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Acusado injustamente nove vezes por reconhecimento fotográfico tem retrato retirado do álbum de suspeitos

·4 minuto de leitura

Depois de ser apontado nove vezes como suspeito de roubos que não cometeu, o jovem de Mesquita Tiago Vianna Gomes, de 27 anos, teve a foto retirada de álbum de suspeitos da delegacia de Nilópolis (57ª DP) por determinação da Justiça. A decisão atendeu a um pedido da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, que acompanha o caso.

Tiago Vianna Gomes trabalha em uma serralheria com um tio, tem três filhos pequenos, e é morador da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Desde 2016, viu a sua vida virar de cabeça para baixo quando foi chamado por um amigo para ajudar a rebocar um carro. Ele não sabia, mas o carro era roubado, e ele acabou acusado de receptação. O fato foi registrado na 52ª DP (Nova Iguaçu), e Tiago foi absolvido pela Justiça posteriormente. Mas, desde então, ele respondeu a outros processos porque, sem saber como, sua foto foi incluída no álbum de suspeitos da delegacia de Nilópolis (57ª DP).

— Eu não sei como minha foto foi chegar nessa delegacia. Até hoje não consigo entender. Nunca fui na delegacia de Nilópolis. E o reconhecimento pelo álbum fotográfico era só nessa delegacia. Quando chegava na audiência, pessoalmente, a vítima não me reconhecia. Eu tinha as provas, e saía absolvido, e mesmo assim, não parava de chegar intimação para mim — conta o jovem.

De fato, Tiago foi absolvido em oito dos noves processos que responde por roubo com base em reconhecimento fotográfico. O último ainda está em andamento. Ele chegou a ser preso duas vezes. A primeira, em 2018, quando ficou detido por oito meses no presídio Cotrim Neto, em Japeri. E a segunda, no ano passado, quando ficou preso por duas semanas no presídio Ary Franco, em Água Santa, até conseguir prisão domiciliar. Para passar por esses períodos difíceis na prisão ele contou com o apoio da família.

— Quando eu fiquei preso injustamente foi minha família quem esteve do meu lado. Chegava carta dos meus tios, da minha tia, da minha vó. Não fiquei depressivo lá dentro porque sempre recebia algo da minha família. Os amigos faziam vaquinha para me ajudar. Aquilo foi me dando forças para não desanimar, mas mesmo assim é bastante doloroso — lembra ele.

Nas decisões que embasaram as absolvições de Tiago, os magistrados levaram em conta a fragilidade do reconhecimento fotográfico em sede policial pelas vítimas. Em uma delas, o juiz afirma que das três vítimas de um mesmo roubo que estavam juntas no momento do fato, duas não reconheceram Tiago como suspeito. Em outra, o magistrado destaca que uma vítima afirmou que reconheceu “com certeza” duas pessoas, mas ambas estavam presas na época dos fatos, “o que revela a necessidade de ver com muita cautela o reconhecimento fotográfico feito pela vítima e sua memória acerca dos fatos”, disse o juiz Alberto Fraga.

— Teve um momento em que eu falava para minha mãe que achava que isso nunca ia acabar. Pensei em tirar minha vida mesmo. Foi muito estressante. Estava totalmente desanimado, já não tinha mais esperança de viver. Eu tinha bastante medo. Estava preso dentro de casa sem poder fazer nada, sem arrumar trabalho. E quando chegavam essas intimações ia me abalando ainda mais — conta o jovem.

Tiago acredita que o racismo teve influência para que ele fosse apontado tantas vezes como suspeito, mesmo que não estivesse no local dos crimes, e mesmo que as vítimas não o reconhecessem presencialmente.

— Eu tinha bastante medo de sofrer covardia da polícia, porque já sou negro, morador de comunidade e pobre. Para a Justiça, somos tudo a mesma coisa, eles não querem saber se é morador, se é bandido — afirma.

A Polícia Civil confirmou que a foto de Tiago foi retirada do álbum de suspeitos da 57ª DP (Nilópolis).

— É uma sensação maravilhosa saber que não corro mais risco de ser acusado por reconhecimento fotográfico. Acredito que isso tudo não vai acontecer novamente, então é muito gratificante. Estou alegre com a retirada dessa imagem, porque tudo isso me prejudicou mesmo, essa foto na delegacia parou a minha vida — desabafa.

Um levantamento realizado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro apontou que 90 pessoas foram presas por engano nos últimos oito anos no estado. Negros representam 83% dos presos injustamente. Segundo a pesquisa, os erros ocorreram por reconhecimento equivocado de foto.

— Eu acho que eles teriam que investigar mais, pesquisar mais sobre a pessoa para ver qual é a conduta dela, e não colocar a pessoa atrás das grades para depois fazer a investigação. Isso é o mais correto para acabar com essas falhas — diz Tiago.

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