícia acreditar no envolvimento do ex-cunhado no crime. Bernardo Bello foi casado com Tamara Harrouche Garcia, outra filha de Maninho.

Sabrina afirmou ainda que esteve na DH em duas ocasiões, e em ambas relatou aos policiais sua desconfiança do envolvimento de Bernardo Bello na execução de Myro. Apesar disso, ela alega que seu depoimento não foi colhido oficialmente. A viúva de Maninho disse ainda que em uma das ocasiões em que esteve na delegacia lhe foi mostrada uma foto de um homem que trabalhava para Bello, que foi reconhecido por ela, mas essa imagem nunca constou nos inquéritos que apuram o assassinato de seu filho.

MP discorda de indiciamento

Em seu depoimento ao Ministério Público, Sabrina afirmou ainda ter notado, na delegacia, que havia uma tentativa de convencê-la de que o melhor amigo de Myro, Pedro Arthur Oliveira Marques, estava envolvido na morte de seu filho. A mãe da vítima afirma que o rapaz não tem envolvimento e diz ter absoluta certeza de que ele não faria mal a Myro. A Polícia Civil informou ao EXTRA que os fatos ocorreram na gestão anterior e podem ser relatados à Corregedoria, o que não foi feito.

Pedro foi o responsável por ir até os criminosos e pagar o resgate que estava sendo exigido para libertar Myro. Após o pagamento, ambos foram liberados, mas o filho mais novo de Maninho acabou sendo morto. Pedro escapou.

O amigo de Myro era a principal testemunha do caso e apontava José Fabiano como o autor dos disparos que mataram o amigo. Quando foi preso, em 2018, José Fabiano acusou Pedro de ser o responsável pelo plano para matar Myro para ficar com o dinheiro do resgate. O amigo também foi apontado como o verdadeiro autor dos disparos.

Com base no relato, a DH indiciou Pedro Arthur por participação no crime e pediu sua prisão. O MP, no entanto, entendeu que ainda era necessário seguir com as investigações. Em março deste ano, o caso mais uma vez foi concluído, com o indiciamento de Pedro pela DH. Novamente, o MP não concordou e pediu novas diligências.

Ex-cunhado é investigado

No inquérito que foi concluído pela DH em março deste ano, mas que continua em andamento a pedido do MP, Bernardo Bello também aparece entre os investigados. No relatório final da investigação, o delegado Maurício Luciano citou que Bello estava entre os suspeitos, tendo sido apontado como envolvido no assassinato de Myro Garcia pela família da vítima, mas nada foi provado contra ele.

Ao rechaçar o relatório final e pedir novas diligências, o promotor de Justiça Raphael Franzotti Branco solicitou que fosse identificado o homem mencionado por Sabrina em seu depoimento, que trabalharia para Bernardo Bello, e que a fotografia dele fosse apresentada aos três homens presos acusados de envolvimento na morte do caçula de Maninho para um eventual reconhecimento.

O nome de Bernado Bello já havia sido citado por José Fabiano em uma audiência do caso na Justiça, em março do ano passado. Na ocasião, ele afirmou que ao ser preso ouviu dos próprios policiais da DH que Bernardo estava envolvido na morte de Myro. Na época, no entanto, Bernardo Bello não era investigado.

Antes disso, em setembro de 2018, Pedro Arthur, amigo de Myro Garcia, já havia falado, também em audiência, que o próprio José Fabiano havia lhe confessado que tinha sido contratado pelo Bernardo para matar Myro.

No inquérito que foi concluído pela DH em março deste ano, mas que continua em andamento a pedido do MP, Bernardo Bello também aparece entre os investigados. No relatório final da investigação, o delegado Maurício Luciano citou que Bello estava entre os suspeitos, tendo sido apontado como envolvido no assassinato de Myro Garcia pela família da vítima, mas nada foi provado contra ele.

Ao rechaçar o relatório final e pedir novas diligências, o promotor de Justiça Raphael Franzotti Branco solicitou que fosse identificado o homem mencionado por Sabrina em seu depoimento, que trabalharia para Bernardo Bello, e que a fotografia dele fosse apresentada aos três homens presos acusados de envolvimento na morte do caçula de Maninho para um eventual reconhecimento.

O nome de Bernado Bello já havia sido citado por José Fabiano em uma audiência do caso na Justiça, em março do ano passado. Na ocasião, ele afirmou que ao ser preso ouviu dos próprios policiais da DH que Bernardo estava envolvido na morte de Myro. Na época, no entanto, Bernardo Bello não era investigado.

Antes disso, em setembro de 2018, Pedro Arthur, amigo de Myro Garcia, já havia falado, também em audiência, que o próprio José Fabiano havia lhe confessado que tinha sido contratado pelo Bernardo para matar Myro.Em seu depoimento à DH, Bello negou envolvimento na morte de Myro.

Desavenças entre polícia e Judiciário

As investigações do assassinato de Myro foram marcadas por atritos entre a polícia e o Judiciário por discordâncias sobre o que de fato teria acontecido com a vítima.O delegado inicialmente responsável pelas investigações entendeu que se tratava de um caso de extorsão mediante sequestro que resultou em morte. O juiz Paulo Jangutta discordou. Para ele, o sequestro foi encenado e a intenção sempre foi matar Myro, por isso todos deveriam responder por homicídio.

Além da morte e do sequestro de Myro, os acusados respondem pela tentativa de homicídio de Pedro Arthur, já que a conclusão inicial foi de que tentaram matá-lo. Nos processos respondidos por José Fabiano e pelos outros integrantes do trio (Handerlândio e Paulo), Pedro é assistente de acusação.

As investigações do assassinato de Myro foram marcadas por atritos entre a polícia e o Judiciário por discordâncias sobre o que de fato teria acontecido com a vítima.